Brasil se consolida como destaque global do iGaming no SBC Summit Americas 2026
Executivos e investidores reunidos no evento elegeram o país como uma das maiores oportunidades do setor, mas alertaram que atuar no mercado regulado exige preparo técnico e conformidade rigorosa.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O Brasil ganhou protagonismo nas discussões do SBC Summit Americas 2026, evento que reuniu empresas, investidores e especialistas do mercado global de iGaming. A combinação entre o tamanho da base de usuários, a penetração de meios de pagamento digitais e o avanço do ambiente regulatório fez do país um dos temas centrais dos debates sobre expansão do setor. A economia brasileira esteve presente em múltiplos painéis dedicados ao crescimento sustentável da atividade.
Para Thiago Garrides, CEO da Cactus Gaming, o interesse internacional pelo mercado local é amplo e diversificado. "O país foi percebido como um dos territórios mais relevantes para a atividade em escala global. Existe um interesse crescente de plataformas, desenvolvedores, empresas especializadas em pagamentos, fornecedores de infraestrutura digital e investidores que enxergam aqui uma oportunidade única de desenvolvimento. Ao mesmo tempo, todos compreendem que atuar nesse cenário exige conhecimento profundo das particularidades operacionais, culturais e das exigências previstas pelas regras vigentes", declarou o executivo. Garrides ressaltou ainda que, ao lado do potencial de crescimento, as discussões também contemplaram os desafios de construir um ambiente seguro e equilibrado.
Governança e conformidade dominam a pauta do setor
Entre os temas que pautaram o encontro estiveram conformidade regulatória, integridade operacional, proteção ao consumidor, prevenção à lavagem de dinheiro, segurança financeira, automação e análise avançada de dados. Os debates evidenciaram uma mudança de prioridades: se antes o foco das empresas estava na aquisição de clientes e no crescimento de receitas, agora governança e transparência ocupam posição central. Gustavo Coelho, Diretor de Negócios da Cactus Gaming, interpretou esse movimento como sinal de maturidade do setor. "Estamos entrando em uma fase na qual os diferenciais competitivos deixam de estar concentrados apenas na capacidade de escalar operações. As organizações mais bem posicionadas serão aquelas que conseguirem entregar estabilidade, confiança, capacidade analítica e aderência às exigências de conformidade. O desenvolvimento sustentável da atividade dependerá cada vez mais desse equilíbrio", afirmou.
Soluções locais e inteligência artificial como diferenciais
Outro ponto recorrente foi a necessidade de adaptar soluções à realidade brasileira. Especialistas alertaram que modelos bem-sucedidos em outras jurisdições podem não responder plenamente às demandas do mercado local. As prioridades apontadas incluem integração ao PIX, processos de verificação de identidade (KYC), monitoramento de movimentações financeiras, prevenção a fraudes e ferramentas de jogo responsável — todas exigências previstas no marco regulatório em vigor, sob supervisão da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda. Nesse contexto, a inteligência artificial foi destacada como aliada estratégica: sistemas baseados em análise de grandes volumes de dados vêm sendo aplicados para identificar comportamentos atípicos, antecipar riscos e reforçar controles internos.
Ao traçar as perspectivas para os próximos anos, Garrides foi enfático sobre o perfil das empresas que deverão liderar esse ciclo. "O território brasileiro reúne características que o colocam entre as maiores oportunidades globais da atividade. No entanto, os protagonistas desse novo ciclo não serão necessariamente aqueles que avançarem mais rápido, mas sim os que conseguirem combinar inovação, excelência operacional, governança, capacidade tecnológica e compromisso efetivo com a construção de um ambiente equilibrado para todos os participantes", concluiu o CEO da Cactus Gaming.
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