MP de Roraima denuncia 10 influenciadores por apostas clandestinas e lavagem de dinheiro
Grupo teria movimentado R$ 67,5 milhões em dois anos promovendo plataformas ilegais de jogos de azar nas redes sociais. Crimes vão de exploração de jogos à associação criminosa.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O Ministério Público de Roraima apresentou, na última sexta-feira (4/7), denúncia criminal contra nove influenciadores digitais e um empresário acusados de integrar uma rede organizada de divulgação de plataformas clandestinas de jogos de azar. Juntos, os investigados teriam movimentado cerca de R$ 67,5 milhões ao longo de aproximadamente dois anos de atuação, segundo apuração do G1 RR. O caso foi conduzido pela Promotoria de Justiça Especializada em Organização Criminosa e Lavagem de Capitais do estado.
Os denunciados e as acusações
Os acusados são: a influenciadora Adrielly Vivianny Araújo de Jesus e seu marido, o empresário Dione dos Santos da Silva; e as influenciadoras e influenciadores Raniely Silva Carvalho, Patrik Adhan dos Santos Ribeiro, Amanda Lourenço Faria, Laís Ramos Gomes da Silva, Victoria Paixão Barros, Vitória Reis da Silva, Juliana Lima do Nascimento e Gildázio Sobrinho Santos Cardoso. Os crimes imputados incluem exploração de jogos de azar, afirmação falsa ou enganosa sobre produtos e serviços, indução do consumidor a erro, crimes contra a economia popular, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Adrielly, Dione e Patrik também foram denunciados por estelionato. Na mesma peça, o MP pediu indenização para três vítimas identificadas.
Como o esquema operava
De acordo com a Promotoria, os influenciadores publicavam stories, reels e vídeos com links personalizados que direcionavam seus seguidores a plataformas ilegais de apostas. Para atrair o público, exibiam supostos ganhos expressivos — veículos, imóveis e viagens —, alimentando a promessa de lucro fácil. O esquema era potencializado pelo uso de contas de demonstração fornecidas pelas próprias plataformas, que simulavam resultados irreais e incentivavam os usuários a depositar valores cada vez maiores. Ao tentar resgatar quantias mais altas, as vítimas encontravam bloqueios ou negativas de saque. Os divulgadores, por sua vez, recebiam comissões pela captação de novos apostadores. O MP descreveu a estrutura como dividida em três núcleos: um operacional e empresarial, responsável pela administração das plataformas e pelo processamento de pagamentos; um de divulgação e captação, formado pelos influenciadores; e um terceiro dedicado a ocultar a origem dos recursos, por meio da movimentação em diferentes contas e instituições financeiras e da conversão dos valores em bens como imóveis, veículos e procedimentos estéticos.
O que dizem promotoria e defesas
O promotor Carlos Alberto Melotto, autor da denúncia, declarou que "estamos falando de um esquema que explora a confiança das pessoas e a expectativa de obter ganhos financeiros, causando prejuízos que podem comprometer a renda e o patrimônio das vítimas. A atuação do Ministério Público busca interromper esse ciclo, responsabilizar os envolvidos e impedir que estruturas como essa continuem utilizando as redes sociais para alcançar novos consumidores". Já as defesas dos acusados contestaram as imputações. A defesa de Raniely afirmou que "as acusações não correspondem à realidade dos fatos" e prometeu demonstrar a ausência de responsabilidade penal de sua cliente no momento processual adequado. Os advogados de Adrielly, Dione e Patrik informaram que "se pronunciarão nos autos e não adiantarão qualquer estratégia técnica". A defesa de Gildázio negou os crimes e ressaltou que "o oferecimento de denúncia não implica condenação", reafirmando a presunção de inocência até decisão judicial definitiva. As defesas de Victoria e Vitória não haviam se manifestado até o fechamento da matéria original.
O caso ilustra um fenômeno que ganhou escala no Brasil com a proliferação de plataformas de apostas online. Embora o país tenha iniciado em 2025 a regulamentação do mercado de bets — sob supervisão da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda —, operadores sem licença continuam ativos e frequentemente recorrem a criadores de conteúdo para atrair apostadores. A denúncia do MP de Roraima é um dos primeiros casos no país a colocar influenciadores digitais no banco dos réus por esse tipo de atividade.
| Nome | Função/Atividade |
|---|---|
| Adrielly Vivianny Araújo de Jesus | Influenciadora |
| Dione dos Santos da Silva | Empresário |
| Raniely Silva Carvalho | Influenciadora |
| Patrik Adhan dos Santos Ribeiro | Influenciador |
| Amanda Lourenço Faria | Influenciadora |
| Laís Ramos Gomes da Silva | Influenciadora |
| Victoria Paixão Barros | Influenciadora |
| Vitória Reis da Silva | Influenciadora |
| Juliana Lima do Nascimento | Influenciadora |
| Gildázio Sobrinho Santos Cardoso | Influenciador |
O que isso diz sobre o mercado
- Dez pessoas foram denunciadas por integrar um esquema coordenado de divulgação de plataformas ilegais de apostas que arrecadou R$ 67,5 milhões em dois anos, utilizando influenciadores digitais como captadores de novos apostadores.
- O caso exemplifica um modelo criminoso que explora confiança e expectativa de lucro rápido em redes sociais, usando contas de demonstração para simular ganhos e subsequentemente bloquear saques das vítimas.
- A estrutura foi investigada como associação criminosa com núcleos especializados em operação das plataformas, divulgação/captação via influenciadores e lavagem dos recursos através de movimentações financeiras, compra de bens e serviços.
Entenda os termos
- Lavagem de dinheiro
- Processo de ocultar e dissimular a origem ilícita de recursos obtidos através de atividades criminosas, camuflando-os por meio de transações financeiras, conversão em bens ou transferências entre contas e terceiros.
- Plataforma clandestina de jogos de azar
- Site ou aplicativo não autorizado pelos órgãos reguladores que oferece apostas em eventos esportivos ou jogos de azar, operando fora do marco legal de regulamentação de bets.
- Associação criminosa
- Organização estruturada com objetivos e atribuições definidas para seus membros, que se unem para cometer crimes de forma coordenada e contínua.
- Estelionato
- Crime que consiste em obter vantagem ilícita para si ou para terceiro, induzindo alguém em erro mediante ardil, artifício ou qualquer outro meio fraudulento.
A apuração inicial deste fato é de BNLData. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



