Mercado ilegal ainda detém até 44% das apostas online no Brasil em 2026
Estudo aponta que entre 38% e 44% das apostas online seguem em plataformas clandestinas no primeiro semestre de 2026. Para especialistas, ampliar a canalização é o principal desafio da nova fase regulatória.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O mercado brasileiro de apostas esportivas completou sua primeira fase — a construção do arcabouço regulatório — e agora enfrenta um desafio mais complexo: fazer com que uma fatia maior dos apostadores migre para o ambiente autorizado. Levantamento da LCA Consultores com dados do Instituto Locomotiva, encomendado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), aponta que entre 38% e 44% das apostas online realizadas no primeiro semestre de 2026 ocorreram em plataformas ilegais. O resultado representa uma melhora em relação ao intervalo de 41% a 51% registrado em levantamento anterior, mas ainda evidencia a força do mercado clandestino. A pesquisa ouviu 2.291 jogadores de diferentes regiões do país em maio deste ano.
Canalização no centro do debate
A questão ganhou contornos mais amplos após declarações do ministro da Fazenda, Dário Durigan, em entrevista à Rádio Metrópole no dia 21 de agosto. Durigan afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é contrário às apostas e que, se dependesse dele, o setor teria sido encerrado, mas defendeu ao mesmo tempo uma política de rigor que não empurre apostadores para o mercado ilegal. O tema é central na análise de Alex W. Pariente, fundador e principal executivo da Pariente Advisory, publicada em 25 de agosto. Em seu artigo, Pariente argumenta que o Brasil precisa sincronizar dois movimentos simultâneos: o endurecimento das restrições e a ampliação da canalização — termo que designa a parcela do mercado direcionada a operadores licenciados. Na visão do executivo, restringir sem fiscalizar o mercado clandestino pode ampliar, e não reduzir, a migração para plataformas ilegais, já que estas não incorporam os mesmos custos regulatórios e conseguem oferecer condições comercialmente mais atrativas.
Crescimento do mercado regulado e pressão tributária
Mesmo com a concorrência ilegal, o mercado regulado registra expansão consistente. O GGR (receita bruta de apostas) das operadoras autorizadas chegou a R$ 20,07 bilhões no primeiro semestre de 2026, crescimento de 15,3% sobre os R$ 17,4 bilhões do mesmo período de 2025, segundo dados obtidos pelo BNLData junto à Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda via Lei de Acesso à Informação. Em 2025, primeiro ano completo de funcionamento do mercado regulado, o GGR total alcançou cerca de R$ 37 bilhões. A arrecadação federal no período incluiu aproximadamente R$ 9,95 bilhões em tributos, R$ 2,5 bilhões em outorgas de autorização e R$ 95,5 milhões em taxas de fiscalização. A outorga para operar tem valor de R$ 30 milhões e validade de cinco anos. Ao mesmo tempo, a Lei Complementar nº 224/2025 elevou progressivamente a alíquota sobre a receita bruta das apostas de quota fixa: de 12% para 13% em 2026, com previsão de 14% em 2027 e 15% em 2028. Pariente alerta que aumentos adicionais de carga tributária precisam ser avaliados em conjunto com o avanço da canalização, sob o risco de ampliar ainda mais a diferença competitiva entre operadores legais e ilegais.
Fiscalização, jogo presencial e investibilidade
Para Pariente, o combate ao mercado clandestino deve priorizar ferramentas que dificultem o acesso do apostador a plataformas não autorizadas, como restrições aos meios de pagamento, bloqueios persistentes de sites e responsabilização pela publicidade de operadores ilegais. O executivo cita a Dinamarca como referência internacional, onde a canalização se aproxima de 90%. Na frente presencial, o artigo destaca o PL 2.234/2022, que prevê regras para cassinos, bingos, jogo do bicho e apostas em corridas de cavalos. O projeto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado em junho de 2024, mas segue em tramitação ordinária após o plenário rejeitar um requerimento de urgência em dezembro de 2025 por 36 votos a 28. Pariente defende que eventuais resorts integrados sejam avaliados não apenas como política de jogos, mas como estratégia de turismo, atração de investimentos e geração de empregos. O argumento central da análise é que a legalização representou apenas o primeiro passo: a chamada investibilidade do setor depende de um equilíbrio entre restrição, fiscalização e canalização. Enquanto uma parcela relevante das apostas continuar fora do perímetro regulado, tanto a arrecadação quanto a proteção ao consumidor permanecerão aquém do potencial do mercado.
| Período | Mercado Ilegal (%) | Mercado Regulado (%) | GGR Regulado (R$ bi) |
|---|---|---|---|
| 1º sem. 2025 | 41-51 | 49-59 | 17,4 |
| 1º sem. 2026 | 38-44 | 56-62 | 20,07 |
A apuração inicial deste fato é de ConexãoBet. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



