PVC e Mauro Cezar alertam sobre riscos de proibição das bets por medida provisória
Os jornalistas esportivos publicaram artigos no UOL argumentando que vedar o mercado regulado de apostas pode gerar consequências piores do que os problemas que pretende resolver.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Em meio ao debate sobre uma possível medida provisória do governo federal para restringir ou proibir o mercado de apostas de quota fixa no Brasil, os jornalistas esportivos Paulo Vinicius Coelho, conhecido como PVC, e Mauro Cezar Pereira se manifestaram publicamente contra a iniciativa. Na última quinta-feira (17), ambos publicaram artigos no portal UOL expressando preocupação com as consequências que tal medida poderia trazer tanto para o futebol quanto para o mercado regulado de iGaming.
PVC centrou sua análise no impacto financeiro para o esporte e na ineficácia histórica das proibições. "Por mais bem intencionados que sejam os movimentos pela extinção das bets, há uma certa falta de realismo ao julgar que a proibição acabará com apostas e apostadores. Diferentemente disso, pode quebrar a indústria do futebol se for tomada sem tempo de adaptação, ao menos. Os clubes se manifestam sobre a possibilidade de perda de R$ 1 bilhão em patrocínios, mais de 15 mil famílias sem empregos", afirmou o jornalista. Ele também recordou que as apostas já eram proibidas durante o governo Michel Temer e, mesmo assim, os brasileiros acessavam plataformas internacionais livremente. Para PVC, a única saída viável é regular, informar, educar, aumentar o rigor e cancelar publicidades — mas com prazo de adaptação. Como referência, citou o caso inglês, em que a retirada de patrocínios de casas de apostas das camisas de clubes foi feita com três anos de transição. "Acabar com as apostas não acabará com o apostador. Pode até deixá-lo mais exposto ao vício e à clandestinidade", argumentou.
Mauro Cezar trouxe dados econômicos e bastidores políticos ao debate. Segundo o jornalista, as apostas de quota fixa se tornaram uma das principais fontes de receita comercial do futebol brasileiro: "Só o patrocínio máster na Série A chega a cerca de R$ 1 bilhão por temporada. No primeiro semestre de 2025, as destinações já haviam superado R$ 1,6 bilhão distribuídos entre clubes, atletas e o sistema esportivo." Ele também revelou informações obtidas junto a fontes do governo, indicando que o Palácio do Planalto está calculando os riscos políticos da medida. "O próprio Lula sabe que uma MP nesses termos teria pouca chance no Congresso, que já travou medidas de controle mais duras", disse Mauro Cezar, acrescentando que o presidente teria sido alertado de que torcidas poderiam se voltar contra ele caso os clubes sofram perdas financeiras expressivas. O jornalista também fez um alerta sobre o mercado ilegal: "Medida provisória de efeito imediato serve a esse calendário. Não serve à fiscalização que a lei já prevê e que o governo não implementou por inteiro. O mercado ilegal, esse sim, já ganhou o intervalo e pode se fortalecer."
O contexto em que as declarações foram feitas é o da regulamentação brasileira de apostas esportivas, que entrou em vigor em janeiro de 2025 sob supervisão da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda. O processo de licenciamento estabeleceu exigências rigorosas para as operadoras, incluindo pagamento de impostos, combate à ludopatia e restrições de publicidade. A possibilidade de uma MP que reverta ou suspenda esse arcabouço regulatório preocupa tanto o setor quanto agentes do esporte, que temem que a medida empurre apostadores de volta a plataformas clandestinas, exatamente o cenário que a regulamentação buscava evitar.
O que está em jogo
- Uma proibição imediata do mercado regulado de apostas por medida provisória pode gerar migração em massa para plataformas ilegais, tornando mais difícil o combate ao vício e a arrecadação de impostos já consolidada.
- O encerramento abrupto do setor afetaria aproximadamente R$ 1 bilhão em patrocínios de futebol na Série A e mais de 15 mil empregos, quebrando a estrutura econômica que o mercado regulado gerou em pouco tempo.
- O Planalto sopesa o risco político de uma MP que pode sofrer rejeição no Congresso, onde medidas de controle mais rigorosas já foram travadas, e poderia descontentar clubes e torcidas num calendário eleitoral sensível.
Entenda os termos
- Medida Provisória (MP)
- Ato normativo expedido pelo Presidente da República com força de lei imediata, válido por 60 dias prorrogáveis, sujeito a apreciação posterior do Congresso Nacional.
- Apostas de quota fixa
- Modalidade de aposta em que o valor do prêmio é definido no momento da realização da aposta, baseado nas odds oferecidas pela operadora.
- Mercado regulado de igaming
- Setor de jogos online e apostas operado por empresas licenciadas e fiscalizadas pelo governo, submetidas a impostos e normas específicas.
- VPN
- Rede privada virtual que criptografa a conexão de internet e permite acessar conteúdo de outros países, contornando bloqueios geográficos.
A apuração inicial deste fato é de Focus Gaming News Brasil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



