Como as bets regulamentadas monitoram apostadores para prevenir o jogo compulsivo
Ferramentas de análise comportamental, limites de depósito e programas psicoeducativos fazem parte do arsenal que as plataformas licenciadas usam para proteger usuários em risco.
Imagem ilustrativa gerada por IA
No mercado de apostas esportivas regulamentado no Brasil — cujas normas estão em vigor há menos de dois anos, com base na Lei 14.790 —, as plataformas licenciadas têm sido obrigadas a adotar medidas concretas de proteção ao apostador. Entre as exigências do marco regulatório estão o monitoramento do comportamento dos usuários, a oferta de ferramentas de autorregulação e a criação de canais de suporte para quem demonstra sinais de jogo problemático. A data do Dia do Cliente, celebrada em 15 de setembro, serviu de pano de fundo para que executivos do setor detalhassem como essas iniciativas funcionam na prática.
Ferramentas de controle e monitoramento
As bets regulamentadas utilizam sistemas tecnológicos para rastrear padrões de apostas em tempo real e detectar comportamentos que possam indicar compulsão. Quando um sinal de alerta é identificado, as plataformas podem emitir orientações ao jogador, impor restrições de acesso ou, em casos mais graves, suspender a conta. Além disso, os próprios usuários têm à disposição recursos de autorregulação, como a definição de limites de depósito, de tempo de jogo e de perdas, além da possibilidade de solicitar a autoexclusão da plataforma. "A identificação de padrões de comportamento de risco não pode ser deixada para depois e é parte essencial de um mercado saudável", afirmou João Fraga, CEO da Paag, empresa de tecnologia especializada em gestão de risco para o segmento. Segundo ele, "um mercado sustentável só é possível quando todos os envolvidos se comprometem com a integridade da operação".
O programa COMPULSAFE e o papel da EBAC
Um dos exemplos citados por executivos do setor é o programa COMPULSAFE, desenvolvido pela Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (EBAC). A iniciativa combina análise comportamental com suporte psicológico: após um período de diagnóstico conduzido por profissionais da EBAC em parceria com as bets, é elaborado um plano de ação individualizado para cada apostador identificado em situação de risco. O processo inclui acolhimento psicológico, triagem e encaminhamento para um programa psicoeducativo gratuito de até oito semanas, que aborda temas como a natureza da compulsão, seus impactos na vida do indivíduo e caminhos para superá-la. "Nosso programa possui sistemas de detecção que identificam comportamentos que podem indicar um potencial transtorno do jogo e geram sinais de alerta. Essas informações são encaminhadas ao operador, que oferece o acolhimento especializado da EBAC ao apostador", explicou Ricardo Magri, CEO da EBAC. Entre as empresas já parceiras do programa estão o Grupo CDA Gaming (Casa de Apostas e Betsul), o Grupo NSX (Betnacional e Mr. Jack.bet), o Grupo Esportes da Sorte (Esportes da Sorte e Onabet), o Grupo Ana Gaming (7K, Cassino e Vera) e a HiperBet.
Como as operadoras aplicam as diretrizes
Na Ana Gaming Brasil, controladora da 7K Bet, a diretora jurídica e de integridade Tagiane Gomide Guimarães destacou o "monitoramento constante de comportamento de jogo, através da análise de perfis e padrões de apostas para identificar jogadores em grupos de risco ou com comportamento potencialmente compulsivo e apresentar opções de tratamento". Já Hans Schleier, COO da Casa de Apostas, reforçou a mensagem central que a empresa busca transmitir ao público: "Apostar é apenas diversão, não é investimento. Trabalhamos ativamente para manter essa perspectiva". Na LBBR, o programa de jogo responsável é estruturado em três frentes — prevenção, identificação e suporte —, com acesso a ferramentas de controle desde o momento do cadastro. "Com esse avanço das apostas online, torna-se ainda mais urgente promover uma cultura de educação, consciência e apoio ao jogador", avaliou Daniel Fortune, influenciador especializado em bets que firmou parceria com a EBAC para ampliar a divulgação de conteúdo sobre prevenção à ludopatia.
O que muda para o apostador
- O apostador agora está submetido a monitoramento automático de seus padrões de comportamento nas plataformas regulamentadas, que podem resultar em alertas, restrições de depósito ou até suspensão de conta quando detectados sinais de compulsão.
- As bets estão obrigadas pela Lei 14.790 a implementar ferramentas de detecção de risco e oferecer suporte psicológico (como o programa COMPULSAFE), transformando o jogo responsável de recomendação em obrigação operacional com consequências imediatas para o usuário.
Entenda os termos
- Jogo responsável
- Conjunto de práticas e ferramentas obrigatórias que as plataformas de apostas devem implementar para proteger apostadores contra riscos de compulsão, incluindo limites de depósito, autoexclusão e monitoramento de comportamento.
- Autoexclusão
- Mecanismo que permite ao apostador solicitar o bloqueio temporário ou permanente de sua própria conta na plataforma, impedindo acesso e movimentações.
- Transtorno do jogo (ludopatia)
- Comportamento compulsivo e descontrolado de apostar caracterizado por perda de controle, preocupação constante e continuação apesar de consequências negativas.
- Monitoramento comportamental em tempo real
- Análise contínua de padrões de apostas e ações do usuário na plataforma para detectar sinais de comportamento de risco ou compulsivo e gerar alertas automáticos.
A apuração inicial deste fato é de Yogonet Brasil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



