📅 Atualizado 3× ao dia · Mercado regulado pela SPA/MF
Leaderboard 728×90
Jogo Responsável

Campanha "Block no Tigrinho" usa dados que contradizem estatísticas oficiais do governo

Vídeo protagonizado por artistas mobilizados pela produtora Paula Lavigne apresenta números sobre apostas que não se sustentam diante dos dados divulgados pelo Ministério da Fazenda.

Foto: UMUT 🆁🅰🆆 / Pexels

O grupo 342 Artes, coordenado pela empresária e produtora cultural Paula Lavigne, lançou uma campanha chamada "Dê Block no Tigrinho", com um vídeo protagonizado por artistas de diferentes gerações da música e do audiovisual brasileiros. Segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo, Lavigne contatou pessoalmente os profissionais para participar da iniciativa, cujo objetivo declarado é alertar a sociedade sobre os impactos financeiros e psicológicos das plataformas de apostas online, especialmente entre jovens, famílias e pessoas em situação de vulnerabilidade.

No entanto, parte dos dados apresentados no vídeo é contestada pelo setor regulado de apostas e não se sustenta diante das estatísticas oficiais divulgadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA-MF). O material afirma que "57% dos hoje endividados começaram com as Bets". Com base nos 83,3 milhões de negativados registrados pelo Serasa, essa proporção equivaleria a 47,4 milhões de brasileiros que teriam se endividado por causa de apostas. O problema é que os dados do próprio Ministério da Fazenda apontam que apenas 25,2 milhões de CPFs realizaram apostas em 2025 — número inferior ao de endividados que a campanha atribui às bets.

Outra afirmação contestada diz que "desde 2023, R$ 143 bilhões saíram do mercado e foram parar nas apostas online". Para que esse valor fosse correto, os apostadores precisariam ter perdido cerca de R$ 48 bilhões por ano. O único dado oficial disponível é o GGR (Gross Gaming Revenue, ou receita bruta de jogos) de 2025, que totalizou R$ 36.959.783.379,70 — quantia já expressiva, mas significativamente abaixo do que o vídeo sugere. O ticket médio mensal registrado foi de R$ 122,00 por apostador, o que corresponde a 12,96% da população brasileira. O vídeo ainda afirma que 66,8% dos apostadores apresentam uso problemático, o que resultaria em cerca de 16,8 milhões de pessoas. A estimativa destoa das referências da Organização Mundial da Saúde que, pela CID-11 (código 6C50), situa a prevalência do transtorno do jogo entre 1% e 3% da população geral globalmente.

As 84 empresas que operam as 193 marcas autorizadas pela SPA-MF dizem compartilhar as preocupações com os problemas sociais mencionados na campanha, mas rejeitam os números utilizados. O setor regulado argumenta que opera sob fiscalização federal, recolhe tributos e segue normas de proteção ao consumidor, e sustenta que campanhas baseadas em estatísticas imprecisas podem, na prática, beneficiar plataformas ilegais — que não estão sujeitas a qualquer regulação ou controle governamental. A SPA-MF, vinculada ao Ministério da Fazenda, é o órgão responsável por licenciar, fiscalizar e regulamentar o mercado de apostas esportivas de quota fixa no Brasil, atividade que passou a operar de forma regulada a partir de 2025.

O debate em torno da campanha evidencia a tensão crescente entre movimentos de conscientização sobre o jogo responsável e um setor que busca consolidar sua legitimidade no ambiente regulado. A precisão dos dados utilizados em campanhas públicas tem relevância direta nesse contexto: números superestimados podem distorcer o debate sobre políticas públicas e sobre os limites entre a proteção ao consumidor e a restrição de uma atividade legalizada pelo governo federal.

Fonte original
Com informações de BNLData →

Esta notícia foi reescrita pela redação do BetNotícias com base em apuração de terceiros. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

18+ Conteúdo informativo. Apostas são destinadas a maiores de 18 anos e envolvem risco financeiro. Jogue com responsabilidade. O BetNotícias não opera apostas nem faz indicação de casas.
# regulação# jogo responsável# desinformação# dados