Documentos falsificados enganam cadastros de apostas, alerta especialista em fraude
A maioria dos fluxos de onboarding em casas de apostas verifica se os campos de um documento estão preenchidos corretamente, mas não se o documento em si é autêntico — e é nessa brecha que fraudes de identidade passam despercebidas.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Boa parte das casas de apostas utiliza tecnologia de OCR (reconhecimento óptico de caracteres) para validar documentos no momento do cadastro. O sistema lê os campos preenchidos e confere se as informações batem com o que o usuário digitou no formulário. O problema, apontado por especialistas em prevenção a fraude da idtech brasileira Legitimuz, é que esse processo confirma a leitura dos dados, mas não a autenticidade do documento que os contém.
Um documento forjado pode assumir três formas: uma identidade falsificada do zero, um documento real com algum campo adulterado — como data de nascimento ou foto — ou ainda um documento de terceiro com a foto substituída. Nos três casos, os dados extraídos pelo OCR podem parecer completamente válidos para o sistema automatizado. Uma fonte levemente diferente na data de nascimento ou uma foto colada sobre a original, por exemplo, passam pela leitura sem acionar qualquer alerta. Segundo a Legitimuz, poucos fluxos de cadastro no setor verificam camadas de segurança física dos documentos, como microtexto, hologramas ou padrões de impressão — checagens que já seriam tecnicamente viáveis em processos 100% digitais por meio da documentoscopia.
Para o mercado de apostas, essa lacuna tem um peso específico. A data de nascimento é o campo mais visado em fraudes de identidade nesse setor, justamente porque é ela que determina se um cadastro ultrapassa ou não a barreira de maioridade exigida por lei. Diferentemente de outros segmentos regulados, o incentivo para burlar esse filtro é direto e imediato, tornando o documento adulterado um caminho mais simples do que a criação de uma identidade sintética completa. O resultado prático, conforme aponta a empresa, é um cadastro que cumpre a exigência regulatória no papel, sem responder à pergunta central: o documento apresentado é genuíno?
A documentoscopia — análise da estrutura física e digital do documento — surge, nesse contexto, como uma das barreiras mais relevantes especificamente para o iGaming, ao lado da verificação de vivacidade biométrica, que atesta se há uma pessoa real por trás do documento enviado. No Brasil, o mercado de apostas esportivas opera sob regulamentação da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, que exige das operadoras licenciadas a adoção de processos robustos de identificação de clientes como condição para obtenção e manutenção da licença. A proteção de menores é um dos pilares do marco regulatório do setor, o que torna a solidez do onboarding um ponto diretamente fiscalizável pelas autoridades.
A Legitimuz é uma idtech brasileira com atuação em verificação de identidade, biometria e prevenção a fraude nos mercados de iGaming, fintechs e outras indústrias reguladas. A empresa mantém certificações ISO/IEC 27001, iBeta PAD Levels 1 e 2, BixeLab PAD Levels 1, 2 e 3, BixeLab IAD e ISO/IEC 30107-3.
O que isso muda na regulação
- Operadoras de apostas que usam apenas leitura automática (OCR) para validar documentos cumprem exigência formal de compliance mas deixam brechas concretas para menores usarem documentos falsificados, já que a barreira de maioridade pode ser contornada com adulteração da data de nascimento.
- A documentoscopia e verificação biométrica são especialmente críticas no setor de apostas porque o incentivo para fraude é direto e imediato — burlar o controle de idade para apostar — diferentemente de outros setores regulados.
Entenda os termos
- OCR
- Tecnologia de reconhecimento óptico de caracteres que lê automaticamente texto impresso ou manuscrito em documentos, convertendo-o em dados digitais — no contexto de cadastros, extrai dados do documento mas não valida sua autenticidade.
- Documentoscopia
- Análise técnica da estrutura física e digital de um documento para confirmar sua autenticidade, verificando elementos como hologramas, microtexto, padrões de impressão e camadas de segurança.
- Verificação de vivacidade biométrica
- Processo que confirma se há uma pessoa real e viva apresentando o documento, geralmente através de análise de movimentos ou interações em tempo real, evitando fraudes com fotos ou vídeos.
- Onboarding
- Processo de abertura de conta e cadastro de um novo usuário em uma operadora de apostas, onde são coletados e validados dados pessoais e documentação.
A apuração inicial deste fato é de BNLData. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



