Golpe "Saque Fantasma": falsas bets prometem R$ 3.000 e bloqueiam retiradas
Investigação da empresa de cibersegurança ZenoX expõe rede de plataformas fraudulentas que atraem vítimas com promessas de altos retornos e cobram taxas que nunca são reconhecidas pelo sistema.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Uma rede de plataformas falsas de apostas está enganando usuários com a promessa de retornos de até R$ 3.000 a partir de depósitos iniciais entre R$ 20 e R$ 30, mas impede os saques por meio da própria programação dos sites. A conclusão é de uma investigação batizada de Saque Fantasma, conduzida pela ZenoX, empresa brasileira de cibersegurança, e divulgada nesta quinta-feira (8/10). O estudo foi revelado pela Folha de S.Paulo e identificou três domínios vinculados à mesma operação: MAXXBET7K, MAXBTT7K e NEWWBET7K — plataformas que compartilham elementos de aplicação, infraestrutura e mecanismo de cobrança.
Como o golpe funciona
A captação de vítimas começa nas redes sociais. Um exemplo coletado pela ZenoX no Instagram orientava o usuário a acessar um link, realizar um cadastro, depositar R$ 20 e enviar o comprovante junto com a chave Pix em troca de R$ 2.000. Os pesquisadores também localizaram uma conta no TikTok ligada ao esquema com mais de 126 mil seguidores e 2,5 milhões de curtidas. Instagram e Telegram eram usados tanto para divulgar as plataformas quanto para oferecer suporte às vítimas. Após o primeiro pagamento, o usuário encontra uma interface com jogos, saldo exibido e uma vitrine de "últimos saques" com nomes parcialmente ocultados e valores elevados — recursos criados para simular legitimidade. Ao tentar retirar o saldo, recebe a informação de que é preciso pagar uma taxa de R$ 30. O QR Code gerado para esse pagamento é, em determinadas condições, fabricado pelo próprio navegador do usuário, e o sistema jamais confirma a transação, mantendo o saque indefinidamente com o status "Pagamento da Taxa Pendente".
Dados internos expostos revelam dimensão do esquema
A ZenoX conseguiu acessar a estrutura interna das plataformas porque encontrou credenciais de produção expostas no código público, além de uma falha que permitia elevação de privilégios durante o cadastro. Em uma das bases analisadas, foram identificadas 415 contas de usuários e 231 transações de depósito — das quais 92% estavam na faixa de R$ 20 a R$ 30, e 157 permaneciam com status pendente, sem devolução. O painel interno registrava R$ 107.519 em saldo acumulado entre as contas desde dezembro de 2025. Já a plataforma NEWWBET7K concentrava mais de 3.600 contas, com nomes, e-mails e telefones expostos. A ZenoX alerta que esses dados podem ser utilizados para novas tentativas de fraude contra as próprias vítimas. A identidade civil dos responsáveis pelo esquema não foi confirmada pelo estudo.
Contexto regulatório e orientações às vítimas
O esquema se desenvolve em um cenário de proibição das apostas de quota fixa no Brasil. A Medida Provisória nº 1.394, editada pelo governo federal em 25 de setembro de 2026, vedou novos depósitos em plataformas de bets e determinou o encerramento das autorizações emitidas pela SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas). Antes da proibição, apenas empresas autorizadas pela SPA podiam operar legalmente, e os sites credenciados utilizavam o domínio ".bet.br" — padrão que nenhuma das plataformas investigadas adota. Para quem já realizou algum depósito, a ZenoX recomenda não enviar mais dinheiro sob nenhuma justificativa — novas cobranças apresentadas como taxa de saque, verificação ou depósito mínimo devem ser tratadas como continuidade do golpe. A empresa orienta preservar evidências como comprovantes de Pix, capturas de tela de conversas, imagens das páginas e links utilizados na abordagem, além de registrar boletim de ocorrência e denunciar os perfis diretamente às redes sociais. A investigação alerta ainda que a rede pode sobreviver à derrubada de domínios específicos simplesmente trocando endereços e contas, e recomenda atenção a novos sites que repitam o padrão de nomes e a oferta de pequenos depósitos em troca de retornos elevados.
| Plataforma | Contas identificadas | Transações de depósito | Saldo acumulado | Status das transações |
|---|---|---|---|---|
| NEWWBET7K | 3.600+ | não informado | não informado | não informado |
| Base analisada (sem ID específica) | 415 | 231 | R$ 107.519 | 157 com status pendente (68%) |
| Faixa de depósitos (geral) | não informado | 92% entre R$ 20-30 | não informado | não informado |
O que muda para o apostador
- Apostadores enganados por falsas bets perdem depósitos pequenos (R$ 20-30) e ficarão impossibilitados de sacar, sem caminho legal de recuperação enquanto aguardam investigação e possível ação de órgãos competentes.
- O esquema explora o vácuo deixado pela proibição federal de setembro de 2026, operando em domínios sem o .bet.br e sem fiscalização, com dados de 3.600+ vítimas expostos em bases desprotegidas e passíveis de reutilização em novos golpes.
Entenda os termos
- SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas)
- Órgão federal responsável pela autorização e regulação de operadoras de apostas no Brasil; antes da proibição de setembro de 2026, apenas empresas por ela licenciadas podiam operar legalmente.
- Domínio .bet.br
- Extensão de internet padrão obrigatório para plataformas de apostas autorizadas pelo governo federal; sua ausência é indicador de operação ilegal.
- Elevação de privilégios
- Falha de segurança que permite a um usuário comum acessar dados ou funções normalmente restritas a administradores do sistema.
A apuração deste fato é de BNLData. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



