Lisa Corti, do BVGroup, defende responsabilidade compartilhada no jogo responsável
Executiva participará de painel no SBC Summit 2026 e defende que reguladores, provedores e operadores devem ter papéis distintos e claros na proteção dos jogadores.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A discussão sobre até onde vai a obrigação de um operador e onde começa a responsabilidade individual de quem aposta está entre os debates mais complexos do setor de iGaming. É com esse tema que Lisa Corti, Head of Safer Gambling do BVGroup, estará no painel "Whose Shoulders Does Responsible Gaming Fall On?" durante o SBC Summit 2026, evento agendado para os dias 29 de setembro a 1º de outubro na Feira Internacional de Lisboa (FIL) e na MEO Arena. Para a executiva, o modelo mais eficaz é aquele em que a responsabilidade é repartida entre todos os agentes do setor — mas com atribuições bem delimitadas para cada um.
Papéis distintos para cada ator do setor
Na visão de Corti, cabe aos reguladores fixar padrões consistentes, proporcionais e orientados a resultados, ao mesmo tempo que deixam margem para que operadores adaptem respostas à situação de cada cliente. Já os provedores de tecnologia devem embutir mecanismos de proteção nos produtos desde a fase de desenvolvimento, oferecendo indicadores de risco transparentes e explicáveis. Aos operadores, que têm contato direto com o comportamento de jogo, recai a tarefa de interpretar esses sinais e agir de forma adequada. "Responsabilidade compartilhada não pode se transformar em responsabilidade diluída: cada participante deve continuar responsável pelos riscos e pelas decisões que estão sob seu controle", afirmou a executiva. Entre as principais lacunas identificadas por ela estão a fragmentação dos dados entre organizações, as expectativas divergentes entre jurisdições e a falta de clareza sobre a responsabilidade quando múltiplos agentes participam da jornada do cliente.
IA como aliada, com supervisão humana obrigatória
Corti também abordou o papel crescente da inteligência artificial na identificação de jogadores em risco. Para ela, decisões de baixo impacto — como o envio automático de informações sobre ferramentas de autoavaliação ou lembretes sobre tempo e dinheiro gasto — podem ser automatizadas com segurança. No entanto, quanto maior o risco e o potencial impacto sobre o jogador, maior deve ser a participação humana no processo. "A IA não deve ser utilizada como um sistema isolado", pontuou, destacando a necessidade de mecanismos de controle para identificar tanto falsos positivos quanto falsos negativos. Modelos de IA, segundo ela, devem ser testados e recalibrados regularmente com base em métricas quantitativas — como sensibilidade e precisão — e nos resultados das intervenções realizadas.
Intervenções eficazes: momento, tom e personalização
Para Corti, o que torna uma intervenção genuinamente eficaz vai muito além de cumprir uma exigência regulatória. O motivo que gerou a intervenção deve ser o principal fator orientador da comunicação. Em situações de risco baixo ou moderado, mensagens curtas, diretas e vinculadas ao comportamento real do jogador no momento em que ele ocorre tendem a ser mais bem recebidas. À medida que os sinais de agravamento aumentam, a abordagem deve se tornar mais direcionada, sem julgamentos e acompanhada de recursos práticos. O momento do contato também é determinante: "Vivemos em um mundo quase instantâneo e reagimos de maneiras diferentes dependendo do momento em que recebemos determinada informação", disse a executiva. Para medir a eficácia das intervenções, ela sugere monitorar indicadores como a redução de autoexclusões, a mudança de comportamento após uma única intervenção e o tempo durante o qual essa mudança se sustenta — métricas que, na escala de milhares de intervenções diárias, exigem, por sua vez, o uso da própria inteligência artificial para serem analisadas de forma sistemática.
Por que isso importa
- A entrevista estabelece um marco conceitual para operadores: responsabilidade compartilhada entre reguladores, provedores de tecnologia e operadores é mais eficaz que atribuição unilateral, mas cada ator deve permanecer claramente responsável por suas decisões e dados.
- Decisões de baixo impacto (envio de informações, lembretes de tempo/gastos) podem ser automatizadas com IA, mas quanto maior o risco e a personalidade da intervenção, maior deve ser a supervisão humana — não há automação pura para casos graves.
- Eficácia de intervenções depende menos de cumprir requisitos regulatórios mínimos e mais de contexto, timing, tom e personalização: uma mensagem comportamental específica no momento certo tende a impedir evolução para jogo problemático melhor que alertas genéricos.
Entenda os termos
- Autoexclusão
- Ferramenta que permite ao jogador bloquear voluntariamente sua conta por um período definido, impedindo acesso à plataforma de apostas.
- Jogo problemático
- Padrão de comportamento de jogo que causa danos significativos ao jogador, caracterizado por perda de controle, perseguição de perdas e impacto financeiro ou emocional.
- Intervenção precoce
- Ação proativa do operador para identificar e orientar jogadores que apresentam sinais iniciais de comportamento de risco, antes que se desenvolvam problemas graves.
- Falsos positivos e falsos negativos
- Erros em sistemas de detecção automatizada: falso positivo é sinalizar incorretamente um jogador como em risco; falso negativo é deixar de identificar um jogador que realmente está em risco.
A apuração inicial deste fato é de SBC Notícias Brasil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



