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Apostas Esportivas

Genius Sports detalha vigilância na Copa: "manipulação não começa no dia do jogo"

Tiago Horta Barbosa, Head de Integridade para a América Latina da empresa, explica como funciona o monitoramento de apostas antes, durante e após as partidas do Mundial.

Genius Sports detalha vigilância na Copa: "manipulação não começa no dia do jogo"

Imagem ilustrativa gerada por IA

A Copa do Mundo de 2026, a maior da história com 48 seleções e 104 jogos, coloca em evidência um trabalho que começa muito antes do apito inicial: o monitoramento da integridade esportiva. Tiago Horta Barbosa, Head de Integridade para a América Latina da Genius Sports — empresa que integra a Força-Tarefa de Integridade criada pela FIFA para o torneio —, explica que a vigilância sobre os mercados de apostas se inicia semanas antes de qualquer partida. "A manipulação de resultados não começa necessariamente no dia do jogo. Muitas vezes, os sinais de risco aparecem antes: em movimentações atípicas de mercado, em informações sensíveis sobre atletas, em contextos econômicos, disciplinares ou competitivos, ou mesmo em abordagens indevidas a pessoas próximas ao ambiente esportivo", afirma.

Mais seleções, maior superfície de risco

A ampliação do torneio de 32 para 48 seleções trouxe desafios concretos para as equipes de integridade. Na avaliação de Barbosa, o aumento é direto: mais atletas, mais partidas, mais mercados de apostas abertos e maior volume de dinheiro circulando. "Mais seleções implica um maior quantitativo de atletas, mais jogos, mais mercados de apostas disponíveis, mais informações e dinheiro circulando e, consequentemente, uma superfície de risco mais ampla", detalha. Ele chama atenção, ainda, para a disparidade econômica e institucional entre algumas federações participantes — não como presunção de irregularidade, mas como variável técnica que exige monitoramento mais cuidadoso. Outro ponto de alerta são as chamadas prop bets, apostas em eventos individuais de atletas, como cartões, número de finalizações, gols ou passes. "Esses mercados são cada vez mais populares e exigem atenção especial porque, em alguns casos, podem estar associados a eventos mais fáceis de serem influenciados por um único participante do jogo", relata.

Como o monitoramento funciona na prática

Na rotina da Genius Sports durante a competição, o acompanhamento de uma partida da Seleção Brasileira, por exemplo, envolve três fases distintas. Antes do jogo, a análise recai sobre variações de odds, volumes apostados e quaisquer sinais de inteligência relevantes. Durante a partida, o foco se volta para oscilações ao vivo e comportamentos inesperados nos mercados em tempo real. Após o apito final, a investigação segue caso alguma anomalia tenha sido identificada. "Em integridade esportiva, não se analisa apenas a equipe de maior ou menor vulnerabilidade ou o mercado de apostas mais popular. Analisa-se o evento como um todo", ressalta Barbosa. O executivo também destaca o papel dos próprios atletas nesse processo: "O atleta precisa saber que não pode apostar, que não pode compartilhar informação sensível, que deve reportar qualquer abordagem suspeita e que pequenos comportamentos podem gerar grandes consequências regulatórias, disciplinares e reputacionais".

Brasil regulado e os desafios da Copa Feminina de 2027

Esta edição da Copa do Mundo é a primeira disputada com o mercado brasileiro de apostas esportivas regulamentado — processo conduzido pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, que passou a licenciar operadores e exigir políticas de compliance, jogo responsável e prevenção à lavagem de dinheiro. Para Barbosa, a chegada de novos apostadores durante o torneio exige atenção redobrada dos operadores, já que contas recém-criadas têm histórico insuficiente para análises comportamentais mais robustas. Ele também lança o olhar para o Brasil de 2027, quando o país sediará a primeira Copa do Mundo Feminina da América do Sul. "Em modalidades ou competições que ainda movimentam valores inferiores aos do futebol masculino, podem existir vulnerabilidades econômicas mais sensíveis. Isso não significa afirmar que o futebol feminino seja mais propenso à manipulação, mas reconhecer que contextos de menor remuneração, menor estrutura e menor proteção institucional exigem políticas preventivas mais robustas", pontua. Para o executivo, o recado ao apostador também é direto: "Apostar em ambiente regulado é mais seguro, mas isso não elimina os riscos individuais. A responsabilidade também passa pelo comportamento do consumidor".

Fonte original
Com informações de iGaming Brazil →

Esta notícia foi reescrita pela redação do BetNotícias com base em apuração de terceiros. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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