Como os clubes da Série A reagiram à suspensão dos patrocínios de bets
Com 14 dos 20 times do Brasileirão afetados, equipes recorreram a camisas vazias, campanhas institucionais e acordos emergenciais para suprir a ausência das operadoras.
Foto: Juliano Ferreira / Pexels
A proibição das apostas de quota fixa no Brasil, imposta pela Medida Provisória nº 1.394 em 25 de setembro de 2026, gerou um efeito imediato no futebol nacional: 14 das 20 equipes que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro precisaram encontrar soluções de emergência para cobrir o vazio deixado pelas casas de apostas, que até então ocupavam os espaços mais valiosos de suas camisas.
As respostas foram variadas. Clubes como Atlético-MG, Bahia, Chapecoense, Coritiba, Cruzeiro, Grêmio, Palmeiras, Remo e Vitória optaram pela cautela e entraram em campo com o espaço máster completamente em branco. A estratégia reflete uma postura de espera deliberada: dirigentes preferem aguardar o desfecho das disputas jurídicas em Brasília antes de firmar contratos emergenciais que possam render valores muito abaixo do padrão praticado pelo setor. O Palmeiras exemplifica essa postura: a presidente Leila Pereira descartou a busca por um patrocinador provisório e mantém em aberto a relação com a Sportingbet — caso a restrição legal se consolide, o clube estuda uma rescisão amigável e pretende encerrar a temporada com o uniforme sem marca. Ao mesmo tempo, equipes que não tinham vínculos com operadoras de apostas, como Mirassol e Red Bull Bragantino, seguiram normalmente exibindo os logotipos do Guaraná Poty e da Red Bull.
Outra parcela dos clubes aproveitou a visibilidade das partidas para fins institucionais. Athletico-PR, Botafogo e Vasco usaram o espaço para impulsionar seus programas de sócio-torcedor. Flamengo estampou a frase "Proibir não é Proteger" nas camisas, sinalizando sua intenção de contestar a validade da MP no Supremo Tribunal Federal (STF). O Santos, por sua vez, cedeu o espaço ao Instituto Leão do Mar, entidade voltada a projetos de impacto social e ambiental. São Paulo e Fluminense encontraram uma solução dentro do próprio ecossistema de suas antigas patrocinadoras: trocaram a exposição da Superbet pelo aplicativo de estatísticas Superscore.
Corinthians e Internacional foram os que mais avançaram em acordos comerciais concretos com terceiros, ambos fechando com a Shopee, embora com formatos distintos. O Corinthians assinou contrato até o final do Campeonato Brasileiro, com ações nos canais digitais e a presença da Jota.ai em uma propriedade secundária do uniforme. Já o Internacional limitou a parceria a ativações pontuais ao longo de agosto e em clássicos de outubro. O cenário ilustra como o mercado de patrocínio do futebol brasileiro tenta se reorganizar diante de uma ruptura sem precedentes, enquanto o futuro das apostas esportivas no país ainda depende do Congresso Nacional, que precisa apreciar a MP dentro do prazo constitucional de 60 dias, prorrogáveis por mais 60.
| Clube | Ação adotada | Tipo de solução |
|---|---|---|
| Atlético-MG | Espaço máster vazio | Aguardar |
| Bahia | Espaço máster vazio | Aguardar |
| Chapecoense | Espaço máster vazio | Aguardar |
| Coritiba | Espaço máster vazio | Aguardar |
| Cruzeiro | Espaço máster vazio | Aguardar |
| Grêmio | Espaço máster vazio | Aguardar |
| Palmeiras | Espaço máster vazio | Aguardar |
| Remo | Espaço máster vazio | Aguardar |
| Vitória | Espaço máster vazio | Aguardar |
| Mirassol | Mantém patrocínio pré-existente (Guaraná Poty) | Sem mudança |
| Red Bull Bragantino | Mantém patrocínio pré-existente (Red Bull) | Sem mudança |
| Athletico-PR | Programa sócio-torcedor | Ativação própria |
| Botafogo | Programa sócio-torcedor | Ativação própria |
| Vasco | Programa sócio-torcedor | Ativação própria |
| Flamengo | Mensagem 'Proibir não é Proteger' (contestação STF) | Institucional/Jurídico |
| Santos | Instituto Leão do Mar (social/ambiental) | Institucional |
| São Paulo | Superscore (app de estatísticas, grupo Superbet) | Marca alternativa |
| Fluminense | Superscore (app de estatísticas, grupo Superbet) | Marca alternativa |
| Corinthians | Shopee (até final do campeonato + canais digitais) | Patrocínio curto prazo |
| Internacional | Shopee (ativações pontuais, agosto e outubro) | Patrocínio curto prazo |
O que muda para as operadoras
- Catorze clubes da Série A perderam receita significativa de patrocínio após a suspensão das bets, forçando estratégias de curto prazo: alguns deixaram o uniforme sem marca enquanto avaliam desdobramentos legais, enquanto outros ativaram programas próprios ou fecharam acordos alternativos com empresas não afetadas pela proibição.
- As soluções variam conforme a urgência financeira e a expectativa sobre o futuro da restrição: times como Palmeiras preferem manter o espaço livre até definição judicial, enquanto Corinthians e Internacional buscaram patrocínios emergenciais com marcas de outros setores.
Entenda os termos
- Espaço máster
- Área principal do peito da camisa de futebol, normalmente reservada ao patrocínio de maior visibilidade e maior valor comercial.
- Medida Provisória nº 1.394
- Ato normativo do Executivo que suspendeu as apostas de quota fixa no Brasil (apostas esportivas e cassino online) a partir de 25 de setembro de 2026, afetando os patrocínios das operadoras às equipes.
- Rescisão amigável
- Encerramento de contrato por acordo mútuo entre as partes, sem necessidade de disputa judicial.
A apuração deste fato é de iGaming Brazil. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



