COO da BetMGM defende regulação como vantagem competitiva e alerta para R$ 10,8 bi perdidos ao jogo ilegal
Daniel Xavier argumenta que um marco regulatório robusto é ativo estratégico para operadoras sérias e que entre 41% e 51% das apostas no Brasil ainda ocorrem fora da legalidade.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Para Daniel Xavier, COO da BetMGM, a regulamentação do mercado de apostas no Brasil não deve ser encarada como um obstáculo operacional, mas sim como um diferencial competitivo concreto. Em artigo divulgado na GamesBras, o executivo defende que "um ambiente regulado oferece previsibilidade, segurança jurídica e confiança para consumidores, investidores e parceiros". Na avaliação dele, empresas que operam com altos padrões de compliance saem na frente justamente porque a regulação filtra naturalmente os operadores menos comprometidos com integridade e responsabilidade.
Um dos pontos centrais do texto é o peso econômico do mercado ilegal. Xavier cita levantamento do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), realizado em parceria com o Instituto Locomotiva, segundo o qual entre 41% e 51% das apostas no país ainda acontecem fora da legalidade. O impacto fiscal estimado é expressivo: entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2,7 bilhões deixaram de ser arrecadados em apenas três meses — valor que pode atingir até R$ 10,8 bilhões ao longo de um ano. Para o executivo, esse cenário torna urgente a construção de uma narrativa clara sobre as vantagens da conformidade regulatória.
O executivo também contextualiza o momento pelo qual o setor atravessa no Brasil. Desde que as apostas de quota fixa foram incorporadas à legislação, em meados de 2018, o país emergiu como um dos maiores mercados de apostas do mundo. Com o marco regulatório entrando em vigor em 2025 — sob responsabilidade da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda —, o setor passou a exigir que as operadoras mantenham sede e operações em território nacional, medida que, segundo Xavier, gera empregos, amplia a arrecadação e estimula práticas responsáveis de jogo. Entre as exigências previstas pela regulação estão auditorias independentes, sistemas antifraude, rastreabilidade de apostas e políticas de prevenção à lavagem de dinheiro.
Ao longo do texto, Xavier reforça que o Brasil tem condições concretas de se tornar referência global no segmento, desde que o avanço regulatório seja acompanhado de combate efetivo ao mercado ilegal e de proteção ao consumidor. O executivo ressalta ainda que as apostas devem ser comunicadas à sociedade como forma de entretenimento, e não como investimento — perspectiva alinhada às diretrizes de jogo responsável que integram o arcabouço regulatório brasileiro. Para ele, segurança não é apenas requisito técnico: é o alicerce de um mercado sustentável.
O que isso diz sobre o mercado
- O texto reforça a narrativa de que regulação é ferramenta de vantagem competitiva para operadoras sérias e que o governo deixa de arrecadar entre R$ 1,8 bi e R$ 2,7 bi a cada trimestre com apostas ilegais — totalizando até R$ 10,8 bi anuais — reforçando a urgência de um combate efetivo ao mercado paralelo.
- Para operadoras licenciadas, a regulação estabelece barreiras de entrada (compliance, auditorias, estrutura no país) que filtram competitors menos preparados e criam ambiente de concorrência mais previsível e seguro.
- A argumentação ressalta que a regulação em 2025 define o Brasil como potencial referência global, mas depende de narrativa clara junto à sociedade sobre benefícios reais — arrecadação, empregos, segurança — e delimitação das apostas como entretenimento, não investimento.
Entenda os termos
- Compliance
- Conjunto de obrigações de conformidade legal e regulatória que uma operadora deve cumprir, incluindo auditorias, sistemas antifraude e rastreabilidade de operações.
- Jogo ilegal (mercado paralelo)
- Apostas realizadas fora do ambiente regulado, sem licença governamental, que não geram arrecadação fiscal nem proteção ao consumidor.
- Marcos regulatórios
- Conjunto de leis, decretos e normas que estabelecem regras, exigências e padrões para operação de operadoras de apostas no país.
- Apostas de quota fixa
- Modalidade de aposta em que o pagamento ao vencedor é determinado no momento da colocação, com odd (cota) previamente definida.
A apuração inicial deste fato é de GamesBras. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



