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Regulação

Governo bloqueia 506 sites ilegais de apostas e mapeia 43 canais no Telegram

Força-tarefa dos Ministérios da Justiça e da Fazenda também identificou cerca de 1.960 anúncios no Google e publicidade irregular na Meta após a entrada em vigor da MP das Bets.

Governo bloqueia 506 sites ilegais de apostas e mapeia 43 canais no Telegram

Imagem ilustrativa gerada por IA

Uma força-tarefa formada pelos Ministérios da Justiça e da Fazenda derrubou 506 domínios com indícios de oferta irregular de apostas no Brasil. O levantamento foi conduzido pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) em conjunto com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), a Secretaria Nacional do Consumidor (SENACON) e a Secretaria de Direitos Digitais (SEDIGI). O objetivo é cortar o acesso a plataformas que operam sem autorização e impedir que novos endereços sejam utilizados para contornar a proibição estabelecida pela Medida Provisória que vedou a exploração e a publicidade de apostas no país.

Telegram com 212 mil membros em canais ilegais

Além dos sites, o governo identificou 43 canais e grupos ativos no Telegram ligados à divulgação de bets sem licença. Juntos, esses espaços reúnem 212.634 membros. Nove canais concentram a maior parte do público: com mais de 10 mil integrantes cada, eles somam 172.359 usuários — equivalente a 81% do total mapeado. O maior canal tem 42.791 membros e é dedicado à divulgação de sinais para jogos de cassino. Outro, com 28.601 integrantes, promove o Fortune Tiger, popularmente conhecido como "Jogo do Tigrinho", direcionando participantes para páginas de apostas. Entre os conteúdos encontrados estavam promessas de "260% de lucro mensal", oferta de "robôs" para apostas e alegações de taxa de acerto de até 99,8%.

Publicidade irregular em Meta, Google e TikTok

O Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab/SENASP) produziu um relatório técnico datado de 27 de setembro analisando anúncios de apostas veiculados na Meta, no Google e no TikTok direcionados ao público brasileiro. Na Meta, foram documentados individualmente sete anúncios: dois deles passaram a circular em 25 de setembro, já após a entrada em vigor da MP — e são tratados pelo relatório como infrações desde o início da veiculação. Os outros cinco já estavam ativos antes da publicação da medida e permaneciam no ar, ainda dentro do prazo de dez dias que a legislação concedeu para retirada de publicidade preexistente — prazo que, segundo a análise, se encerrava em 5 de outubro. Entre os conteúdos encontrados havia chamadas para cadastro, oferta de bônus e incentivos como "Convide amigos e ganhe R$ 888" e "Ganhe R$ 50 grátis". O relatório aponta que alguns anúncios usavam nomes de páginas e links que não correspondiam às marcas exibidas, o que pode indicar ocultação do anunciante real e do destino do tráfego. No Google, o Ciberlab encontrou cerca de 1.960 anúncios referentes a sete domínios exibidos no Brasil entre os dias 25 e 27 de setembro, com chamadas como "Deposite agora e jogue Aviator" e "Jogue joguinhos valendo dinheiro e teste sua sorte". A plataforma de transparência do Google, no entanto, não informa a data de início de cada anúncio, o que impediu separar quais eram novos dos que ainda estavam no prazo legal de retirada. Já no TikTok, a verificação não foi possível porque a biblioteca pública de anúncios da plataforma não disponibiliza o Brasil entre os países pesquisáveis.

Próximos passos: reuniões técnicas e monitoramento contínuo

O Ciberlab seguirá acompanhando as plataformas digitais para verificar a remoção dos anúncios e detectar novas formas de divulgação de apostas. O relatório propõe ainda uma reunião técnica entre SENASP, SEDIGI e SPA com representantes da Meta, do Google e do TikTok para tratar de temas como o bloqueio de novos anúncios, a identificação de páginas com identidade dissimulada e links mascarados, o tratamento de conteúdos promovidos por afiliados e influenciadores e a preservação de dados dos anunciantes identificados. O documento também recomenda a notificação imediata da Meta para retirada dos anúncios iniciados após a vigência da proibição. O bloqueio dos 506 sites e o monitoramento da publicidade digital integram uma estratégia mais ampla do governo para impedir que a oferta irregular de apostas migre para novos domínios, aplicativos ou outros caminhos no ambiente online.

Análise BetNotícias
Canais no Telegram mapeados com divulgação de bets ilegais
MétricaQuantidade/Valor
Total de canais e grupos identificados43
Membros totais212.634
Canais com mais de 10 mil integrantes9
Membros nos 9 maiores canais172.359
Percentual de usuários concentrado nos 9 maiores canais81%
Membros do maior canal42.791
Membros do segundo maior canal (Fortune Tiger)28.601

O que isso muda na regulação

  • O governo bloqueou 506 sites ilegais de apostas e identificou 43 canais no Telegram com 212.634 membros propagandeando bets irregulares, sinalizando intensificação da repressão à oferta não autorizada após a proibição.
  • A identificação de aproximadamente 1.960 anúncios no Google e sete anúncios na Meta circulando durante e após a vigência da Medida Provisória indica que plataformas digitais ainda estão veiculando publicidade de apostas em desacordo com o prazo legal de dez dias para retirada.

Entenda os termos

Medida Provisória (MP)
Ato normativo de caráter emergencial, editado pelo Poder Executivo, que tem força de lei, mas requer aprovação do Congresso para permanecer em vigor.
SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas)
Órgão do Ministério da Fazenda responsável pela regulação, autorização e fiscalização das apostas legalizadas no Brasil.
Ciberlab/SENASP
Laboratório de Operações Cibernéticas da Secretaria Nacional de Segurança Pública, encarregado de monitorar atividades ilícitas no ambiente digital.
Domínios
Endereços de sites na internet (exemplo: www.aposta.com.br); neste contexto, sites que oferem apostas sem autorização do governo.
Fonte original
Com informações de iGaming Business Brasil →

A apuração inicial deste fato é de iGaming Business Brasil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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