Cinco alternativas ao banimento das bets que o Congresso pode adotar
Advogados do TozziniFreire defendem que o Legislativo substitua a proibição total por medidas de aprimoramento regulatório, com foco em conscientização, combate ao jogo ilegal e transparência.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Diante da Medida Provisória nº 1.394, que proibiu as apostas de quota fixa no Brasil em setembro de 2026, o Congresso Nacional tem até 120 dias para deliberar sobre o texto: pode aprová-lo integralmente, rejeitá-lo, deixá-lo caducar ou alterá-lo dentro da pertinência temática. É nessa última possibilidade que os advogados Jun Makuta, Adriana Ferreira e Caio Loureiro, do escritório TozziniFreire Advogados, concentram sua análise, defendendo que a proibição total é a pior saída disponível e que há caminhos mais eficazes para proteger o apostador.
Conscientização e combate ao mercado ilegal
O primeiro ponto levantado pelos autores é a ausência de campanhas efetivas de conscientização sobre o mercado regulado. Segundo eles, a maioria da população desconhece instrumentos básicos como o cadastro de autoexclusão, o domínio ".bet.br" e as ferramentas de biometria para impedir o acesso de menores. A proposta é que o Congresso obrigue as operadoras a destinar um percentual mínimo de suas verbas de marketing para campanhas de jogo responsável. O segundo ponto trata do combate ao mercado ilegal: os autores defendem que a criminalização prevista no projeto de lei separado seja mantida, mas restrita a quem opera fora da regulação — preservando o mercado regulado. Isso incluiria punir também quem anuncia, financia ou processa pagamentos para operadores ilegais, atacando os pilares promocional e financeiro do jogo clandestino. Além disso, propõem uniformizar as regras de controle com as regulamentações estaduais, sem retirar a competência dos Estados — já reconhecida pelo STF —, mas exigindo que adotem o mesmo rigor federal no combate ao jogo ilegal.
SPA mais forte, dados abertos e melhor destinação do GGR
O terceiro ponto é o fortalecimento institucional da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda. Os advogados reconhecem que o órgão "fez muito com pouco", mas apontam fragilidades estruturais: quadro reduzido de pessoal, alta rotatividade e ausência de plano de carreira. A sugestão é que o Congresso estabeleça um quadro funcional formal, com critérios técnicos mínimos para a nomeação dos cargos de direção, além de transparência sobre a arrecadação e o uso das verbas fiscalizatórias cobradas das operadoras. O quarto ponto é a transparência ativa nos dados do setor. Durante os quase dois anos de vigência da regulamentação implantada em 2025, informações sobre arrecadação total, GGR, payout e destinação dos recursos raramente eram divulgadas de forma proativa, o que alimentou estudos e narrativas equivocadas sobre o mercado. Os autores propõem tornar obrigatória a publicação periódica desses indicadores pela SPA.
O quinto e último ponto diz respeito à destinação dos recursos descontados do GGR. A proposta é priorizar a parcela destinada à saúde em relação ao turismo — que hoje recebe uma fatia proporcionalmente maior — e direcionar esses valores especificamente para programas de prevenção e tratamento da ludopatia dentro do SUS. Os autores também defendem mecanismos mais claros de repasse, argumentando que a sociedade raramente tem visibilidade sobre o retorno que o mercado regulado gera em áreas como saúde, segurança pública e esporte. Na avaliação do trio de advogados, nenhuma das cinco medidas exige o banimento das apostas esportivas e dos jogos online, e os ônus adicionais impostos a governo e operadores seriam amplamente compensados pelos benefícios gerados — tanto para o apostador quanto para o conjunto da sociedade.
O que está em jogo
- O material apresenta um mapa de decisão para o Congresso: em vez de ratificar a proibição total das apostas, pode alterar a MP para fortalecer proteção ao apostador e combate ao ilegal sem eliminar o setor regulado. As cinco alternativas (conscientização, combate ao ilegal, fortalecimento da SPA, transparência de dados e realocação de recursos do GGR para saúde) visam endereçar críticas legítimas sem os efeitos negativos de um banimento.
- O cenário é de disputa sobre qual das duas vias — proibição ou regulação reforçada — o Congresso escolherá nos próximos 120 dias; o texto argumenta que a segunda reduz migração para o ilegal, preserva empregos e investimentos, e sinaliza segurança jurídica ao mercado internacional.
Entenda os termos
- GGR
- Gross Gaming Revenue (receita bruta de jogos); é o valor total apostado menos os prêmios pagos aos vencedores, sobre o qual incidem descontos para saúde, segurança pública, turismo e outros.
- SPA
- Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda; órgão federal responsável por regular e fiscalizar o mercado de apostas de quota fixa no Brasil.
- Autoexclusão
- Instrumento de proteção ao apostador que permite seu bloqueio voluntário do acesso a sites de apostas por período determinado.
- Domínio .bet.br
- Identificador online que marca site de apostas autorizado pela regulação federal brasileira, diferenciando operadoras legais de ilegais.
A apuração deste fato é de BNLData. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



