Sinafut pede ao STF suspensão da MP que proíbe apostas ou prazo de seis meses
Sindicato que representa clubes e federações do futebol brasileiro quer ingressar no processo movido por entidades do setor de bets e alega impacto financeiro severo sobre as competições.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut) protocolou, na última terça-feira (29/9), um pedido para integrar o processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a Medida Provisória nº 1.394/2026. Editada pelo presidente Luiz Lula na sexta-feira anterior (25/9), a MP proibiu as apostas de quota fixa no Brasil — modalidade que inclui apostas esportivas e cassino online. O pedido foi dirigido ao ministro Luiz Fux, relator das ações que contestam a medida.
A entidade, que congrega clubes e federações do futebol brasileiro, pleiteia a suspensão imediata dos efeitos da MP até que o Congresso Nacional se pronuncie sobre ela ou até que o STF conclua o julgamento das ações. Caso esse pedido seja indeferido, o Sinafut pede subsidiariamente um período de transição de seis meses antes que a proibição entre em vigor de forma plena. A justificativa central é o calendário esportivo: o bloqueio dos sites de apostas está previsto para 5 de outubro de 2026, data que, segundo o sindicato, "recai sobre a reta final das competições nacionais e as decisões estaduais, quando a exposição de marca e a monetização contratual são máximas". A entidade acrescenta que "os orçamentos de 2027 e os campeonatos estaduais, que se iniciam em janeiro, estão sendo definidos agora" e que "uma transição que alcance o encerramento da temporada de 2026 é o mínimo compatível com o planejamento esportivo".
O processo ao qual o Sinafut quer se juntar foi originalmente movido pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), entidades representativas das casas de apostas, que pedem a Fux a suspensão imediata da MP. Com a adesão do sindicato, a frente que questiona oficialmente a medida passa a reunir bets, clubes, federações e a própria Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A diretoria do Sinafut inclui nomes como Ednailson Leite Rozenha, deputado e presidente da Federação Amazonense, e Ricardo Glock, presidente da Federação Paraense, ambos vice-presidentes da entidade. Felipe Feijó, presidente da Federação Alagoana e filho de Gustavo Feijó, diretor de seleções da CBF, também integra o grupo. A informação foi publicada inicialmente pelo portal Metrópoles e confirmada pelo Globo.
A mobilização evidencia o grau de dependência financeira do futebol brasileiro em relação ao setor de apostas. Dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, 14 mantêm contratos de patrocínio master com casas de apostas. O setor deve movimentar cerca de R$ 1,1 bilhão no futebol nacional em 2026 — volume equivalente ao da temporada anterior, de acordo com dados do próprio setor. O Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, as duas maiores competições do país, têm seus naming rights vinculados à Betano, uma das principais patrocinadoras do futebol nacional. A MP 1.394 vale por 60 dias, prorrogáveis por mais 60, e depende de aprovação do Congresso para se converter em lei permanente.
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Clubes da Série A com patrocínio master de bets | 14 de 20 |
| Movimentação esperada do setor no futebol nacional em 2026 | R$ 1,1 bilhão |
O que está em jogo
- O Sinafut tentará travar a MP 1.394 no STF ou obter prazo de seis meses antes que a proibição valha — objetivo é preservar a temporada 2026 e o planejamento orçamentário dos clubes até janeiro de 2027.
- A mobilização oficial de bets, clubes, federações e CBF contra a MP revela estrutura financeira crítica: 70% dos times da Série A dependem de patrocínio de apostas, e o setor injeta cerca de R$ 1,1 bilhão no futebol nacional anualmente.
- A proibição dos sites em 5 de outubro coincide com finais de campeonatos estaduais e nacionais — momento de máxima exposição de marca e receita contratual para os clubes.
Entenda os termos
- Medida Provisória (MP)
- Ato normativo do Presidente da República com força de lei, que entra em vigor imediatamente, mas depende de votação do Congresso para ser convertida em lei permanente, com validade máxima de 60 dias prorrogáveis.
- Naming rights
- Direito de denominação que permite a um patrocinador colocar seu nome em uma competição, estádio ou evento.
- STF
- Supremo Tribunal Federal, órgão máximo do Poder Judiciário brasileiro, competente para julgar a constitucionalidade de leis e atos normativos.
A apuração deste fato é de BNLData. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



