📅 Atualizado 3× ao dia · Mercado regulado pela SPA/MF
Leaderboard 728×90
Regulação

Câmara recebe pedido de urgência para Marco Legal contra apostas ilegais

Deputada Laura Carneiro e outros dois parlamentares protocolaram requerimento para acelerar votação de projeto que cria crimes e obrigações financeiras contra o mercado ilegal de bets.

Câmara recebe pedido de urgência para Marco Legal contra apostas ilegais

Imagem ilustrativa gerada por IA

A deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ), ao lado dos parlamentares Mário Heringer (PDT-MG) e Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL), protocolou no dia 2 de junho um requerimento de urgência para o projeto de lei que institui o Marco Legal de Combate ao Mercado Ilegal de Jogos e Apostas. Se aprovado na Câmara, o pedido dará tramitação acelerada à proposta, que já recebeu o aval da Comissão de Finanças e Tributação (CFT) — onde Carneiro atuou como relatora — e da Comissão de Comunicação.

O texto estabelece uma série de obrigações para instituições financeiras e de pagamento: adotar protocolos de identificação de transações vinculadas a operadores ilegais, publicar relatórios mensais com dados sobre bloqueios e controles internos, e consultar bases de operadores irregulares mantidas pelo Ministério da Fazenda. O descumprimento pode gerar multas de até R$ 20 milhões, suspensão de serviços e, nos casos mais graves ou reincidentes, restrições ao uso de Pix e TED. O projeto também determina que o Banco Central regulamente mecanismos específicos contra o uso indevido do Pix por bets clandestinas, incluindo modalidade exclusiva de transação para apostas, filtros automáticos de CNAE e chaves Pix, integração com diretórios de risco e marcações visuais em extratos bancários.

Na esfera penal, a proposta cria quatro novos crimes: explorar ou facilitar apostas sem autorização (pena de 2 a 6 anos); intermediar pagamentos a operadores ilegais (2 a 6 anos, com agravante para anonimato ou envio ao exterior); divulgar propaganda irregular (1 a 4 anos, com aumento de pena quando o público-alvo for infantil ou quando houver participação de influenciadores); e obstruir ações de bloqueio (2 a 5 anos). O texto também altera a Lei das Apostas (Lei 14.790/2023), exigindo que operadoras licenciadas utilizem geolocalização para bloquear acessos vindos do exterior ou via VPN, além de ampliar as condutas proibidas para incluir publicidade, infraestrutura e suporte tecnológico a sites ilegais. A Anatel ganhará atribuições específicas, como a manutenção de um canal permanente para ordens de bloqueio e a adoção de medidas técnicas de bloqueio por DNS, IP e SNI, com identificação de sites espelhos.

O projeto foi originalmente proposto pelos deputados Paulo Litro (União-PR), Raimundo Santos (PSD-PA) e Merlong Solano (PT-PI) e sofreu modificações ao longo de sua tramitação. Na CFT, Carneiro incorporou ao texto o PL 6.066/2025 — que trata da tipificação da manipulação fraudulenta de eventos esportivos e lotéricos —, unindo as duas matérias em um substitutivo. "A proposição fortalece a articulação entre órgãos com competências complementares, reduz a fragmentação decisória e cria instrumentos que tendem a conferir maior tempestividade e efetividade à atuação estatal, sobretudo no que se refere ao bloqueio de canais ilegais, ao compartilhamento de informações e à prevenção do uso da infraestrutura financeira por operadores não autorizados", escreveu a deputada em seu parecer.

O avanço da proposta ocorre em um momento de consolidação do mercado regulado de apostas esportivas no Brasil. A regulamentação do setor, conduzida pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, estabeleceu as condições para o licenciamento de operadoras a partir de 2025, mas o combate às plataformas que operam à margem da lei permanece um dos principais desafios para as autoridades. O Marco Legal prevê ainda a cooperação entre Ministério da Fazenda, Banco Central, Anatel e Coaf, com a criação de uma base unificada de operadores irregulares, relatórios trimestrais e um canal oficial de denúncias com opção de envio anônimo.

Análise BetNotícias

O que vem a seguir

  • A aprovação do requerimento acelera a votação do projeto, reduzindo o tempo para que novas obrigações (bloqueios, relatórios, geolocalização) recaiam sobre operadoras licenciadas, instituições financeiras e provedores de internet.
  • O projeto cria multas de até R$ 20 milhões e criminaliza a exploração ilegal de apostas (2 a 6 anos de pena), além de restringir ferramentas de pagamento como Pix e TED para operadores não autorizados.
  • A aprovação torna obrigatória a cooperação entre Ministério da Fazenda, Banco Central, Anatel e Coaf em torno de uma base unificada de operadores irregulares, centralizando o combate ao mercado ilegal.

Entenda os termos

Requerimento de urgência
Pedido para acelerar a votação de um projeto de lei na Câmara dos Deputados, pulando etapas ordinárias de tramitação.
Marco Legal de Combate ao Mercado Ilegal de Jogas e Apostas
Projeto de lei que estabelece regras e punições para operadores de apostas sem autorização e para quem facilita sua operação.
Bloqueio por DNS, IP, SNI
Técnicas de bloqueio de acesso a websites: DNS bloqueia o endereço de nome do site, IP bloqueia seu endereço numérico, e SNI bloqueia pela identificação do servidor.
VPN
Rede privada virtual que permite ao usuário acessar a internet de outro país ou com identidade mascarada; frequentemente usada para contornar bloqueios geográficos.
Fonte original
Com informações de Yogonet Brasil →

A apuração inicial deste fato é de Yogonet Brasil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

18+ Conteúdo informativo. Apostas são destinadas a maiores de 18 anos e envolvem risco financeiro. Jogue com responsabilidade. O BetNotícias não opera apostas nem faz indicação de casas.