Loterj rompe contrato com RioPag e exige R$ 9,4 mi por infrações
A Loteria do Estado do Rio de Janeiro rescindiu unilateralmente o acordo que dava à RioPag o monopólio dos pagamentos para bets credenciadas no estado, e cobra da empresa multas, valores represados e juros.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) encerrou de forma unilateral o contrato firmado com a RioPag S.A., companhia que detinha exclusividade na intermediação de pagamentos entre apostadores e casas de apostas licenciadas pelo estado fluminense. O Termo de Rescisão Unilateral do Contrato 003/2023 foi assinado na terça-feira (22/9) e publicado no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro na quarta-feira (23/9). Além do rompimento, a autarquia exige da empresa o pagamento de R$ 9,4 milhões, montante que engloba multas contratuais, ganhos financeiros indevidos, valores represados e juros — conforme apuração de Demétrio Vecchioli publicada pelo Metrópoles.
Um contrato bilionário e taxas muito acima do mercado
No período de maior movimento, a RioPag chegou a registrar receita superior a R$ 30 milhões em um único mês proveniente de uma única casa de apostas. O desempenho expressivo tinha explicação estrutural: a empresa cobrava até 2,5% sobre cada transação realizada entre apostadores e bets, uma taxa que chegava a ser o triplo do valor pago pelas próprias casas em impostos estaduais. O contraste com o mercado federal é significativo — operadores credenciados pela União têm liberdade para contratar qualquer intermediadora de pagamento e pagam, em média, cerca de 0,20% por transação, ou seja, doze vezes menos do que o teto praticado pela RioPag. O modelo só foi possível porque o Rio de Janeiro, por um período, permitia que bets por ele licenciadas operassem em todo o território nacional, prática derrubada posteriormente pelo Supremo Tribunal Federal.
Deterioração gradual da relação contratual
O rompimento foi precedido por uma série de atritos. Em janeiro de 2025, a Loterj solicitou formalmente à RioPag a suspensão dos repasses devidos à autarquia, diante da expectativa de início das operações das videoloterias. Em abril de 2026, pediu a transferência de cerca de R$ 20 milhões que estavam retidos com a empresa. A RioPag, em vez de quitar a dívida, solicitou prazo e propôs parcelamento. A Loterj então acionou a Justiça para bloquear bens da empresa, medida autorizada pelo tribunal, mas que não encontrou o valor no sistema bancário da RioPag. A empresa realizou, posteriormente, um depósito de aproximadamente R$ 16 milhões, deixando uma diferença de cerca de R$ 4 milhões em aberto.
Infrações reconhecidas e penalidades aplicadas
Um processo administrativo conduzido pela Loterj analisou a conduta da RioPag ao longo da vigência do contrato. Após ouvir a defesa da empresa, a autarquia reconheceu quatro infrações: falta de transparência e prestação incompleta de informações necessárias à fiscalização; criação de obstáculos ao exercício do poder de fiscalização da administração pública; realização de atos de gestão financeira sobre recursos públicos sem respaldo contratual ou autorização administrativa; e alteração unilateral do fluxo financeiro estabelecido no contrato. As condutas foram classificadas como inadimplemento contratual grave, reiterado e injustificado, com base nos artigos 77, 78 e 79 da Lei Federal nº 8.666/1993. As penalidades financeiras totalizam R$ 9,4 milhões, distribuídos entre multa de 15% sobre o valor do contrato (equivalente a R$ 4,8 milhões), devolução de mais de R$ 2,1 milhões em rendimentos obtidos com recursos da autarquia enquanto estavam represados, e valores adicionais de juros. A RioPag tem dois dias úteis para concluir a transição de suas atividades à nova prestadora que vier a ser contratada pela Loterj. A empresa não respondeu aos pedidos de posicionamento feitos pela imprensa.
| Componente | Valor (R$ mi) |
|---|---|
| Multa (15% do valor do contrato) | 4,8 |
| Ganhos financeiros indevidos | 2,1 |
| Juros e valores adicionais | 2,5 |
| Total | 9,4 |
O que muda para as operadoras
- A rescisão do contrato elimina o monopólio de pagamentos da RioPag e encerra um modelo onde a intermediária retinha até 2,5% de cada transação — doze vezes acima da taxa praticada no mercado federal (0,20%) — impactando significativamente a estrutura de custos das bets licenciadas pelo Rio.
- A Loterj cobra R$ 9,4 milhões em multa, ganhos indevidos e juros, e obriga a RioPag a transferir suas operações em dois dias úteis, marcando o fim abrupto de um relacionamento que se deteriorou desde janeiro de 2025 com disputas sobre repasses e bloqueios de bens.
- A ruptura evidencia conflitos entre a regulação estadual (Rio) e federal sobre poderes de concessão e modelos de intermediação financeira, especialmente após o STF derrubar a tentativa do Rio de autorizar bets estaduais em nível nacional.
Entenda os termos
- Intermediária de pagamento
- Empresa que processa transações financeiras entre apostadores e casas de apostas, cobrando taxa sobre cada operação.
- Bloqueio judicial de bens
- Medida cautelar que proíbe uma empresa de movimentar seus ativos bancários até resolução de disputa judicial.
- Inadimplemento contratual
- Descumprimento de obrigações previstas em um contrato, passível de rescisão e sanções administrativas.
- Monopólio de pagamentos
- Privilégio exclusivo concedido a uma única empresa para intermediar todos os serviços de pagamento de um setor regulado.
A apuração inicial deste fato é de BNLData. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



