CEO da CDA Gaming defende fusão das associações de bets em entidade única no Brasil
Márcio Falcão propôs, durante a SBC Summit em Lisboa, a criação de uma "NewCo" unificada para representar o setor, com autorregulação, publicidade responsável e ouvidoria própria.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Na terça-feira (29), à margem da SBC Summit em Lisboa, o CEO da CDA Gaming, Márcio Falcão, defendeu publicamente a fusão das associações brasileiras de apostas em uma única entidade nacional. O executivo participou de um painel que reuniu representantes de cinco entidades do setor — ANJL, Abrajogo, Amig, Arko Advice e IBJL — e aproveitou o espaço para lançar a proposta de criação de uma organização que chamou de "NewCo". Falcão afirmou não integrar nenhuma das associações existentes por não se sentir representado por elas.
Na visão do executivo, a fragmentação da representação institucional do setor é parte do problema enfrentado pelo mercado diante da Medida Provisória nº 1.394, editada em setembro de 2026, que proibiu as apostas de quota fixa no país. "Não parece fazer sentido um setor que enfrenta um dos momentos mais delicados desde a regulamentação continuar representado por tantas associações diferentes, muitas vezes defendendo os mesmos interesses, mas falando por vozes distintas", escreveu Falcão. Na proposta, nenhuma operadora teria controle sobre a NewCo, mas todas teriam assento em um conselho representativo. A liderança poderia ser composta pelos próprios quadros que já atuam nas associações atuais, preservando, segundo ele, "conhecimento, experiência e legitimidade".
Além da unificação institucional, Falcão cobrou uma mea-culpa do setor sobre os excessos publicitários dos últimos anos. Ele citou como exemplos a venda, pela Rede Globo, de duas cotas de patrocínio a empresas do mesmo segmento durante a Copa de 2022 — algo inédito à época — e a presença de três cotas do setor nas transmissões da CazéTV em 2026. "Existiu um exagero de mídia em praticamente todos os meios de comunicação, seja na TV, nas mídias OOH ou até mesmo nas redes sociais", afirmou. O executivo propôs ainda que a publicidade orgânica de apostas nas redes sociais seja proibida, permitindo apenas anúncios pagos com segmentação controlada — medida que, segundo ele, reduziria a exposição de menores e de pessoas impedidas de apostar, além de dificultar a atuação de operadoras não autorizadas. Sugeriu também que as plataformas digitais sejam obrigadas a se integrar ao SIGAP, o sistema governamental de cadastro de apostadores impedidos.
Outro pilar da proposta é a produção sistemática de pesquisas e conteúdo informativo para combater desinformação. Falcão citou uma sequência de reportagens críticas ao setor publicadas entre junho e agosto de 2026 e alegou que o mercado não dispôs de dados próprios para contestar as informações veiculadas. "Até na edição da MP, o presidente Lula se referiu a um dado falso. É preciso ter campanhas ativas, não para dizer que as bets são 'bonitinhas', mas para proteger e informar o apostador", escreveu. A NewCo também contaria com uma ouvidoria geral para receber reclamações, orientar apostadores e identificar problemas recorrentes antes que se transformem em crises públicas. O executivo reconheceu que, para viabilizar a estrutura, a entidade precisaria arrecadar recursos entre seus associados, e encerrou com um apelo direto ao setor: "Chega de romantismo. Vamos à luta."
O que está em jogo
- O texto é um manifesto institucional de um operador e não descreve mudanças concretas ou compromissos formalizados; representa pressão do segmento pela fusão de associações e pela autorregulação ante a crise causada pela Medida Provisória que proibiu as apostas.
- A proposta de criar uma entidade única (NewCo) busca concentrar a representação fragmentada das cinco associações atuais (ANJL, Abrajogo, Amig, Arko Advice e IBJL) para falar com uma só voz junto ao governo e à sociedade.
- O pano de fundo é a ameaça imediata da MP das bets ao setor, e a argumentação reconhece que exposição excessiva de mídia e falta de autorregulação contribuíram para a reação política — sugerindo que mudanças de postura na publicidade e na conduta poderiam ter evitado parte da crise.
Entenda os termos
- SIGAP
- Sistema de Informações de Apostadores Proibidos; plataforma que centraliza dados de pessoas legalmente impedidas de apostar e deve ser consultada por plataformas e operadores para evitar que essas pessoas acessem serviços de apostas.
- Autorregulação
- Capacidade do próprio setor estabelecer e fiscalizar suas próprias regras e limites, sem depender exclusivamente de órgãos governamentais ou entidades externas.
- Domínio .bet.br
- Sufixo de endereço eletrônico exclusivo para sites de apostas autorizados no Brasil, servindo como identificador oficial de operadores legítimos perante apostadores.
- OOH (Out-of-Home)
- Publicidade em mídia exterior, como outdoors, painéis digitais e transportes públicos, dirigida ao público nas ruas e em espaços abertos.
A apuração deste fato é de BNLData. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



