Alexandre Tomic, da Alea: sorteios crescem nos EUA e América Latina exige adaptação cultural
Fundador da plataforma Alea detalha o avanço dos jogos de sorteio no mercado americano e explica por que presença local é decisiva na América Latina.
Imagem ilustrativa gerada por IA
À margem da SBC Americas 2026, Alexandre Tomic, fundador da Alea, concedeu entrevista exclusiva à Focus Gaming News e traçou um panorama detalhado sobre os dois mercados que mais ocupam a agenda da empresa: os Estados Unidos e a América Latina. O executivo destacou o crescimento acelerado dos jogos de sorteio nos EUA e apontou a adaptação cultural como fator-chave para operar com sucesso na região latino-americana.
Sorteios impulsionam receita nos EUA
Tomic revelou números expressivos do segmento de sorteios no mercado americano. Segundo ele, a Alea registrou €30,7 milhões (cerca de R$ 178 milhões) em receita bruta de jogos (GGR) somente no primeiro trimestre de 2026, chegando a aproximadamente €13,4 milhões (R$ 77,7 milhões) mensais em abril. "Os EUA cresceram tão rapidamente que, para nós, tornaram-se tão importantes quanto o Brasil, que é o nosso maior mercado", afirmou o executivo. Atualmente, cerca de 50% de toda a atividade registrada na plataforma da Alea tem origem no segmento de sorteios e promoções. Tomic citou ainda o desempenho da Booming Games como sinal da força do setor: a empresa teria conquistado aproximadamente 10% do mercado em apenas dois meses, atingindo um patamar próximo ao da Evolution. "Estou convencido de que este segmento veio para ficar", disse.
Uma das razões que tornam os jogos de sorteio atrativos para operadores e fornecedores é a ausência da exigência de licença de jogo tradicional. Isso permite que empresas acessem mercados que, sob as regras convencionais de apostas com dinheiro real, estariam fechados para elas — uma vantagem competitiva relevante num cenário em que a regulamentação ainda avança de forma desigual pelo continente americano.
América Latina: ritmo de mudança e alinhamento cultural
Sobre a América Latina, Tomic foi direto ao apontar o principal obstáculo: a velocidade das transformações. "O maior desafio na América Latina é acompanhar o ritmo. As coisas mudam o tempo todo, então você precisa se adaptar", declarou. O executivo também questionou a ideia de que o idioma compartilhado seria suficiente para garantir sucesso na região — lembrando que o Brasil, seu maior mercado, fala português, e não espanhol. Para ele, o que realmente faz diferença é o alinhamento cultural, razão pela qual a Alea investe em equipes locais. "Acho que não dá para entender de verdade um mercado como o da América Latina estando de fora", ressaltou. Esse contexto é especialmente relevante no Brasil, onde a regulamentação federal das apostas esportivas e jogos online entrou em vigor em 2025, sob coordenação da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, criando um ambiente mais estruturado — mas também mais exigente — para operadores e fornecedores internacionais.
Ao avaliar o próprio evento, Tomic descreveu a SBC Americas 2026 como positiva, com um primeiro dia de grande movimento e um segundo mais calmo, algo que considerou dentro do padrão habitual desse tipo de conferência. As tendências que dominaram as conversas no encontro foram três: jogos de sorteio, jogos de habilidade no formato jogador contra jogador e inteligência artificial. "Acho que continuaremos ouvindo falar muito mais sobre essas três tendências nos próximos meses", concluiu o fundador da Alea.
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