Justiça da PB manda bloquear plataformas da Pixbet e multa acumulada chega a R$ 4,7 mi
A Vara da Infância e Juventude de Campina Grande determinou à Anatel a suspensão nacional das marcas Pixbet, GanheiBet e Bet da Sorte por falhas na proteção de menores; empresa contesta a decisão.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A Vara da Infância e Juventude de Campina Grande (PB) ordenou nesta quinta-feira (3) que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) bloqueie, em âmbito nacional, todas as plataformas operadas pela Pixbet Soluções Tecnológicas Ltda. A medida abrange as marcas Pixbet, GanheiBet (anteriormente chamada de Flabet) e Bet da Sorte, e tem como fundamento principal a alegação de que a empresa não adotou mecanismos suficientes para impedir o acesso de crianças e adolescentes às suas plataformas de apostas virtuais. A ação civil pública que originou o processo foi proposta pelo padre Julio Lancellotti e por outras entidades.
O bloqueio é consequência do descumprimento de uma tutela de urgência concedida em 18 de julho, que havia dado à empresa 48 horas para implementar as medidas determinadas, sob pena de suspensão e multa de R$ 100 mil por dia. Segundo o juiz João Lucas Souto Gil Messias, "o descumprimento perdura por 47 (quarenta e sete) dias ininterruptos", o que resultou na dívida acumulada de R$ 4,7 milhões. O magistrado determinou a execução do valor e o bloqueio imediato das operações. Além disso, ordenou a realização de perícia judicial especializada para avaliar, de forma independente, a efetividade dos sistemas de biometria, reconhecimento facial e controles de acesso utilizados pela empresa. A decisão mais recente foi proferida em 2 de setembro de 2026.
A decisão também menciona 16 processos sancionatórios abertos contra as marcas da Pixbet, envolvendo falhas na identificação de usuários, ausência de ferramentas de autoexclusão e omissão no envio de dados regulatórios. O juiz citou ainda duas medidas cautelares adotadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, segundo as quais a empresa deixou de enviar arquivos obrigatórios ao Sistema de Gestão de Apostas (SIGAP), inviabilizando a fiscalização e as ações de proteção a menores — irregularidade que, segundo o órgão federal, contribuiu para a suspensão administrativa da operadora no mercado regulado.
Pixbet contesta decisão e aponta contradições processuais
Em nota oficial, a Pixbet reconheceu que impedir o acesso de menores às apostas é "obrigação legal e compromisso inegociável", mas rebateu as bases da decisão. A empresa afirmou que, até o momento, "não foi apresentada prova individualizada de um único menor que tenha concluído cadastro ou realizado aposta nas plataformas da Pixbet" e que as alegações se apoiaram "em informações gerais sobre o mercado e em capturas da etapa inicial do cadastro, sem demonstração da conclusão do procedimento de identificação". A Pixbet também questionou a exigência de reconhecimento facial com prova de vida a cada acesso e em todas as operações financeiras, classificando-a como um requisito tecnológico sem previsão na legislação aplicável às demais operadoras autorizadas. A empresa destacou ainda que a 14ª Procuradoria de Justiça havia opinado, no âmbito de recurso interposto pela empresa, pela necessidade de perícia e considerado desproporcional a suspensão sem instrução técnica adequada. Por fim, a Pixbet ressaltou que obteve autorização federal para operar após recolher outorga de R$ 30 milhões e submeter seus sistemas à certificação reconhecida pela SPA, e que busca "apenas que lhe seja aplicada, de forma isonômica, a mesma regulamentação vigente para todos os agentes do mercado".
O caso ilustra as tensões que permeiam o processo de regulação do mercado de apostas esportivas no Brasil, cuja estrutura formal de licenciamento foi consolidada pela Secretaria de Prêmios e Apostas ao longo de 2024 e 2025. Mesmo operadoras com autorização federal em vigor podem ser alvo de ações judiciais estaduais — especialmente nas varas da infância e juventude —, que avaliam o cumprimento de obrigações relacionadas à proteção de crianças e adolescentes, tema sensível e de crescente atenção regulatória e judicial no país.
| Período | Multa diária | Dias de descumprimento | Total acumulado |
|---|---|---|---|
| 18 de julho a 2 de setembro de 2026 | R$ 100.000 | 47 dias | R$ 4.700.000 |
O que está em jogo
- Decisão judicial ordena bloqueio imediato de todas as plataformas da Pixbet (Pixbet, GanheiBet e Bet da Sorte) em todo o Brasil, com multa acumulada de R$ 4,7 mi por descumprimento de medida anterior.
- Juiz impõe exigência excepcional não prevista na regulamentação federal — reconhecimento facial a cada acesso e em toda operação financeira — gerando insegurança jurídica sobre padrões técnicos diferenciados por decisão estadual em primeira instância.
Entenda os termos
- Reconhecimento facial com prova de vida
- Sistema biométrico que exige verificação visual do rosto do usuário através de câmera e comprovação de que se trata de pessoa viva (por piscar, se mover), em cada acesso à plataforma.
- Medida cautelar
- Decisão provisória de um órgão regulador ou juiz que ordena ação urgente ou suspensão imediata para prevenir dano, antes da conclusão do processo principal.
- SIGAP
- Sistema de Gestão de Apostas, ferramenta federal que centraliza dados de operadoras autorizadas para fiscalização e ações regulatórias.
- Perícia judicial
- Inspeção técnica realizada por especialista independente nomeado pelo juiz para esclarecer questões de fato que exigem conhecimento específico.
A apuração inicial deste fato é de iGaming Business Brasil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



