IBIA: regulação brasileira amplia detecção de apostas suspeitas, diz CEO Khalid Ali
O número de alertas de integridade envolvendo o Brasil saltou de 7 para 25 entre 2024 e 2025, reflexo direto da entrada dos operadores no mercado regulado, segundo o CEO da International Betting Integrity Association.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A entrada em operação do mercado regulado de apostas esportivas no Brasil, em 2025, já produziu resultados concretos no monitoramento da integridade esportiva. De acordo com Khalid Ali, CEO da International Betting Integrity Association (IBIA), o número de alertas sobre atividades suspeitas envolvendo o país passou de 7, em 2024, para 25, em 2025 — aumento que, segundo ele, não indica necessariamente uma piora no cenário de ameaças, mas sim uma capacidade significativamente maior de detectar e tratar os riscos. "Isso confirma que nossa capacidade de detectar e tomar medidas contra atividades suspeitas aumentou de forma significativa", afirmou o executivo em entrevista ao SBC Notícias Brasil.
Regulação como pilar da integridade
Para Ali, a criação de um arcabouço regulatório sólido é condição indispensável para enfrentar a manipulação de resultados. O executivo destacou que o mercado brasileiro — o maior da América Latina — foi estruturado com exigências de integridade semelhantes às adotadas em Ontário, no Canadá, onde o mercado regulado de jogos online foi lançado em 2022 e já atingiu taxa de canalização de aproximadamente 91%. No caso do Brasil, a projeção é alcançar cerca de 80% de canalização até 2030, com a receita bruta de jogos (GGR) das apostas esportivas estimada em R$ 28,8 bilhões (US$ 4,7 bilhões). Segundo o CEO da IBIA, os membros da associação respondem por aproximadamente 90% do volume de apostas dos operadores licenciados pelo governo federal brasileiro.
Ferramentas e cooperação institucional
A IBIA opera a Global Monitoring and Alert Platform (Global MAP), atualizada em 2024, que monitora mais de US$ 300 bilhões em volume de apostas esportivas e mais de 1,5 milhão de eventos esportivos por ano, com o suporte de mais de 90 operadores. Ali ressaltou que a plataforma vai além do acompanhamento de variações nas cotações: ela analisa dados em nível de conta fornecidos pelos próprios operadores, o que é essencial para identificar manipulações em microeventos e mercados secundários — segmentos com menor liquidez, nos quais movimentações suspeitas nem sempre geram mudanças visíveis nos preços. No âmbito brasileiro, a IBIA firmou acordos de cooperação com o Ministério do Esporte e o Ministério da Fazenda, e realizou em abril um Grupo de Trabalho de Integridade que reuniu autoridades governamentais, organizações esportivas e operadores licenciados para compartilhar conhecimento e fortalecer respostas operacionais.
Duas prioridades para o setor
Questionado sobre qual ação prioritária recomendaria ao setor, Ali elencou duas frentes complementares. A primeira é a construção de uma cultura sólida de integridade esportiva, com educação contínua de atletas e demais participantes do ecossistema sobre os riscos, as pressões e as consequências do envolvimento em esquemas de manipulação. A segunda é a transformação de dados e conhecimento especializado em inteligência acionável, capaz de antecipar ameaças em vez de apenas reagir a elas. "Os métodos utilizados por criminosos estão se tornando mais rápidos, sofisticados e cada vez mais interconectados", alertou o executivo, acrescentando que o monitoramento baseado exclusivamente em movimentações de cotações já não é suficiente. Ali participará do painel "Modern Manipulation: Are Today's Integrity Tools Built for Yesterday's Threats?" durante o SBC Summit 2026, evento previsto para ocorrer em Lisboa, entre 29 de setembro e 1º de outubro de 2026.
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