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Regulação

MP da Bahia processa três fintechs por ligação com bets ilegais e pede bloqueio de R$ 5 mi

O Ministério Público baiano ajuizou ação civil pública contra Nuoro Pay, Select Credit e Cartos por suposta intermediação de pagamentos para plataformas de apostas não autorizadas.

MP da Bahia processa três fintechs por ligação com bets ilegais e pede bloqueio de R$ 5 mi

Imagem ilustrativa gerada por IA

O Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) ingressou com uma ação civil pública contra três instituições financeiras — Nuoro Pay Instituição de Pagamento Ltda., Select Credit Sociedade de Crédito ao Microempreendedor e à Empresa de Pequeno Porte Ltda. e Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A. — acusadas de participar da cadeia de pagamentos que abastecia plataformas ilegais de apostas de quota fixa. A ação, assinada pela promotora de Justiça Joseane Suzart, pede o bloqueio de bens, direitos e ativos financeiros das companhias e de seus sócios até o limite conjunto de R$ 5 milhões.

Conforme a denúncia, a Nuoro Pay e a Select Credit teriam processado transações para casas de apostas sem autorização, sem realizar as devidas diligências sobre os destinatários dos recursos e sem monitorar adequadamente movimentações atípicas. A Cartos, por sua vez, teria fornecido tecnologia e infraestrutura que viabilizaram as operações executadas pela Nuoro Pay. A investigação teve origem na representação de um consumidor que relatou ter perdido mais de R$ 100 mil em um suposto golpe envolvendo plataformas de apostas e intermediadoras de pagamento. O caso foi comunicado ao Ministério da Fazenda, ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), ao Banco Central, à Receita Federal e à Polícia Federal.

Durante a apuração, o MPBA consultou plataformas de reclamações de consumidores e encontrou, em julho de 2025, 1.536 registros associados à Nuoro Pay, incluindo pedidos de estorno e relatos de golpes e fraudes relacionados a jogos e apostas. O inquérito identificou também indícios considerados incompatíveis com operações financeiras regulares: empresas recém-constituídas, endereços repetidos entre diferentes CNPJs, documentos com sinais de edição e alterações sucessivas na composição societária. Segundo a investigação, as plataformas ilegais não recebiam os valores diretamente dos apostadores — o dinheiro transitava por fintechs e intermediadoras, dificultando o rastreamento dos destinatários finais.

No mérito, além do bloqueio patrimonial, o MPBA pede a desconsideração da personalidade jurídica das três empresas, a inclusão dos respectivos sócios no processo e o encerramento definitivo das atividades das companhias. O órgão também requer que as empresas sejam compelidas a adotar mecanismos de controle de transações, entre eles a consulta às listas de operadores autorizados e não autorizados mantidas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda.

A ação do MPBA se insere em um movimento mais amplo de combate ao mercado ilegal de apostas no Brasil. Desde que a regulamentação do setor foi estruturada pela SPA, com licenças concedidas a operadores que atendem a requisitos técnicos, financeiros e de conformidade, as autoridades têm intensificado a fiscalização sobre toda a cadeia que sustenta bets clandestinas — incluindo as instituições de pagamento que processam os recursos dos apostadores. A SPA já notificou dezenas de fintechs suspeitas de envolvimento com operadores não licenciados, sinalizando que a responsabilização alcança não apenas as plataformas de apostas, mas também os elos financeiros que as viabilizam.

Análise BetNotícias

O que isso muda na regulação

  • O Ministério Público da Bahia acionou judicialmente três fintechs acusadas de intermediar pagamentos para plataformas ilegais de apostas, buscando bloquear até R$ 5 milhões em bens e encerrá-las definitivamente.
  • A ação evidencia uma estratégia de cumprimento de lacunas: apostadores enviam dinheiro para fintechs reguladas que o repassam para casas de apostas clandestinas, dificultando rastreabilidade.
  • Operadoras reguladas que não implementem controles robustos (consultas a listas de operadores autorizados, monitoramento de transações atípicas) correm risco similar de processamento criminal por omissão.

Entenda os termos

Fintechs
Empresas de tecnologia financeira que oferecem serviços como processamento de pagamentos, crédito e intermediação financeira, geralmente com baixa presença de agências físicas e alta presença digital.
Instituição de Pagamento
Empresa autorizada pelo Banco Central a processar e intermediar transações financeiras entre pagadores e recebedores, funcionando como intermediária de recursos.
Desconsideração da Personalidade Jurídica
Instrumento legal que permite responsabilizar pessoalmente os sócios pelas obrigações da empresa quando há abuso do direito de constituir pessoa jurídica ou fraude.
Coaf
Conselho de Controle de Atividades Financeiras, órgão que supervisiona transações financeiras suspeitas de lavagem de dinheiro ou ilícitos no Brasil.
Fonte original
Com informações de Focus Gaming News Brasil →

A apuração inicial deste fato é de Focus Gaming News Brasil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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