Clubes paulistas se reúnem na FPF para avaliar impacto da proibição das bets
Dez equipes de São Paulo que disputam Série A e Série B do Brasileirão se encontraram nesta segunda-feira (28) para discutir alternativas após a MP 1.394 vedar as apostas online no país.
Foto: Quyn Phạm / Pexels
Representantes de dez clubes paulistas das duas principais divisões do futebol nacional se reuniram na tarde desta segunda-feira (28) na sede da Federação Paulista de Futebol (FPF), em São Paulo. O encontro emergencial foi convocado para discutir como minimizar os efeitos financeiros da Medida Provisória nº 1.394, assinada pelo presidente Lula na última sexta-feira (25), que proíbe as apostas de quota fixa no Brasil. Participaram da reunião representantes de Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo, Red Bull Bragantino, Mirassol, Novorizontino, São Bernardo, Botafogo de Ribeirão Preto e Ponte Preta.
A FPF coordenou as conversas e já havia assinado, junto a outras entidades do futebol, o manifesto intitulado "O fim do futebol brasileiro", divulgado após a edição da MP. Segundo o jornal Estadão, os clubes pretendem levar suas preocupações diretamente ao governo federal. Para isso, está prevista para esta terça-feira (29) uma reunião entre representantes da União, dos times e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), embora o Ministério do Esporte ainda não tenha confirmado oficialmente a agenda.
O impacto potencial é significativo. Em 2025, as casas de apostas injetaram mais de R$ 1 bilhão nos clubes brasileiros por meio de contratos de patrocínio, e 14 dos 20 clubes da Série A tinham patrocinadores máster do setor. As exceções eram Athletico-PR, Bahia, Coritiba, Internacional, Mirassol e Red Bull Bragantino. Além disso, o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil — as duas maiores competições da CBF — eram patrocinados pela Betano, incluindo os naming rights. A presença das empresas do setor também se estendia às placas de publicidade nos estádios e aos anúncios nas transmissões televisivas e digitais.
Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports e um dos mais influentes nomes do marketing esportivo brasileiro, alertou para a ruptura de previsibilidade como o principal problema. "Os clubes trabalham com orçamentos anuais e planejamentos esportivos que consideram receitas de patrocínio, muitas vezes provenientes de contratos com vários anos de duração. Uma interrupção inesperada pode exigir ajustes em investimentos, contratações, estrutura e projetos de médio prazo", afirmou. Wolff acrescentou que o patrocínio vai além da exposição de marca na camisa: "também envolve recursos destinados à infraestrutura, às categorias de base e a outras áreas da operação. Dependendo do peso dessa receita no orçamento de cada instituição, a necessidade de encontrar uma substituição rapidamente pode afetar diretamente a capacidade de investimento e, consequentemente, a competitividade esportiva".
Pela MP 1.394, as empresas de apostas têm até as 23h59 do dia 5 de outubro para remover toda a publicidade, incluindo as marcas estampadas nas camisas e demais materiais dos clubes. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que os apostadores também terão até essa mesma data e horário para resgatar os saldos mantidos nas plataformas. No dia seguinte, os aplicativos e sites devem ser retirados do ar. O Congresso Nacional terá 120 dias para deliberar sobre a medida — se não for convertida em lei, a MP perderá a validade.
| Situação | Quantidade de clubes | Exemplos |
|---|---|---|
| Com patrocínio máster de casas de apostas | 14 de 20 | Não especificados no material |
| Sem patrocínio máster de casas de apostas | 6 de 20 | Athletico-PR, Bahia, Coritiba, Internacional, Mirassol, Red Bull Bragantino |
O que muda para as operadoras
- Catorze dos 20 clubes da Série A perdem receitas de patrocínio máster que somaram mais de R$ 1 bilhão em 2025, forçando replanejamento orçamentário e possível redução de investimentos em contratações, infraestrutura e categorias de base.
- As duas maiores competições da CBF (Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil) perdem sua principal fonte de patrocínio (Betano) e terão de buscar substituição enquanto o Congresso decide sobre a conversão da MP em lei até 120 dias.
- O horizonte de incerteza regulatória impede planejamentos de médio prazo, afetando a competitividade das equipes que dependem de receitas contratualmente comprometidas para mais de uma temporada.
Entenda os termos
- Medida Provisória (MP)
- Ato legislativo provisório com força de lei, editado pelo presidente da República em caso de urgência ou relevância, que deve ser apreciado pelo Congresso Nacional em até 120 dias para se converter em lei permanente ou perder a validade.
- Patrocínio máster
- Principal contrato de patrocínio de uma entidade (clube, competição), onde a marca patrocinadora obtém maior exclusividade e visibilidade em relação a outros patrocinadores.
- Naming rights
- Direito de uma marca empresarial de nomear oficialmente um evento, competição, estádio ou arena, ganhando visibilidade ampla associada àquela atividade.
A apuração deste fato é de iGaming Brazil. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



