📅 Atualizado 3× ao dia · Mercado regulado pela SPA/MF
Leaderboard 728×90
Mercado & Negócios

Copa 2026: bets veicularam 1.138 anúncios nas redes da Meta sem transparência de dados

Levantamento da BBC News Brasil aponta que as dez maiores casas de apostas do país dispararam mais de mil anúncios no Facebook e Instagram durante o torneio, mas a plataforma não revela gastos nem perfil do público atingido.

Copa 2026: bets veicularam 1.138 anúncios nas redes da Meta sem transparência de dados

Imagem ilustrativa gerada por IA

As dez maiores casas de apostas do Brasil em volume de apostas veicularam ao menos 1.138 anúncios ativos nas plataformas da Meta — Facebook, Instagram, Threads e Audience Network — entre janeiro de 2025 e 6 de julho de 2026, um dia após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo. Os dados são de um levantamento da BBC News Brasil com base na Biblioteca de Anúncios da Meta. O problema central identificado pela apuração é a ausência de informações sobre quanto as empresas gastaram nessas campanhas e sobre o perfil demográfico do público impactado, o que impede qualquer verificação independente quanto ao cumprimento da legislação, que proíbe a exposição de menores de 18 anos a publicidade de apostas.

Picos de anúncios acompanham calendário da Copa

A concentração de disparos seguiu de perto o calendário do torneio. Em 8 de junho, três dias antes da abertura oficial, foram registrados 69 anúncios; o mesmo número se repetiu no dia 11, data de início da competição. Em 18 de junho, segunda rodada, o total subiu para 82. O maior volume em um único dia ocorreu em 3 de julho, com 176 anúncios disparados. Entre as empresas analisadas, a Betnacional liderou com 492 anúncios ativos em 2026, seguida pela Esportes da Sorte (170) e pela Superbet (108). As demais bets do levantamento — Betano, Bet365, Sportingbet, 7Games, EstrelaBet, VaideBet e Onabet — são todas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda.

Mercado bilionário e fiscalização em debate

O contexto em que essa publicidade ocorre é o de um setor em franca expansão. Segundo o Ministério da Fazenda, a receita bruta das bets legalizadas chegou a R$ 37 bilhões em 2025, ano em que o Brasil se tornou o quinto maior mercado global do segmento, de acordo com estimativas da consultoria Regulus Partners. Nos primeiros quatro meses de 2026, o faturamento das empresas autorizadas alcançou R$ 12,2 bilhões, conforme a própria SPA. A pasta estima ainda a existência de ao menos 25 milhões de apostadores cadastrados no país — pouco mais de 10% dos cerca de 210 milhões de habitantes. A opacidade nas campanhas digitais preocupa entidades como a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), que alertam para a dificuldade de monitorar a exposição de públicos vulneráveis, especialmente jovens e pessoas com propensão ao jogo compulsivo. O Ministério da Saúde classificou o cenário como "um desafio crescente de saúde pública" e informou que, desde março, seu programa de teleatendimento para pessoas com problemas de jogo compulsivo acumulou 6.912 cadastros.

Respostas do setor e movimentos do governo

As entidades representativas do setor defenderam as práticas adotadas. A Associação Nacional do Jogo Legal (ANJL) comparou o aumento da publicidade durante a Copa ao comportamento de fabricantes de chocolates na Páscoa e de cervejas no Carnaval, afirmando tratar-se de "um comportamento natural, diante de um previsível aumento de interesse pelas apostas no contexto da Copa do Mundo". Já o Instituto Brasileiro do Jogo Responsável (IBJR) declarou que "recomenda aos associados que cumpram a legislação vigente", mas disse não poder responder pelos anúncios de seus membros. A Meta informou apenas que exige comprovação de licenciamento dos anunciantes de jogos de azar, sem esclarecer a ausência de dados financeiros e demográficos nas campanhas das bets. No campo regulatório, a SPA abriu processo administrativo contra empresas que veicularam anúncios na CazéTV com dicas de apostas e probabilidades de retorno — práticas vedadas pelo Conar —, com multas que podem chegar a R$ 2 bilhões. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, sinalizou ainda, no final de junho, que o governo estuda tornar obrigatória a inclusão de alertas de risco na publicidade das bets, nos moldes do que já se aplica ao tabaco e às bebidas alcoólicas.

Fonte original
Com informações de BNLData →

Esta notícia foi reescrita pela redação do BetNotícias com base em apuração de terceiros. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

18+ Conteúdo informativo. Apostas são destinadas a maiores de 18 anos e envolvem risco financeiro. Jogue com responsabilidade. O BetNotícias não opera apostas nem faz indicação de casas.