Emissoras de TV se articulam contra possível MP que proibiria o igaming no Brasil
Globo, SBT e Band, que têm vínculos financeiros com operadoras de apostas, mobilizam aliados no Congresso contra a medida provisória estudada pelo governo federal.
Imagem ilustrativa gerada por IA
As principais redes de televisão do Brasil estão se movimentando para barrar uma possível medida provisória do governo federal que proibiria a exploração do igaming no país. Segundo a Coluna Canal D, do jornal O Dia, as emissoras estão acionando seus contatos em Brasília — entre eles, proprietários de emissoras afiliadas com mandatos no Congresso Nacional — para pressionar contra a publicação do ato.
O interesse das TVs não é apenas editorial: há vínculos financeiros diretos com o setor. Além de receberem patrocínio de operadoras de apostas de quota fixa, algumas emissoras são sócias de plataformas do segmento. A Globo tem participação na BetMGM, o SBT integra o negócio da Bet do Milhão e a Band opera a BandBet. Na avaliação das redes, uma eventual proibição representaria perdas financeiras significativas e, na prática, não resolveria os problemas de saúde associados ao jogo — apenas empurraria os apostadores para o mercado clandestino. Um executivo do setor televisivo resumiu o argumento à Coluna Canal D: proibir as plataformas legais seria "a mesma coisa de querer proibir facas por conta de uma minoria que usa facas para esfaquear pessoas".
O governo federal ainda não definiu o escopo exato da eventual MP. Uma das hipóteses é que a proibição se concentre em modalidades específicas de cassino online — como os slots, categoria que inclui o Fortune Tiger, o popular "Tigrinho" —, mantendo as apostas esportivas liberadas. A medida revogaria artigos da Lei 14.790/2023, conhecida como Lei das Apostas, que atualmente autoriza a operação de cassinos online no país. O problema para o setor é que os slots e demais jogos de cassino respondem pela maior parte da receita das operadoras, e sua proibição poderia tornar o modelo de negócio inviável para a maioria das plataformas.
A movimentação das emissoras ocorre em um momento sensível para o mercado regulado de apostas no Brasil. O processo de licenciamento, conduzido pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, foi concluído no início de 2025, e as operadoras autorizadas passaram a operar sob regras rígidas de compliance, proteção ao consumidor e recolhimento de tributos. Alterar esse marco regulatório por meio de uma MP — instrumento com força de lei imediata — geraria insegurança jurídica justamente quando o setor começava a funcionar dentro de um ambiente formal. O movimento das TVs não é isolado: clubes de futebol também já assinaram manifesto público em defesa da manutenção do mercado regulamentado de apostas.
O que está em jogo
- Emissoras de TV mobilizam atores políticos em Brasília para bloquear a MP que proibiria igaming, visando proteger receitas publicitárias e participações acionárias em operadoras — uma articulação política fora dos canais formais de consulta pública.
- Proibição de slots e cassinos online inviabilizaria maioria das plataformas, já que esses jogos representam a maior parte da receita setorial, enquanto mantém apostas esportivas — criando desequilíbrio que fortaleceria mercado clandestino.
Entenda os termos
- Medida Provisória (MP)
- Ato do Poder Executivo que cria lei com validade imediata enquanto aguarda aprovação do Congresso, mas com prazo máximo de 120 dias para valer.
- Igaming
- Modalidade de jogos online, incluindo cassinos virtuais, slots e jogos de azar eletrônicos, distintos das apostas esportivas.
- Lei 14.790/2023
- Lei das Apostas, que regulamentou o mercado de apostas de quota fixa no Brasil, incluindo apostas esportivas e jogos de cassino online.
- Apostas de quota fixa
- Apostas em que o valor a receber é definido no momento da aposta, independentemente de variações posteriores; modalidade explorada por operadoras reguladas no Brasil.
A apuração inicial deste fato é de Focus Gaming News Brasil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



