iGaming no Brasil: de R$ 5 bi a R$ 37 bi em seis anos e com mais crescimento à vista
Regulação, Pix, smartphone e diversificação do público impulsionam um setor que já figura entre os dez maiores do mundo em receita potencial.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O mercado brasileiro de iGaming atravessou uma transformação expressiva na última meia década. Segundo dados da H2 Gambling Capital apresentados no BiS SiGMA Américas, o volume financeiro movimentado pelo setor passou de R$ 5 bilhões em 2019 para R$ 24 bilhões em 2024 — uma expansão de quase 400% em cinco anos. Em 2025, levantamento do BNLData apontou que a receita bruta do setor já havia ultrapassado R$ 37 bilhões, e as projeções para 2026 indicam crescimento adicional de 25%. Para 2029, a H2 Gambling Capital estima que o mercado brasileiro pode alcançar quase R$ 50 bilhões, enquanto a SOFTSWISS projeta receitas de até 4,03 bilhões de euros no mesmo horizonte, com taxa de crescimento anual composta de 15,39%. Esses números posicionam o Brasil como o maior mercado de iGaming da América Latina e entre os dez maiores do mundo em receita potencial.
Marco regulatório muda o jogo
O crescimento acelerado tem um ponto de inflexão claro: a aprovação da Lei nº 14.790/2023 e a criação da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, em 2024. A partir de janeiro de 2025, somente operadores portadores de licença emitida pelo governo brasileiro passaram a ter autorização para oferecer apostas e jogos online no país. Os efeitos foram imediatos: mais de 113 empresas solicitaram licença de operação, conforme relatório da SOFTSWISS, e o órgão regulador determinou o bloqueio de mais de 2.040 sites que atuavam irregularmente. Além de organizar o mercado, a regulamentação gerou um efeito indireto relevante — o aumento da confiança do consumidor em plataformas licenciadas, o que tende a ampliar a base de usuários ativos ao longo do tempo. Especialistas estimam que operadores offshore ainda representavam 25% do mercado visível em 2025, com expectativa de recuo para 10% até o fim da década à medida que a fiscalização se torne mais efetiva.
Pix e smartphone democratizam o acesso
Dois elementos de infraestrutura foram decisivos para a adesão em massa ao iGaming no Brasil: a popularização do acesso à internet por dispositivos móveis e o Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central. A expansão da conectividade móvel alcançou regiões historicamente mal atendidas, enquanto o Pix eliminou uma das principais fricções do setor — a dificuldade de realizar depósitos e saques em plataformas digitais. O resultado é um mercado que cresce tanto em volume financeiro quanto em diversidade de perfil. As classes B e C tornaram-se o principal motor de expansão, atraídas pela acessibilidade dos valores mínimos de aposta e pela praticidade das transações instantâneas.
Quem aposta e no quê
O estereótipo do apostador jovem e masculino já não representa a realidade do setor. Dados do BNLData indicam que a faixa etária de 35 a 54 anos corresponde a 38% dos usuários ativos em plataformas de jogos online. No segmento de bingo digital, o público feminino supera 60% da base de usuários. O futebol segue como produto dominante nas apostas esportivas, com 94% de adesão entre apostadores segundo a SOFTSWISS, mas esports e basquete avançam com 29% e 28% de adesão, respectivamente, sinalizando diversificação do portfólio e do público. No campo tecnológico, inteligência artificial e Big Data já estão incorporados às operações: plataformas utilizam machine learning para personalizar experiências em tempo real, aumentar retenção e automatizar processos de compliance, enquanto realidade aumentada e virtual aparecem nas projeções de médio prazo como possíveis diferenciais competitivos.
Desafios estruturais ainda persistem
O crescimento acelerado convive com problemas que ainda exigem atenção. A operação de plataformas sem licença continua mesmo após o bloqueio de mais de dois mil sites. O jogo compulsivo é outra preocupação: a regulamentação brasileira prevê mecanismos de proteção como limites de apostas e ferramentas de autoexclusão, mas a implementação efetiva dessas medidas ainda está em processo de consolidação. Para analistas do setor, os fatores que sustentam o crescimento do iGaming no Brasil — conectividade crescente, base de usuários jovem, forte cultura esportiva e arcabouço regulatório em amadurecimento — têm caráter estrutural, o que sustenta as perspectivas positivas para os próximos anos, independentemente das projeções mais ou menos conservadoras disponíveis no mercado.
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