IBJR pede que campanha "Block no Tigrinho" mire apostas ilegais, não mercado regulado
Instituto defende que plataformas clandestinas são a maior ameaça aos apostadores e critica possíveis restrições à publicidade de operadores autorizados.
Foto: UMUT 🆁🅰🆆 / Pexels
O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) se manifestou sobre a campanha "Block no Tigrinho" — iniciativa que reúne artistas e influenciadores contra o chamado jogo predatório no Brasil — para defender que o movimento deveria concentrar suas críticas nas plataformas de apostas que operam de forma clandestina, e não no setor regulamentado. Em nota, a entidade afirmou apoiar ações voltadas à proteção dos consumidores, mas argumentou que os maiores riscos aos apostadores estão no mercado ilegal, composto por operadores sem autorização, sem fiscalização e sem mecanismos de proteção ao usuário.
Segundo o IBJR, as empresas devidamente licenciadas pelo Governo Federal estão sujeitas a uma série de exigências regulatórias, como identificação dos usuários, reconhecimento facial, ferramentas de autoexclusão, limites de tempo de jogo e controles sobre depósitos. As operadoras autorizadas podem ser reconhecidas pelo domínio ".bet.br". Em contraposição, o instituto aponta que plataformas ilegais frequentemente recorrem a influenciadores digitais e canais online para atrair apostadores sem qualquer transparência sobre os riscos envolvidos.
Para embasar sua posição, o IBJR citou dados de um levantamento realizado pelo Instituto Locomotiva em parceria com a LCA Consultoria, segundo os quais o mercado clandestino movimenta aproximadamente R$ 40 bilhões (US$ 8 bilhões) por ano no Brasil, gerando perdas anuais de R$ 10,8 bilhões (US$ 2,16 bilhões) em arrecadação pública. O instituto contrastou esses números com a contribuição do mercado regulado: R$ 9,95 bilhões em tributos e destinações legais ao longo de 2025, com recursos direcionados a esporte, educação, turismo e segurança pública. A entidade também alertou que "restrições excessivas à publicidade das empresas reguladas tendem a produzir efeito contrário ao desejado: enfraquecem os operadores autorizados e ampliam a visibilidade de plataformas clandestinas que não seguem regras, não pagam tributos e não oferecem qualquer garantia ao apostador". O IBJR concluiu a nota afirmando que "permanece à disposição dos organizadores do movimento para contribuir tecnicamente com o debate e esclarecer informações que possam gerar confusão entre mercado regulado e mercado ilegal".
A campanha e seus apoiadores
Criada pela empresa 342 Artes e lançada oficialmente na terça-feira (2), a campanha "Block no Tigrinho" tem como slogan "De que lado da influência você está?" e convoca a população a assinar um manifesto e compartilhar conteúdos de conscientização nas redes sociais. O vídeo principal reúne nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Djavan, Marieta Severo, Paulinho da Viola, Claudia Abreu, Camila Pitanga, Letícia Sabatella e Luisa Arraes, que abordam dados sobre o crescimento do vício em apostas e os impactos financeiros sobre famílias brasileiras. Até a sexta-feira (5), o perfil oficial da campanha no Instagram havia ultrapassado 64 mil seguidores, com quase 12 mil assinaturas no manifesto e mais de 94 mil seguidores somados nas diferentes plataformas digitais.
Debate legislativo em andamento
O tema também avança no Congresso Nacional. Em fevereiro, a Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado aprovou o Projeto de Lei nº 3.563/2024, de autoria do senador Randolfe Rodrigues e com relatoria da senadora Damares Alves, que propõe proibir a publicidade, o patrocínio e a promoção de apostas esportivas e jogos online. A proposta ainda precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, depois pelo plenário da Casa e, em seguida, pela Câmara dos Deputados, antes de uma eventual sanção presidencial. Se aprovada, a medida impediria clubes, federações e estádios de exibir marcas de casas de apostas em uniformes e espaços publicitários, além de proibir o patrocínio de eventos culturais e cívicos e a promoção do setor por influenciadores e celebridades.
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