Regulação B2B: por que fiscalizar fornecedores é essencial para o mercado de apostas
A consulta pública da SPA para regulamentar empresas fornecedoras de tecnologia ao setor é apontada como um dos avanços mais relevantes desde o início da regulamentação das apostas no Brasil.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A abertura de uma consulta pública pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), órgão do Ministério da Fazenda responsável pela regulação do mercado de apostas esportivas no Brasil, para disciplinar a atuação de fornecedores B2B representa um marco na evolução do setor, segundo Thiago Garrides, CEO da Cactus Gaming. Para ele, a medida reconhece que um ambiente regulado não se sustenta apenas pela fiscalização dos operadores que se relacionam diretamente com os consumidores. "A confiança também é construída nos bastidores", afirma o executivo.
A lógica defendida por Garrides parte de uma premissa já consolidada em setores como o financeiro, o de seguros e o de meios de pagamento: a qualidade de um mercado regulado nunca será superior à qualidade de sua cadeia de fornecedores. No caso das apostas, uma única transação envolve, além da plataforma acessada pelo usuário, provedores de jogos, sistemas de verificação de identidade (KYC), ferramentas de prevenção à lavagem de dinheiro, mecanismos antifraude, soluções de geolocalização, fornecedores de dados e meios de pagamento, entre outros. Se um desses elos falha, os impactos extrapolam a empresa responsável e atingem a reputação de todo o setor.
O executivo também rebate o argumento de que mais regulação significa menos inovação. Ele aponta que a experiência internacional demonstra o oposto: os mercados que mais atraem investimentos são justamente aqueles que oferecem previsibilidade, segurança jurídica e estabilidade regulatória. "Boa regulação não é aquela que cria obstáculos ao desenvolvimento, mas aquela que gera confiança suficiente para que o desenvolvimento aconteça", defende. Nesse cenário, tecnologia, governança e compliance deixariam de ser diferenciais competitivos para se tornarem requisitos mínimos de atuação no setor.
A regulamentação B2B no Brasil segue uma tendência já consolidada em outras indústrias intensivas em tecnologia. Bancos, bolsas de valores, seguradoras e empresas de meios de pagamento já tratam a solidez da cadeia de fornecedores como parte essencial da gestão de riscos, submetendo parceiros críticos a critérios rigorosos de segurança e conformidade. O mercado brasileiro de apostas, que passou a operar sob marco regulatório formal a partir de 2025, com a concessão das primeiras licenças pela SPA, encontra-se agora diante de um processo semelhante de amadurecimento institucional.
Garrides reconhece que a transição exigirá adaptação, sobretudo para empresas menos estruturadas, que precisarão reforçar áreas de compliance, revisar processos internos e investir em controles tecnológicos. Ainda assim, avalia que "o custo da adaptação quase sempre é menor do que o custo da insegurança institucional". Para o executivo, o Brasil reúne condições para se tornar um dos mercados regulados mais relevantes da indústria global, mas transformar esse potencial em crescimento sustentável dependerá da qualidade das instituições que estão sendo construídas agora — não apenas da velocidade de expansão do setor.
Esta notícia foi reescrita pela redação do BetNotícias com base em apuração de terceiros. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



