CEO da BetConstruct aponta desafios na Europa e oportunidades na América Latina
Lena Yasir defende que parceiros tecnológicos sólidos serão cada vez mais decisivos em mercados regulamentados, e vê no Brasil um cenário complexo, mas estratégico.
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Em entrevista ao SBC News, Lena Yasir, CEO da BetConstruct, traçou um panorama dos principais obstáculos e oportunidades que as operadoras de iGaming enfrentam ao expandir sua presença internacionalmente. Na segunda parte da conversa — na primeira, ela abordou o papel da empresa diante da crescente complexidade regulatória global —, a executiva discutiu desde o endurecimento das regras na Europa até a fragmentação cultural da América Latina e os desafios específicos do mercado brasileiro.
Europa: mais complexa, mas ainda viável
O continente europeu concentra alguns dos cenários mais desafiadores para operadoras. Nos últimos dois anos, Reino Unido, Países Baixos, Itália, França e Bulgária elevaram impostos sobre o setor, enquanto Alemanha, Bélgica, Polônia e Romênia reformularam suas estruturas regulatórias. Yasir reconheceu o impacto dessas mudanças, mas defendeu que a região segue viável para quem dispõe da infraestrutura correta. "A Europa está se tornando mais desafiadora para as operadoras. A regulamentação está mais rígida, e as empresas precisam ter mais cuidado com o compliance. O jogo responsável é uma questão muito importante, assim como o marketing. É justamente nesse ponto que a nossa tecnologia se torna ainda mais relevante", afirmou. Para a CEO, ferramentas de dados, CRM, gestão de risco e inteligência artificial ganham peso justamente quando os custos operacionais e tributários aumentam. "Quando os custos e os impostos aumentam, as operadoras precisam tomar decisões mais inteligentes. Acredito que parceiros tecnológicos sólidos se tornarão ainda mais importantes nos mercados regulamentados", completou.
América Latina: potencial alto, mas localização é essencial
Do outro lado do Atlântico, a América Latina surge como uma região de forte potencial de crescimento, impulsionada pela regulamentação de mercados como Peru, México e Colômbia nos últimos anos. No entanto, Yasir alertou para um equívoco comum entre operadoras internacionais: tratar a região como um bloco homogêneo. Além das diferenças culturais entre países, o sucesso na América Latina depende de meios de pagamento locais, conteúdo adaptado, boa experiência mobile e relacionamento consistente com o jogador. "A América Latina apresenta um potencial de crescimento muito forte, mas o sucesso dependerá da localização, do compliance, da retenção e da confiança na marca a longo prazo", declarou a executiva. A BetConstruct, segundo ela, tem investido em equipes e conhecimento regionais para apoiar operadoras que queiram entrar nesses mercados com mais segurança.
Brasil: grande oportunidade, complexidade crescente
O Brasil ocupa posição central nessa estratégia, mas também concentra grande parte das incertezas. Com mais de 200 milhões de habitantes, forte cultura esportiva e um mercado informal consolidado antes da regulamentação — que entrou em vigor em 2025, sob gestão da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda —, o país atraiu operadoras locais e internacionais. Porém, o ambiente ficou mais instável do que o esperado. O governo federal passou a adotar uma postura mais crítica em relação ao próprio marco regulatório implementado há cerca de 18 meses, e há previsão de aumento da alíquota de tributação de 12% para 15%. "O Brasil atraiu muitas operadoras e chamou a atenção de empresas locais e internacionais. A oportunidade no país é muito grande. Mas também é um mercado muito complexo", ponderou Yasir. A CEO manteve o otimismo com o potencial brasileiro no longo prazo, mas foi enfática quanto às exigências: "As operadoras precisarão de mais do que grandes orçamentos de marketing. Elas precisarão de produtos sólidos, boas opções locais de pagamento, um CRM eficiente, ferramentas de jogo responsável e tecnologia confiável".
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