Governo quer intensificar educação de atletas sobre riscos das apostas esportivas
Secretário Giovanni Rocco defendeu ações de conscientização nas categorias de base após aumento de casos de manipulação de resultados no Brasil.
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O secretário nacional de Apostas Esportivas e Desenvolvimento Econômico do Esporte, Giovanni Rocco, anunciou nesta segunda-feira (22) que o governo federal pretende ampliar as ações de conscientização voltadas a atletas, com foco especial nas categorias de base. A declaração foi feita durante a 4ª edição do seminário "O Futuro das Apostas no Brasil", organizado pelo Pinheiro Neto Advogados, em São Paulo. O pano de fundo é a crescente preocupação com registros de manipulação de resultados em competições que, segundo a legislação em vigor, não deveriam sequer ter oferta de apostas esportivas.
Para Rocco, o enfrentamento ao problema precisa avançar em duas direções simultâneas: punição de quem já praticou irregularidades e prevenção de novos casos por meio da educação. "Uma frente é reprimir, e a outra frente que é educar para não precisar punir", afirmou o secretário. Entre os pontos centrais da estratégia educativa, ele destacou a necessidade de deixar claro aos atletas que qualquer vínculo com o mercado de apostas é proibido — inclusive a participação em campanhas publicitárias e a presença em plataformas do setor. "Olha, atleta, você sabe que você não pode ter cadastro numa casa de apostas", disse Rocco.
O secretário também defendeu a criação de uma força-tarefa com a participação das federações esportivas, voltada a orientar tanto os atletas quanto seus familiares. Nesse contexto, ele citou o conceito de PED — pessoa desportivamente exposta —, mecanismo que busca impedir que atletas e demais envolvidos diretamente nas competições participem do mercado de apostas. "É o atleta", resumiu Rocco ao exemplificar quem se enquadra na definição. A proposta é fortalecer os controles existentes e evitar conflitos entre a atividade esportiva e o setor de apostas.
A preocupação do Ministério do Esporte se insere num contexto mais amplo de regulamentação do setor no Brasil. Desde o início de 2025, as apostas esportivas de quota fixa passaram a operar sob um marco regulatório formal, supervisionado pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda. A integridade esportiva é um dos pilares exigidos para o licenciamento das operadoras, que devem adotar mecanismos de monitoramento e reportar suspeitas de manipulação às autoridades competentes. A atuação do Ministério do Esporte nessa frente reforça a necessidade de coordenação entre diferentes órgãos do governo para que a regulação funcione de forma efetiva.
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