Identidade digital pode modernizar KYC no setor de apostas, diz executiva da Entain
Andrea Carvalho, responsável por legal, compliance e PLD na Entain, defende que carteiras de identidade digital têm potencial de agilizar a verificação de clientes — mas sem substituir o monitoramento contínuo e demais obrigações regulatórias.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A verificação de identidade de clientes — etapa central do processo conhecido como KYC (Know Your Customer) — pode ganhar um novo formato com a adoção de carteiras de identidade digital. Quem avalia esse cenário é Andrea Carvalho, Head de Legal, Compliance e AML Affairs da Entain, operadora global de apostas. Ela será uma das participantes do painel "EUDI Wallets & Digital Identity: A New Era for KYC — or Just New Complexity?" no SBC Summit 2026, ao lado de Yainnis Stavroulas, CTO da Novibet, e do arquiteto de Blockchain Jean-Michel Azzorpadi. O painel será mediado por Jochen Biewer, Managing Director da Chevron Group.
KYC além da verificação de identidade
Para Carvalho, a EUDI Wallet — carteira de identidade digital criada no âmbito regulatório europeu — tem potencial real de tornar a verificação de clientes mais rápida e precisa, já que permite o compartilhamento de credenciais emitidas por autoridades públicas de forma segura. No entanto, ela ressalta que o KYC vai muito além dessa etapa. "Operadores regulados ainda precisam avaliar o risco dos clientes, cumprir obrigações de prevenção à lavagem de dinheiro, realizar diligência reforçada quando apropriado e monitorar continuamente a atividade do cliente durante todo o relacionamento comercial", afirmou a executiva. Um dos ganhos práticos esperados, segundo ela, é que as equipes de compliance poderão dedicar menos tempo à validação manual de documentos.
Divulgação seletiva de dados e privacidade
Um dos princípios centrais das carteiras digitais é a chamada divulgação seletiva: o usuário comprova apenas o atributo necessário — como a maioridade — sem expor todas as informações contidas em seu documento de identidade. Carvalho vê esse mecanismo como complementar, e não conflitante, às exigências de compliance. "Um bom processo de compliance nunca foi sobre coletar a maior quantidade possível de dados. Trata-se de obter as informações corretas para a finalidade regulatória adequada e no momento certo", declarou. A executiva pondera, porém, que quando a legislação exigir dados adicionais, os operadores continuarão obrigados a obtê-los e verificá-los.
Potencial para o Brasil e limites da tecnologia
Apesar de concentrar sua atuação cotidiana em Portugal e no marco regulatório europeu, Carvalho vê aplicações relevantes desses conceitos para o mercado brasileiro. Ela observou que o Brasil já avançou de forma significativa em identidade digital e autenticação, e indicou que a verificação baseada em atributos — como confirmar que um apostador tem mais de 18 anos sem que o operador precise armazenar o documento completo — poderia ser explorada no país à medida que o arcabouço regulatório evolui. Ainda assim, a executiva é enfática: carteiras digitais confiáveis não eliminam a necessidade de monitoramento contínuo. "Os crimes financeiros continuam evoluindo rapidamente, especialmente por meio de identidades sintéticas, fraudes documentais e técnicas criminosas cada vez mais sofisticadas", alertou. Para ela, a identidade digital deve ser encarada como uma camada adicional de proteção dentro de uma estratégia mais ampla de compliance — e não como solução isolada contra crimes financeiros.
Por que isso importa
- O material não descreve impacto concreto e imediato: é uma discussão prospectiva sobre potencial modernização de processos de compliance em apostas por meio de identidade digital europeia.
- Para operadores brasileiros, o fato relevante é que a evolução da infraestrutura de identidade digital (já em andamento no Brasil) pode permitir redução de atrito no onboarding, mantendo controles de compliance obrigatórios.
- A verificação por atributos é um conceito-chave que mercados regulados, incluindo o Brasil, podem explorar, desde que respeitados marcos jurídicos, privacidade de dados e segurança.
Entenda os termos
- KYC (Know Your Customer)
- Processo obrigatório de verificação da identidade e perfil de risco do cliente realizado por operadores de apostas antes de liberar a conta e durante o relacionamento comercial.
- EUDI Wallet (European Digital Identity Wallet)
- Carteira digital de identidade europeia que permite aos usuários compartilhar credenciais de identidade emitidas por autoridades públicas de forma segura e seletiva, sem revelar todos os dados pessoais.
- Verificação baseada em atributos
- Método que confirma características específicas do cliente, como idade mínima, sem necessidade de armazenar o documento de identidade completo com todas as informações pessoais.
- PLD (Prevenção à Lavagem de Dinheiro)
- Conjunto de obrigações regulatórias e monitoramento contínuo que operadores devem manter para detectar e prevenir atividades ilícitas e movimentações suspeitas.
A apuração inicial deste fato é de SBC Notícias Brasil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



