Vice-presidente da Betfast fala sobre carreira no iGaming e mercado regulado no Brasil
Paulo Joanello, empresário e jogador profissional de poker, participou do episódio 40 do Brazilian Lounge Podcast e detalhou sua trajetória no setor de apostas, da Austrália ao mercado regulado brasileiro.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Paulo Joanello, vice-presidente da Betfast e jogador profissional de poker, foi o convidado do 40º episódio do Brazilian Lounge Podcast, programa dedicado à indústria de apostas, loterias de quota fixa e jogos. Ao longo da conversa, o executivo percorreu diferentes fases de sua vida profissional, abordando empreendedorismo, tecnologia, patrocínios esportivos, investimentos e regulamentação. Sua relação com o poker remonta a 2006, quando morava na Austrália e já trabalhava em cassinos de Sydney. "Eu sempre fui um cara apaixonado pelo jogo, sempre fui jogando poker. Então, jogo poker a dinheiro desde que eu morava na Austrália em 2006", afirmou. Após voltar ao Brasil, Joanello seguiu por anos em outros setores — foram 17 anos em uma prestadora de serviços da Petrobras e uma passagem pela Aker Solutions como coordenador de tesouraria — antes de decidir empreender em tempo integral, em 2017. Sua primeira grande aposta foi um clube de poker integrado a um complexo de entretenimento em Curitiba, que reunia casa de shows, bares e restaurantes. O negócio não trouxe o retorno financeiro esperado, mas, nas palavras do próprio Joanello, rendeu aprendizado valioso: "Não assim, como empreendedor, ele não me deu o retorno esperado financeiramente, mas eu ganhei muita bagagem e descobri que aquilo ali pode ser isso que eu vou tentar até um dia dar certo."
Pandemia como ponto de virada
A chegada da pandemia de Covid-19 impactou diretamente os negócios físicos de Joanello no Paraná, mas abriu uma janela para o mundo digital. Foi nesse período que ele passou a trabalhar com aplicativos de poker — incluindo uma plataforma de origem chinesa, da qual se tornou um dos pioneiros no Brasil — e com um modelo de operação que ficou conhecido como ligas. A crise que fechou portas também conectou o empresário a novos parceiros, entre eles empreendedores do interior de São Paulo, com quem desenvolveu projetos nas áreas de poker, bingo e apostas esportivas. "Ao mesmo tempo que ela acabou com a minha esperança de empreender e de fazer, foi aonde saiu, onde tudo começou", resumiu o executivo.
Da experiência acumulada à Betfast
A criação da Betfast emergiu da combinação entre a experiência de Joanello com poker online e a aproximação com empresários do setor de apostas esportivas. O executivo já tinha um histórico anterior com o Batel Sports, iniciativa ligada ao seu complexo de entretenimento em Curitiba. A operação da Betfast começou focada em apostas esportivas e passou por uma única troca de plataforma ao longo de sua trajetória. Com a regulamentação oficial do mercado brasileiro — implementada a partir de 2025 pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda —, um grupo estrangeiro demonstrou interesse em ingressar no mercado regulado e formou uma joint venture com a operação já existente. Os novos sócios trouxeram tecnologia própria, o que contribuiu para a manutenção da estrutura da empresa. Joanello destacou as diferenças culturais entre equipes brasileiras e estrangeiras no cotidiano corporativo, especialmente em relação à velocidade de execução e aos processos internos: "A gente é muito mais resolvedor de problema do que um mero executor de uma tarefa específica."
Mercado, patrocínios e perspectivas
O executivo também analisou o comportamento dos apostadores brasileiros diante da profusão de marcas no mercado. Para ele, a presença de uma casa de apostas no patrocínio de um clube de futebol não garante a fidelidade do consumidor, dado o volume de opções disponíveis. "A gente tem 100 sites para jogar", pontuou. Joanello ainda relatou a expressiva valorização das cotas de patrocínio esportivo ao longo dos últimos anos, citando uma situação em que uma proposta saltou de R$ 300 mil para R$ 20 milhões. Sobre o futuro do setor, o executivo prevê um movimento de consolidação, com aquisições, fusões, joint ventures e parcerias ganhando espaço nos próximos ciclos do mercado regulado. Ele afirmou que segue atuando com consultoria e acompanhando de perto as decisões estratégicas de empresários do setor.
O que isso diz sobre o mercado
- O relato ilustra como executivos do setor veem a consolidação do mercado regulado brasileiro como inevitável, com aquisições, fusões e joint ventures como estratégias principais — indicando que o período de expansão de operadoras independentes tende a dar lugar a concentração em torno de grandes grupos internacionais.
- A experiência da Betfast mostra na prática como a regulamentação funcionou como gatilho para entrada de capital estrangeiro: empresas internacionais que aguardavam o marco legal agora formalizam operações no Brasil via parcerias com atores já instalados.
- As observações sobre comportamento do consumidor brasileiro — baixa fidelidade e abundância de opções — sugerem que vantagem competitiva no mercado brasileiro depende menos de marca e mais de tecnologia, operação e vínculo com clubes, reduzindo o peso de patrocínios esportivos como diferencial único.
Entenda os termos
- iGaming
- Setor de jogos de azar e apostas operados pela internet, incluindo cassinos online, poker online, apostas esportivas e outros jogos digitais.
- Joint venture
- Parceria comercial entre duas ou mais empresas que criam uma terceira entidade para desenvolver um negócio específico, compartilhando investimentos, riscos e lucros.
- Ligas (de poker)
- Modelo de operação de poker online em que jogadores participam de torneios e competições organizadas em plataforma digital, geralmente com estrutura de pontuação e premiações.
A apuração inicial deste fato é de iGaming Brazil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



