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Regulação

Restrição às bets pode empurrar bilhões para o mercado ilegal ligado ao CV e PCC

Medida Provisória prevista para esta semana pode ampliar fatia clandestina das apostas no Brasil, financiando organizações classificadas pelos EUA como terroristas, alerta a ANJL.

Restrição às bets pode empurrar bilhões para o mercado ilegal ligado ao CV e PCC

Imagem ilustrativa gerada por IA

O governo federal deve publicar ainda esta semana uma Medida Provisória com restrições à operação das casas de apostas no Brasil. Para a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), a medida carrega um risco grave de segurança pública: a migração dos apostadores para plataformas clandestinas, muitas delas vinculadas a facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) — organizações que o governo dos Estados Unidos classificou formalmente como terroristas.

O alerta tem respaldo em dados do Tribunal de Contas da União (TCU), que estima que o mercado ilegal já responde por entre 41% e 51% do volume total de apostas no país, podendo movimentar até R$ 40 bilhões por ano. O próprio TCU aponta ainda riscos associados a esse fluxo clandestino, como lavagem de dinheiro, evasão fiscal e manipulação de resultados esportivos. Diante desse cenário, a ANJL defende que retirar operadores autorizados do mercado sem indicar para onde irá essa demanda equivale a ampliar a fatia de recursos que alimenta estruturas econômicas do crime organizado.

Em nota pública, a entidade afirma que "retirar operadores autorizados do mercado, sem demonstrar para onde migrará essa demanda, significa correr o risco de entregar uma parcela ainda maior desse dinheiro às estruturas econômicas que alimentam o crime organizado". O presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, acrescenta que "além de potencialmente fortalecer o mercado ilegal, uma ruptura dessa natureza transmitiria ao investidor internacional a mensagem de que o marco regulatório brasileiro pode ser alterado depois de realizados investimentos significativos — um sinal que ultrapassa o setor de apostas e afeta a própria percepção sobre segurança jurídica no Brasil".

A preocupação com a insegurança jurídica é outro ponto central da nota da associação. Empresas que obtiveram autorização estatal, realizaram aportes financeiros, contrataram funcionários e montaram operações com base no marco regulatório em vigor não podem, segundo a ANJL, ser surpreendidas por uma mudança de rumo sem período de transição, sem prazo para adequação e sem reconhecimento dos direitos derivados das licenças já concedidas. O setor de apostas esportivas foi regulamentado no Brasil a partir de 2025, sob coordenação da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, que passou a exigir licenças e o cumprimento de requisitos técnicos e financeiros das operadoras.

Para a ANJL, o caminho correto seria justamente o oposto: ampliar os instrumentos de fiscalização e controle sobre o dinheiro movimentado nas apostas, e não criar condições para que dezenas de bilhões de reais escapem da supervisão do Estado. A entidade ressalta que o debate ganha uma dimensão geopolítica adicional no momento em que os Estados Unidos intensificam sua ofensiva contra organizações criminosas brasileiras — tornando ainda mais sensível qualquer política doméstica que possa, na prática, fortalecer o caixa dessas facções.

Análise BetNotícias

O que isso muda na regulação

  • O governo prepara uma Medida Provisória para restringir bets, mas o risco é que retirar operadores legais sem alternativa empurre apostadores para plataformas clandestinas ligadas ao crime organizado (CV e PCC), potencialmente deslocando até R$ 40 bilhões/ano para o mercado ilegal.
  • A mudança abrupta de regras afeta investidores estrangeiros que já realizaram investimentos sob o marco regulatório vigente, enviando sinal de insegurança jurídica sobre o Brasil e comprometendo a credibilidade das autorizações concedidas pelo Estado.

Entenda os termos

Medida Provisória
Ato normativo editado pelo Presidente da República que tem força de lei imediata, mas precisa ser votada pelo Congresso em até 60 dias para continuar válida.
Marco regulatório
Conjunto de leis, regras e procedimentos que definem como uma atividade (neste caso, apostas) pode ser exercida legalmente no país.
Operadores autorizados
Empresas de apostas que receberam licença oficial do governo para atuar legalmente no Brasil.
Fonte original
Com informações de iGaming Business Brasil →

A apuração inicial deste fato é de iGaming Business Brasil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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