TJD-RJ afasta três clubes da Série C do Carioca por suspeita de apostas irregulares
Ceres FC, Mageense FC e Itaboraí Profute FC foram suspensos preventivamente após relatórios da Sportradar apontarem movimentações atípicas em partidas da Taça Waldir Amaral.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro (TJD-RJ) determinou o afastamento cautelar de três clubes que disputam a Série C do Campeonato Carioca: Ceres FC, Mageense FC e Itaboraí Profute FC. A decisão foi assinada pelo presidente do tribunal, Dilson Neves Chagas, após solicitação da Procuradoria de Justiça Desportiva, e publicada pela Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ) nesta semana. O estopim para a abertura dos inquéritos foram relatórios elaborados pela Sportradar, empresa especializada em monitoramento de apostas e proteção à integridade esportiva, que identificaram movimentações classificadas como atípicas no mercado de apostas esportivas.
Os casos investigados têm como pano de fundo partidas da sexta rodada da Taça Waldir Amaral. O Mageense FC responde por irregularidades apontadas no jogo contra o Barra Mansa; o Ceres FC é investigado pelo confronto diante do Tigres do Brasil; e o Itaboraí Profute FC figura no inquérito referente à partida contra o CAAC Brasil. O TJD-RJ ressaltou que o afastamento preventivo não equivale a uma condenação e que clubes, atletas e dirigentes envolvidos terão direito ao contraditório e à ampla defesa durante toda a tramitação dos processos.
A fundamentação jurídica para as medidas cautelares está no Regulamento Específico da Competição e no Regulamento Geral das Competições da FERJ, que preveem expressamente o afastamento preventivo de clubes mencionados em relatórios de empresas independentes de integridade esportiva. Com base nessas normas, a Justiça Desportiva pode agir antes do encerramento das investigações para preservar a lisura da competição. A FERJ, por sua vez, confirmou que cumprirá todas as determinações do tribunal e adotará as medidas administrativas necessárias para manter a Série C em andamento durante o período dos inquéritos.
O episódio ilustra um movimento crescente no futebol brasileiro de combate à manipulação de resultados, impulsionado também pelo avanço da regulamentação do mercado de apostas esportivas no país. Desde que a chamada Lei das Bets (Lei nº 14.790/2023) entrou em vigor e a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda passou a licenciar operadores em 2025, a integridade esportiva tornou-se requisito formal para empresas que atuam no setor. Operadoras autorizadas são obrigadas a adotar mecanismos de monitoramento e a cooperar com entidades esportivas e autoridades em casos de suspeita de manipulação, o que torna relatórios como os da Sportradar peças cada vez mais relevantes em investigações desse tipo.
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