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Regulação

MPF investiga falhas no sistema de autoexclusão de plataformas de apostas

Procurador da República em Uberlândia abriu apuração para verificar se usuários bloqueados continuam acessando sites de bets mesmo após restringir o próprio CPF.

MPF investiga falhas no sistema de autoexclusão de plataformas de apostas

Imagem ilustrativa gerada por IA

O Ministério Público Federal (MPF) abriu uma investigação para apurar possíveis irregularidades no sistema de autoexclusão das plataformas de apostas esportivas. A suspeita central é de que apostadores que solicitaram o bloqueio do próprio CPF continuam conseguindo acessar sites de bets autorizados pelo governo federal. A portaria que formaliza a apuração foi publicada na segunda-feira (21) e recebeu a assinatura do procurador da República Cléber Eustáquio Neves, que atua em Uberlândia, no Triângulo Mineiro.

O mecanismo investigado é operado pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda. Por meio da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, qualquer pessoa — inclusive quem nunca apostou — pode solicitar o bloqueio de acesso a todas as casas autorizadas pelo governo, ou restringir o acesso a uma plataforma específica. O prazo de afastamento vai de um mês a um ano, sendo que o bloqueio por tempo indeterminado respeita o período mínimo de 12 meses. Durante o intervalo escolhido, o usuário não pode cancelar a solicitação. Após a confirmação do pedido, as plataformas têm até 72 horas para bloquear as contas vinculadas ao CPF informado, além de serem obrigadas a cessar o envio de publicidade direcionada ao apostador.

A dimensão do problema potencial é considerável: dados do Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas registram mais de 1,2 milhão de solicitações de bloqueio feitas por meio da plataforma centralizada. A investigação do MPF busca confirmar se as casas autorizadas estão de fato cumprindo as regras — ou seja, se os acessos são corretamente encerrados no prazo exigido e se os usuários bloqueados conseguem burlar a restrição e retornar às plataformas durante o período de autoexclusão.

O caso ganha relevância no contexto da regulação do mercado de apostas no Brasil, que passou por mudanças estruturais com a chamada Lei das Bets e entrou em nova fase a partir de 2025, quando o governo federal passou a exigir licenças das operadoras e a fiscalizar o cumprimento de normas de proteção ao consumidor. O sistema de autoexclusão é uma das principais ferramentas de jogo responsável previstas na regulamentação, voltada sobretudo à proteção de pessoas com comportamento compulsivo em relação às apostas. Falhas no seu funcionamento representariam uma violação direta às obrigações das plataformas autorizadas e podem resultar em sanções administrativas ou até na cassação de licenças.

Análise BetNotícias

O que muda para o apostador

  • Apostadores que usaram a autoexclusão podem continuar tendo acesso a contas bloqueadas em plataformas, comprometendo a proteção contra comportamento problemático com apostas que a ferramenta deveria garantir.
  • O risco é que as bets autorizadas não estejam cumprindo o prazo de 72 horas para bloquear efetivamente as contas vinculadas ao CPF informado, criando uma falha entre a solicitação formal e a execução técnica.

Entenda os termos

Autoexclusão
Ferramenta que permite ao apostador bloquear voluntariamente o próprio acesso a plataformas de apostas por um período determinado (mínimo 1 mês) ou indeterminado, impedindo novas apostas na conta.
Plataforma Centralizada de Autoexclusão
Sistema gerenciado pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda que permite ao usuário solicitar bloqueio único que se aplica a todas as bets autorizadas pelo governo federal simultaneamente.
Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA)
Órgão vinculado ao Ministério da Fazenda responsável pela regulação, autorização e supervisão das plataformas de apostas no Brasil.
Medida cautelar
Ação judicial ou administrativa de urgência que busca preservar direitos e evitar prejuízos durante apuração de fatos — neste caso, a investigação do MPF sobre falhas no bloqueio de contas.
Fonte original
Com informações de iGaming Brazil →

A apuração inicial deste fato é de iGaming Brazil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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