📅 Atualizado 3× ao dia · Mercado regulado pela SPA/MF
Leaderboard 728×90
Regulação

Mercado ilegal de bets recua, mas presidente do IBJR alerta contra retrocessos na regulação

Estudo da LCA Consultoria aponta queda na participação de bets clandestinas no Brasil entre 2025 e 2026, mas Carlos Lima, do IBJR, adverte que medidas restritivas mal calibradas podem reverter o avanço.

Mercado ilegal de bets recua, mas presidente do IBJR alerta contra retrocessos na regulação

Imagem ilustrativa gerada por IA

A fatia do mercado de apostas esportivas online dominada por operadoras clandestinas no Brasil encolheu entre 2025 e 2026, segundo levantamento da LCA Consultoria Econômica divulgado pelo Poder360. Em maio de 2025, as bets ilegais respondiam por uma parcela entre 41% e 51% do total movimentado no setor. Um ano depois, essa participação recuou para uma faixa de 38% a 44%. Para Carlos Lima, presidente-executivo do IBJR (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável), o dado confirma que a regulamentação começou a surtir efeito — mas ele faz questão de sinalizar os riscos de qualquer passo atrás nas regras vigentes.

"A regulação das apostas on-line no Brasil é muito recente. Então, qualquer medida que seja aplicada para o setor legalizado, principalmente em termos de proibição, precisa ser muito bem avaliada para não servir de incentivo ao mercado ilegal", declarou Lima em entrevista ao Poder360. O marco regulatório brasileiro para apostas de quota fixa foi estruturado pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, com 2025 representando o primeiro ano completo de vigência das normas — o que torna o período especialmente sensível a eventuais mudanças de curso.

Apostador ainda circula pelo mercado irregular

Apesar da percepção negativa sobre as plataformas clandestinas — 77% dos consumidores as consideram mais perigosas e 66% afirmam que abandonariam um site ao saber que ele opera ilegalmente, conforme pesquisa do Instituto Locomotiva incorporada ao estudo da LCA —, o comportamento na prática conta outra história. Segundo os mesmos dados, 77% dos apostadores admitiram ter realizado ao menos uma ação irregular. Entre eles, 53% usaram sites que não exigiam reconhecimento facial, 48% acessaram portais sem o domínio .bet.br, 37% fizeram depósitos via cartão de crédito e 23% apostaram com criptomoedas. Lima aponta a promoção simultânea de plataformas legais e ilegais por influenciadores verificados nas redes sociais como um fator que contribui para essa confusão, defendendo que tanto as plataformas quanto os criadores de conteúdo sejam responsabilizados conforme a legislação aplicável.

Perfil do apostador clandestino e quatro prioridades urgentes

O estudo da LCA também traça o perfil predominante de quem frequenta o mercado ilegal: maioria masculina (61%), com renda de até dois salários mínimos (51%), escolaridade até o ensino médio (70%) e idade entre 30 e 49 anos (40%). Entre esses apostadores, 61% admitiram ter apostado mais do que deveriam. Diante desse cenário, Lima elencou quatro frentes prioritárias para sustentar a trajetória de queda da ilegalidade: a regulamentação do segmento B2B — fornecedores de jogos que hoje podem atender tanto operadoras autorizadas quanto clandestinas sem restrição específica —; o bloqueio dos meios de pagamento das plataformas irregulares; a manutenção das regras já em vigor; e a calibragem da tributação, de modo a não comprometer a competitividade das empresas licenciadas frente a concorrentes que não recolhem tributos. "Muitos dos problemas que hoje são atribuídos ao setor regulado são oriundos do mercado ilegal e dos fornecedores que oferecem os mesmos produtos, como os jogos on-line, aos operadores regulados e aos clandestinos", afirmou o executivo.

No campo do jogo responsável, Lima destacou que, desde janeiro de 2025, as plataformas autorizadas são obrigadas a disponibilizar mecanismos de autoexclusão. O governo posteriormente implementou uma ferramenta centralizada que permite bloquear o acesso de um mesmo CPF a todas as operadoras licenciadas. Segundo a LCA, quase metade (48%) dos apostadores com ao menos duas práticas irregulares já recorreu à autoexclusão. O IBJR também concluiu com o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) a revisão do Anexo X do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, atualizando as diretrizes de comunicação do setor, e vem desenvolvendo campanhas de jogo responsável sem vinculação a marcas específicas.

Análise BetNotícias
Perfil de apostadores do mercado ilegal e comportamentos irregulares
CritérioPercentual
Apostadores que realizaram ao menos uma ação irregular77%
Entre os com ações irregulares: usaram sites sem reconhecimento facial53%
Entre os com ações irregulares: acessaram portais sem domínio .bet.br48%
Entre os com ações irregulares: fizeram depósitos com cartão de crédito37%
Entre os com ações irregulares: apostaram com criptomoedas23%
Apostadores de bets ilegais que apostaram mais do que deveriam61%
Apostadores de bets ilegais: homens61%
Apostadores de bets ilegais: renda até dois salários mínimos51%
Apostadores de bets ilegais: escolaridade até ensino médio70%
Apostadores de bets ilegais: idade entre 30 e 49 anos40%
Consumidores que consideram bets ilegais mais perigosas77%
Consumidores que deixariam de jogar em plataforma ilegal ao descobrir66%
Participação de bets ilegais no mercado (maio de 2025)41% a 51%
Participação de bets ilegais no mercado (maio de 2026)38% a 44%
Apostadores com ao menos duas práticas irregulares que recorreram à autoexclusão48%

O que isso diz sobre o mercado

  • Dados mostram recuo do mercado ilegal, mas 77% dos apostadores admitem ações irregulares, revelando que a redução de participação não elimina comportamentos de risco no consumidor.

Entenda os termos

Autoexclusão
Mecanismo que permite o apostador se bloquear voluntariamente de acessar plataformas de apostas, podendo ser específico de uma operadora ou centralizado para todas as autorizadas.
B2B (relação entre empresas)
Transações comerciais entre empresas, no contexto de bets refere-se aos fornecedores de jogos on-line que vendem produtos aos operadores autorizados e clandestinos.
Mercado ilegal ou clandestino
Plataformas de apostas que operam sem licença ou autorização do órgão regulador do Brasil.
Jogo responsável
Conjunto de práticas, regras e campanhas voltadas a minimizar riscos de apostas compulsivas e proteger consumidores vulneráveis.
Fonte original
Com informações de BNLData →

A apuração inicial deste fato é de BNLData. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

18+ Conteúdo informativo. Apostas são destinadas a maiores de 18 anos e envolvem risco financeiro. Jogue com responsabilidade. O BetNotícias não opera apostas nem faz indicação de casas.