CEO da Pay4Fun: "Para combater o mercado ilegal, é preciso seguir o dinheiro"
Em entrevista exclusiva, Leonardo Baptista, CEO e cofundador da Pay4Fun, detalha como a empresa está gerindo os prazos da MP 1.394 e defende que o rastreamento financeiro é a chave para enfrentar as plataformas clandestinas.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Com a proibição das apostas de quota fixa no Brasil pela Medida Provisória nº 1.394, assinada em 25 de setembro de 2026, as empresas de meios de pagamento passaram a operar em ritmo de emergência. Os apostadores tiveram até o dia 5 de outubro para solicitar voluntariamente a retirada de seus saldos nas plataformas. A partir do dia 6, os sites devem sair do ar, e entre os dias 9 e 14 cabe aos bancos e instituições de pagamento devolver os recursos remanescentes aos usuários. Para o CEO e cofundador da Pay4Fun, Leonardo Baptista, o maior obstáculo desse processo não é técnico, mas de tempo. "O principal desafio é executar um processo que normalmente levaria muito mais tempo dentro de uma janela bastante curta, sem abrir mão dos controles necessários", afirmou.
Baptista descreveu a operação como extremamente complexa: são milhões de registros a conciliar, titulares a identificar e transferências a realizar com segurança. A Pay4Fun, segundo ele, foi a primeira instituição de pagamento do setor a obter autorização do Banco Central, e destaca que a prioridade absoluta da empresa neste momento é garantir a devolução dos recursos aos usuários "em conformidade com a regulamentação e com os prazos estabelecidos pelas autoridades". Sobre o impacto nos negócios, o executivo reconheceu tratar-se de "uma mudança estrutural", já que a empresa construiu sua operação ao longo de anos num mercado que passou por um relevante processo de regulamentação em 2025, antes de ser proibido pela MP no ano seguinte.
Bloqueio de sites não basta: a defesa do rastreamento financeiro
Na avaliação do CEO, o combate ao mercado ilegal de apostas não pode depender apenas da derrubada de domínios na internet. "Um domínio pode ser derrubado e outro pode aparecer rapidamente. O ponto central é interromper o fluxo financeiro que sustenta essa operação", disse Baptista. Ele elogiou a determinação do Banco Central, que passou a exigir que instituições financeiras e de pagamento impeçam o processamento de transações destinadas a plataformas de apostas. Mas alertou que a efetividade do combate depende da capacidade de identificar estruturas criadas para disfarçar o destino final dos recursos — empresas interpostas, contas intermediárias e outros mecanismos de dissimulação. "Quanto mais rápido as instituições conseguirem compartilhar informações dentro dos limites legais e regulatórios e identificar essas estruturas, mais eficiente será a fiscalização", defendeu.
Baptista também se pronunciou sobre a queda de aproximadamente 10% no volume de transações via Pix registrada pelo Banco Central nos três dias seguintes à publicação da MP. Para ele, é preciso cautela antes de atribuir esse recuo exclusivamente à proibição das bets. "O próprio Banco Central ressalvou que esses dados, isoladamente, não permitem estabelecer uma relação direta entre a queda e a proibição das bets", lembrou. O executivo reconheceu que o setor de apostas utilizava intensamente o Pix, o que naturalmente pode se refletir nos dados agregados, mas frisou que "é diferente dizer que a queda do Pix como um todo foi causada pela proibição das bets". Por fim, reforçou que o enfrentamento ao mercado clandestino exige uma atuação em cadeia: "O combate ao ilegal precisa ser contínuo e envolver Banco Central, Ministério da Fazenda, instituições financeiras, instituições de pagamento, autoridades policiais e demais órgãos de fiscalização."
O que isso muda na regulação
- A Pay4Fun executa a transição forçada pela proibição dentro de prazos apertados (saques voluntários até 5/10, devoluções obrigatórias entre 9 e 14/10), operação que envolve milhões de registros, conciliação financeira e identificação de titulares.
- O CEO defende que o combate ao mercado ilegal depende menos de bloquear sites e mais de rastrear e interromper fluxos financeiros — uma missão que exige compartilhamento de informações entre instituições de pagamento, Banco Central e órgãos de fiscalização.
- Os dados de queda de transações via Pix observados após a MP não permitem concluir que a proibição das bets foi a causa isolada, dada a magnitude e complexidade do sistema — o desafio real está em distinguir transações ilícitas entre estruturas que mascaram o destino final dos recursos.
Entenda os termos
- Instituição de pagamento
- Empresa autorizada pelo Banco Central para processar, liquidar e viabilizar transações financeiras, como a Pay4Fun.
- Quota fixa
- Modalidade de aposta em que o retorno é predeterminado no momento da aposta — proibida pela Medida Provisória nº 1.394 em setembro de 2026.
- Compliance
- Conjunto de controles e procedimentos internos que garantem conformidade com leis, regulamentações e políticas da instituição.
- Pix
- Sistema de transferência de dinheiro instantânea operado pelo Banco Central, amplamente usado como meio de pagamento nas plataformas de apostas.
A apuração deste fato é de iGaming Brazil. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



