Lei inclui Funapol entre beneficiários da arrecadação das apostas de quota fixa
A Lei nº 15.480/2026, sancionada em 30 de julho, determina repasses crescentes ao fundo de aparelhamento da Polícia Federal a partir deste ano, chegando a 3% em 2028.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-fim da Polícia Federal (Funapol) passa a integrar a lista de destinatários dos recursos gerados pelas apostas de quota fixa no Brasil. A Lei nº 15.480/2026, sancionada em 30 de julho, estabelece um repasse escalonado: 1% do produto da arrecadação líquida — já consideradas as deduções previstas na legislação — será transferido ao fundo em 2026, subindo para 2% em 2027 e alcançando 3% a partir de 2028. A norma amplia o leque de áreas públicas beneficiadas por esses recursos, que já incluem educação, esporte e saúde, cabendo ao Poder Público definir a distribuição e a aplicação dos valores.
Funapol e a destinação dos recursos
Criado para prover meios ao aparelhamento e à manutenção das atividades da Polícia Federal, o Funapol ganha agora uma fonte adicional de receita. Além do custeio operacional da instituição, a nova legislação permite que os recursos sejam utilizados em despesas relacionadas à saúde dos servidores da corporação, desde que haja disponibilidade orçamentária e financeira. A inclusão do fundo se soma às demais destinações já previstas para a arrecadação do setor, consolidando um modelo de distribuição de receitas para diferentes áreas de interesse coletivo.
Contexto: mercado regulado desde 2025
A alteração ocorre no momento em que o marco regulatório das apostas esportivas de quota fixa se consolida no país. Desde janeiro de 2025, apenas empresas formalmente autorizadas pelo Governo Federal — via Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda — podem operar em âmbito nacional. O modelo impõe obrigações tributárias, regras de publicidade, identificação de apostadores, prevenção à lavagem de dinheiro, integridade esportiva e políticas de jogo responsável. A formalização do setor é o que viabiliza a identificação e a destinação das receitas geradas pela atividade.
Mercado legal versus operadores ilegais
A distinção entre plataformas licenciadas e operadores ilegais tem impacto direto sobre as receitas públicas. Enquanto as empresas autorizadas recolhem tributos e cumprem obrigações regulatórias, os operadores irregulares permanecem fora do sistema e não oferecem ao Estado as mesmas condições de controle e fiscalização. Marco Tulio Oliveira, CEO da Ana Gaming — operadora autorizada responsável pelas marcas 7K Bet, Vera.Bet e Cassino.bet —, destacou a dimensão mais ampla da regulamentação: "A regulamentação não se resume à criação de regras para empresas e consumidores. Ela incorpora uma atividade econômica relevante ao ambiente formal, com tributação, controle e responsabilidades claramente estabelecidas. A definição de onde os recursos serão aplicados é uma decisão do Estado, mas a capacidade de gerar receitas identificáveis e submetidas às regras públicas é um dos efeitos concretos desse novo cenário." O executivo também reforçou a importância de combater a oferta irregular: "Fortalecer o ambiente legal significa ampliar a capacidade do país de acompanhar o funcionamento do setor e garantir o cumprimento das obrigações estabelecidas."
| Ano | Percentual da arrecadação |
|---|---|
| 2026 | 1% |
| 2027 | 2% |
| 2028 em diante | 3% |
O que isso muda na regulação
- A lei consolida o modelo de distribuição de receitas das apostas regulamentadas no Brasil, ampliando os beneficiários públicos e criando fluxos financeiros previsíveis para a Polícia Federal a partir de 2026.
- Operadoras autorizadas veem ratificada a importância da formalização: a tributação e a fiscal adequada geram receitas documentadas que o Estado redistribui para áreas de interesse público, diferenciando empresas legalizadas de operadores ilegais.
- A medida reforça a necessidade de acompanhamento regulatório robusto, já que o crescimento da arrecadação depende do controle efetivo das operações e do cumprimento das obrigações por parte das empresas autorizadas.
Entenda os termos
- Apostas de quota fixa
- Modalidade de apostas em que o apostador conhece antecipadamente a razão entre o valor apostado e o prêmio que pode receber, sem variação após a colocação da aposta.
- Funapol
- Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-fim da Polícia Federal, destinado a recursos e meios para estruturar e manter as operações da instituição.
- Jogo responsável
- Conjunto de políticas e ferramentas que visa mitigar danos relacionados ao apostas e jogo excessivo, como limites de uso e autoexclusão.
- Arrecadação
- Coleta sistemática de recursos financeiros por autoridades públicas, neste caso provenientes do faturamento das operadoras de apostas.
A apuração inicial deste fato é de iGaming Brazil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



