Como a tecnologia vai definir o sucesso das apostas na América Latina durante a Copa
Com o mercado brasileiro regulado desde 2025 e a Copa do Mundo de 2026 no horizonte, operadores apostam na inovação tecnológica como principal diferencial competitivo na região.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Em junho de 2026, o Estádio Azteca, na Cidade do México, receberá a partida inaugural da Copa do Mundo da FIFA entre México e África do Sul. O palco já é histórico: foi lá que o Brasil de Pelé conquistou a Copa Jules Rimet pela terceira vez, em 1970, e onde Maradona protagonizou seu maior espetáculo em 1986. Mas o torneio deste ano terá uma novidade significativa para o mercado de apostas: pela primeira vez, torcedores brasileiros poderão fazer suas apostas em jogos da Copa de forma completamente legal, após a abertura do mercado regulado no início de 2025. Com a seleção brasileira em busca do hexacampeonato, a expectativa é de que milhões de apostadores se somem a mercados já mais consolidados, como o mexicano e o colombiano.
Tecnologia no centro da disputa
No Brasil, onde as casas de apostas licenciadas travam uma disputa acirrada por clientes, o diferencial competitivo tem migrado do volume de investimento em marketing para a qualidade da tecnologia, a sofisticação das transações e a diversidade de produtos. Entre os operadores que buscam essa vantagem estão Superbet, KTO e Stake — três das principais marcas do país que utilizam tecnologia da Kambi, fornecedora que afirma processar mais de 50% de todas as apostas realizadas na América Latina. KTO e Stake adotam a solução completa de apostas esportivas da empresa, enquanto a Superbet incorporou recentemente o Odds Feed+, produto voltado para cotação e trading. Para Mateo Lenoble, diretor de Vendas da Kambi para a América Latina, o sucesso no Brasil dependerá da capacidade de combinar tecnologia avançada com conhecimento profundo da cultura local. "Apostadores brasileiros sempre estão atentos ao que é novo ou diferente", afirma. "Antes, as funções de retirada antecipada eram tendência. Agora, o Bet Builder é muito popular — ele permite criar apostas muito mais personalizadas e atrativas".
América Latina não é um mercado único
Um erro recorrente entre operadores que tentam ingressar na região é tratar a América Latina como um bloco homogêneo. O futebol responde por cerca de 90% do volume de apostas na maior parte dos países, mas outros esportes têm relevância muito distinta dependendo do mercado. Esportes norte-americanos têm forte apelo no México e em países da América Central e Caribe, enquanto a Liga de Beisebol dos Estados Unidos (MLB), de pouco interesse no Brasil, é um dos esportes mais acompanhados na República Dominicana. A Kambi acumula mais de uma década de atuação na Colômbia, em parceria com a BetPlay, líder do mercado local, e ressalta que a localização vai além do idioma. "Aspectos como as cotas, os métodos de pagamento, as transações e a oferta de produtos precisam ser adaptados às particularidades de cada mercado", destaca Lenoble. "Empresas que operam em múltiplas jurisdições também precisam garantir o cumprimento das exigências regulatórias de cada uma delas".
IA, margens e o potencial de crescimento
A Kambi prevê um marco tecnológico relevante para meados de 2026: a implementação de transações de apostas movidas integralmente por inteligência artificial durante a Copa do Mundo. Atualmente, a IA já responde por mais de 60% de todas as transações processadas pela rede global da empresa. Segundo a companhia, a tecnologia permite oferecer cotas mais precisas, processamento mais ágil e margens mais sólidas para os operadores. O potencial de crescimento do Brasil é evidenciado por um dado concreto: enquanto operadores de outros países da América Latina registram margens em apostas esportivas próximas a 13%, parte dos operadores brasileiros ainda opera entre 6% e 7%, o que indica espaço considerável para amadurecimento do mercado. O primeiro ano do mercado regulado brasileiro gerou US$ 7 bilhões em receita bruta de jogo — resultado que, ao mesmo tempo, gerou críticas e acendeu o debate sobre problemas relacionados ao jogo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a mencionar a possibilidade de proibir as apostas, mas ajustes mais pontuais, como o aumento do imposto sobre apostas de 12% para 15%, parecem ser o caminho mais provável. "Não acredito que haverá uma mudança drástica no Brasil", avalia Lenoble. "As regulações do mercado legalizado já têm vários anos de vigência e as apostas vieram para ficar".
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