Bets chegam ao basquete e ao vôlei e reduzem dependência do futebol
Cerca de 25% dos clubes do NBB já têm casas de apostas como patrocinadoras; no vôlei, o movimento ainda engatinha, com apenas um time da Superliga masculina nessa condição.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Consolidadas como principal fonte de patrocínio privado no futebol brasileiro — presentes em 60% dos times da Série A e em 50% dos da Série B —, as empresas de apostas esportivas começam a ampliar sua atuação para outras modalidades. Basquete e vôlei, historicamente carentes de investimento, passam a receber os primeiros aportes do setor, ainda que em escala menor do que a observada nas divisões do Campeonato Brasileiro.
No Novo Basquete Brasil (NBB), aproximadamente 25% das equipes já contam com algum tipo de acordo com casas de apostas. No vôlei, o avanço é ainda mais tímido: somente um clube da Superliga masculina possui esse tipo de parceria. A diferença de escala em relação ao futebol reflete tanto o tamanho das audiências quanto a maturidade das negociações comerciais em cada modalidade.
A 1PRA1 é um dos exemplos de aposta — no sentido literal — nessa diversificação. A empresa patrocina o Cruzeiro Basquete e também o futebol do Avaí. Flamengo, Corinthians e Cruzeiro são os únicos clubes que recebem investimento de bets simultaneamente no basquete e no futebol. "O Brasil é uma potência no basquete e no vôlei, modalidades com um potencial gigante de engajamento que muitas vezes não recebem o apoio proporcional ao seu talento", afirmou Tiago Grecco, CMO da 1PRA1. Para ele, apoiar o Cruzeiro Basquete é "uma forma de fortalecer o mercado esportivo como um todo, impulsionando a estrutura das equipes e nos aproximando de diferentes perfis de apaixonados pelo esporte".
A expansão dos patrocínios para além do futebol também acompanha o comportamento dos usuários nas plataformas de apostas. Com exceção do futebol, as modalidades mais procuradas pelos apostadores brasileiros são UFC, tênis e basquete — o que cria um ambiente propício para que as bets enxerguem valor estratégico em associar suas marcas a esses esportes. A lógica é dupla: ampliar o reconhecimento junto a públicos distintos e, ao mesmo tempo, contribuir para a estruturação de competições que dependem de patrocínio para crescer.
O movimento ocorre em meio à regulamentação do mercado de apostas esportivas no Brasil, que passou a vigorar em janeiro de 2025 sob supervisão da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda. Com as operadoras buscando licenças e construindo reputação no país, associar a marca a modalidades esportivas variadas se torna também uma ferramenta de legitimação perante o público e os órgãos reguladores. A tendência, segundo especialistas do setor, é de que novos acordos sejam fechados nos próximos anos, à medida que o mercado se consolida e as bets aprofundam suas estratégias de presença no esporte nacional.
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