PVC: proibir bets é "irreal" e regulação com prazo definido é o caminho
O jornalista Paulo Vinicius Coelho defende avanços na fiscalização e no combate ao vício, mas argumenta que vetar apostas esportivas abruptamente empurraria o mercado para a clandestinidade.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A ideia de proibir as bets no Brasil, defendida por nomes como a produtora Paula Lavigne, pode partir de boas intenções, mas não resiste ao teste da realidade. Essa é a posição do jornalista Paulo Vinicius Coelho, o PVC, em coluna publicada no UOL Esportes. Para ele, barreiras tecnológicas raramente funcionam, e a regulação com prazo claro é o único caminho verdadeiramente viável para o setor de apostas esportivas.
O argumento central de PVC é que um veto às apostas não elimina apostadores nem pessoas com comportamento compulsivo — apenas os desloca para o mercado ilegal, onde não há proteção ao consumidor nem controle público sobre o endividamento. Para ilustrar o ponto, ele recorre à própria experiência: mesmo sem nunca ter apostado, conta que já era abordado por pessoas pedindo palpites sobre partidas de segundo escalão europeu, como Osasuna x Betis, ainda durante o governo Michel Temer — período em que as apostas eram ilegais no país. Os sites estrangeiros, recorda, eram acessados sem qualquer dificuldade.
O jornalista Juca Kfouri seguiu raciocínio parecido em nota intitulada "Bets: restringir sim, proibir é inútil". Kfouri traçou um histórico do setor no Brasil: "Michel Temer não ouviu e legalizou as bets. Jair Bolsonaro deixou correr solto por quatro anos como terra de ninguém, sem nenhuma regulamentação. E a bomba explodiu no colo de Lula. Regulamentou mais ou menos, descuidou dos limites da propaganda, além de não ter meios para fiscalizar as casas ilegais; e o endividamento das pessoas ficou alarmante. O problema está em que simplesmente proibir levará as apostas para fora do país, de maneira a nem sequer arrecadar os impostos."
PVC reconhece que a atuação da Secretaria da Fazenda trouxe avanços concretos: operadores legalizados passaram a recolher impostos, gerar empregos formais e assumir obrigações relacionadas à prevenção ao vício. Ainda assim, o modelo carece de aprimoramentos. O colunista defende medidas como o cancelamento de publicidade e maior rigor regulatório — desde que implementadas com prazo suficiente para adaptação. O exemplo citado é o da Premier League inglesa, cujos clubes tiveram três anos para retirar marcas de casas de apostas da parte frontal dos uniformes; onze equipes se adaptaram sem que a indústria entrasse em colapso.
O risco central apontado por PVC em qualquer iniciativa proibitiva precipitada é a ausência de prazo. Uma proibição abrupta, argumenta ele, pode comprometer a indústria do futebol brasileiro, que operou por anos dentro da permissão legal. Para o jornalista, o tema é delicado demais para ser tratado como casuísmo eleitoral ou resolvido da noite para o dia.
O que isso muda na regulação
- A posição defende que proibir bets completamente é ineficaz e reconduziria apostadores para sites clandestinos, sem proteção nem arrecadação estatal — o caminho viável é regulação com prazos claros para adequação, combinada com restrições progressivas como limite de publicidade e apoio contra vício.
- Diferencia-se de propostas de veto abrupto ao apontar que a indústria do futebol, licenciada há anos, precisaria de transição ordenada; o exemplo da Inglaterra (3 anos para remover publicidade de uniformes) mostra como restrições com prazo funcionam sem quebrar o setor.
Entenda os termos
- Mercado clandestino
- Operações de apostas ilegais, sem licença ou supervisão estatal, que atuam fora da regulamentação oficial e sem proteção ao apostador.
- Regulação com prazo
- Implementação gradual de regras e restrições ao setor de apostas, com período definido para que operadoras se adequem às novas exigências antes de efeito total.
A apuração inicial deste fato é de BNLData. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



