Betano critica proibição das bets, mas diz que vai manter funcionários e cumprir MP
Em nota oficial, a operadora da Kaizen Gaming afirma seguir integralmente as determinações da MP 1.394/2026 e anuncia suspensão de iniciativas que dependiam do mercado regulado.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A Betano, braço brasileiro da Kaizen Gaming, divulgou nesta sexta-feira um comunicado à imprensa declarando conformidade total com a Medida Provisória nº 1.394/2026, que desde 25 de setembro proibiu a oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no país. Ao mesmo tempo, a operadora não poupou críticas à decisão, classificando-a como uma "interrupção abrupta" no processo de construção do mercado regulado brasileiro.
No texto, a empresa argumenta que a proibição coloca em risco conquistas obtidas nos últimos anos, como a implementação da autoexclusão, limites de apostas e a proteção a beneficiários do Bolsa Família — medidas viabilizadas pela regulamentação aprovada em 2025. A Betano também alertou que vedar as plataformas legais não elimina a demanda, mas pode redirecionar apostadores para operadores ilegais, que não seguem as regras brasileiras, não oferecem as mesmas proteções ao consumidor e não contribuem para a arrecadação tributária. A empresa menciona que o setor regulado havia gerado quase R$ 10 bilhões em receitas fiscais. "Proibir não é proteger. Regras, fiscalização e educação sim", afirma trecho do comunicado.
Quanto aos próximos passos internos, a Betano informou que sua prioridade imediata será preservar os postos de trabalho e honrar os compromissos já assumidos em investimentos sociais. Iniciativas que dependam da continuidade da atividade regulada, por outro lado, precisarão ser suspensas enquanto não houver definição sobre o cenário jurídico. A operadora disse ainda confiar nas instituições brasileiras e no diálogo como caminho para encontrar "uma solução que preserve os avanços alcançados com a regulamentação".
A nota da Betano foi divulgada um dia depois de o jornal Estadão reportar que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) removeu a marca da operadora dos perfis do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil nas redes sociais. A Betano detém os naming rights da Copa do Brasil e do Brasileirão, contratos firmados em 2023 e 2024, respectivamente — parcerias que agora ficam em compasso de espera diante da nova realidade legal.
A MP 1.394/2026 proíbe novos depósitos desde 25 de setembro, prevê a saída dos sites do ar em 5 de outubro, a devolução de saldos aos apostadores pelos bancos até cerca de 14 de outubro e a extinção de todas as autorizações concedidas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda em 25 de outubro. A medida tem validade de 60 dias, prorrogáveis por igual período, e ainda depende de aprovação do Congresso Nacional para se converter em lei.
O que muda para as operadoras
- A Betano cumpre a proibição imediatamente, mas questiona a abruptidão da medida e seus efeitos econômicos colaterais — mantém funcionários e investimentos sociais já comprometidos, suspende demais iniciativas dependentes do mercado regulado.
- A empresa critica que a proibição pode deslocar demanda para operadores ilegais e encerra benefícios de fiscalização e proteção ao consumidor conquistados durante o período regulamentado, além de impactar indiretamente fornecedores em tecnologia, mídia e esporte.
- A nota dialoga com o Congresso e aguarda clareza regulatória, sinalizando disposição de retomar atividades se a MP for revogada ou alterada — estratégia de manter presença no mercado sem desafiar a proibição vigente.
Entenda os termos
- Medida Provisória (MP)
- Ato normativo que o Poder Executivo edita com força de lei, em casos de relevância e urgência, e que precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional em até 60 dias para continuar válido.
- Quota fixa
- Tipo de aposta em que o pagamento é pré-determinado e conhecido no momento da colocação, diferente das apostas de odds variáveis; inclui apostas esportivas online e cassino online.
- Mercado clandestino
- Operação de apostas sem licença ou autorização do poder público, fora do controle regulatório e sem cumprimento de normas de proteção ao consumidor.
- Naming rights
- Direito contratual de uma empresa ter seu nome ou marca associado a um evento, campeonato ou entidade esportiva como patrocinadora principal.
A apuração deste fato é de SBC Notícias Brasil. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



