Operação Jogo Duplo mira influenciadora que promovia plataformas ilegais de apostas no MT
Pamela Cristiane da Silva, a "Pam do Grau", usava vídeos com resultados manipulados para atrair apostadores; investigação aponta movimentação de R$ 928 mil incompatível com renda declarada de R$ 901 mensais.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A influenciadora digital Pamela Cristiane da Silva, 30 anos, conhecida nas redes sociais como Pam do Grau, foi alvo de uma operação policial em Nova Mutum, cidade a 269 km de Cuiabá, no Mato Grosso. A Operação Jogo Duplo, deflagrada na terça-feira (8/9) pela Polícia Civil, mirou o esquema pelo qual ela promovia plataformas de apostas online ilegais que acumulam 355 boletins de ocorrência por estelionato em diferentes estados do país.
Segundo o delegado Jean Paulo Ferreira, o funcionamento do esquema era simples e deliberadamente enganoso. Pamela recebia acesso a uma versão adulterada das plataformas de jogos, na qual os resultados eram programados para sempre lhe favorecer. Com esse ambiente manipulado, ela gravava vídeos simulando ganhos reais e os publicava em seu perfil no Instagram — que conta com cerca de 120 mil seguidores — para convencer outras pessoas a depositar dinheiro nos sites. "Ela tinha a função de divulgar as empresas e as empresas aplicavam os golpes. Ela recebia um link falso que dava acesso à plataforma em que ela sempre ganhava de forma falsa. Aí ela tinha que filmar a tela 'ganhando' e divulgar para atrair mais gente", explicou o delegado. A remuneração de Pamela estava diretamente atrelada ao prejuízo das vítimas: "Ela ganhava com as perdas dessas pessoas que jogavam por indicação dela", acrescentou Ferreira.
Movimentação financeira incompatível e bens apreendidos
O contraste entre o patrimônio encontrado e a renda declarada pela influenciadora chamou atenção dos investigadores. Entre junho de 2025 e abril de 2026, R$ 928 mil passaram por sua conta bancária — enquanto ela não possuía vínculo empregatício formal e declarava rendimento mensal de apenas R$ 901. Durante as buscas na residência, foram apreendidos um jet ski e reboque, duas motonetas elétricas, quatro motocicletas (entre elas uma Yamaha XT 660R, uma BMW G310, uma BMW R1250GS A e uma Honda CG 160 Titan EX), um VW Jetta 2.0, uma carretinha, além de câmera, dois celulares e um drone. O conjunto de veículos foi avaliado em cerca de R$ 400 mil pelo delegado responsável pelo caso.
A Justiça autorizou uma série de medidas cautelares: o bloqueio de R$ 642.845,45 vinculados à investigada, o sequestro dos veículos registrados em seu nome, a suspensão do perfil dela no Instagram e a quebra do sigilo telemático dos aparelhos apreendidos e do sigilo fiscal referente ao período de 2023 a 2026. Pamela passou a utilizar tornozeleira eletrônica. As investigações seguem em andamento para identificar os demais integrantes do esquema e rastrear todo o dinheiro movimentado. A Polícia Civil de Nova Mutum orienta que vítimas que tenham apostado nas plataformas investigadas procurem a Delegacia de Roubos e Furtos do município para registrar ocorrência.
Contexto: apostas ilegais no Brasil regulado
O caso ocorre em meio à consolidação do marco regulatório do setor de apostas esportivas no Brasil. Desde o início de 2025, apenas operadores autorizados pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, podem atuar legalmente no país — exigência que inclui sede nacional, pagamento de outorga e cumprimento de regras de proteção ao apostador. Plataformas que operam à margem desse sistema, como as investigadas na Operação Jogo Duplo, estão sujeitas a sanções penais e civis. A investigação contra Pam do Grau evidencia uma das práticas mais recorrentes nesse universo ilegal: o uso de influenciadores digitais como intermediários para dar aparência de legitimidade a sites fraudulentos, nos quais os saques dos supostos ganhos são sistematicamente bloqueados — problema relatado por diversas vítimas do caso em questão.
O que muda para o apostador
- A operação ilustra o modus operandi consolidado das plataformas ilegais: influenciadores com grande alcance (120 mil seguidores) criam ilusão de ganho fácil em versões manipuladas das plataformas para atrair depósitos que nunca retornam como saques.
- Apostadores que caíram no golpe por indicação da influenciadora não conseguem sacar os 'ganhos' exibidos, e as empresas fraudulentas desativam links a cada 2-3 meses para burlar rastreamento, deixando vítimas sem recurso.
- O caso também aponta a fragilidade de plataformas ilegais em se distanciar de influenciadores quando investigadas, indicando lucro direto sobre perdas de terceiros — compensação que motiva a promoção contínua mesmo com risco legal crescente.
Entenda os termos
- Estelionato
- Crime de enganar alguém para obter vantagem ilícita, típico de golpes onde a vítima é ludibriada a transferir dinheiro sob falsa promessa.
- Plataforma de apostas ilegal
- Site ou aplicativo que oferece jogos de azar sem autorização da autoridade reguladora brasileira (SPA), operando fora do marco legal das apostas.
- Sequestro de bens
- Medida judicial que bloqueia e apreende bens do investigado para impedir sua alienação e garantir ressarcimento futuro a vítimas.
- Sigilo telemático
- Proteção legal que garante privacidade de comunicações e dados digitais; sua quebra pela Justiça permite à polícia acessar aparelhos e informações do investigado.
A apuração inicial deste fato é de BNLData. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



