Estudo mapeia licenças, patrocínios e fornecedores do iGaming brasileiro em 2025
O "Brazilian iGaming Map", elaborado por Conrado Caon, consolida dados sobre operadores autorizados, licenciamentos estaduais e municipais, patrocínios no futebol e o ecossistema de fornecedores do setor.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O mercado regulado de apostas no Brasil encerra 2025 com um panorama mais complexo e multifacetado do que no início do ano, quando a regulamentação federal entrou em vigor. Para organizar esse cenário, Conrado Caon — fundador da plataforma de inteligência de mercado InfoPit.bet e diretor de produtos e parcerias comerciais da PayMee Instituição de Pagamentos — produziu o "Brazilian iGaming Map", documento que reúne informações sobre operadores licenciados em nível federal, estadual e municipal, além de indicadores de fusões e aquisições, patrocínios no futebol e iniciativas de jogo responsável.
Mais de 80 CNPJs autorizados pela SPA-MF
No plano federal, a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA-MF) já autorizou mais de 80 empresas — identificadas por CNPJ — a operar no país. Cada licença concedida permite a exploração de até três sites (URLs). O relatório aponta que esse licenciamento federal funciona como a espinha dorsal do novo ecossistema regulado, ao redor do qual gravitam plataformas tecnológicas, provedores de conteúdo e soluções de pagamento voltadas ao público brasileiro de apostas esportivas e cassinos online.
Seis estados com programas próprios de licenciamento
Além da esfera nacional, seis unidades da Federação já implementaram programas estaduais de licenciamento de quota fixa: Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro e Tocantins. O Rio de Janeiro lidera em volume, com 34 operações autorizadas pela Loterj — embora com atuação restrita ao território fluminense. O Paraná conta com cinco licenças concedidas pela Lottopar, e a Paraíba já aprovou seis empresas por meio da Lotep. Na leitura de Caon, uma segunda onda regulatória deverá ampliar de forma significativa a presença regional das casas de apostas nos próximos ciclos.
Municípios e a disputa no STF
O estudo também dedica atenção às iniciativas municipais de licenciamento, apontadas como um dos capítulos mais sensíveis do iGaming no Brasil. Muitos desses projetos ainda estão em fase de implementação, mas o relatório alerta que a expansão para a esfera municipal adiciona complexidade à análise de risco regulatório — exigindo de operadores, fornecedores e investidores um acompanhamento cada vez mais detalhado da sobreposição de regras entre União, estados e prefeituras. O tema chegou ao Supremo Tribunal Federal: uma ação questiona a constitucionalidade das loterias municipais, e no início de dezembro o ministro Nunes Marques determinou a suspensão dessas loterias em todo o país.
Fornecedores, futebol e responsabilidade
O "Brazilian iGaming Map" dedica ainda um bloco ao ecossistema de fornecedores que orbitam o setor, como plataformas de gestão (PAMs), redes de afiliados, ferramentas de CRM, soluções de KYC, provedores de odds e agregadores de jogos — com destaque, em modelo curated, para empresas como InPlaySoft, BETBY, FeedConstruct, EEZE e BetPass. No campo do marketing esportivo, o levantamento mostra que, em 2025, todos os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro mantiveram algum nível de associação comercial com operadores de apostas ou cassinos online, seja em patrocínios de camisa, naming rights ou acordos com estádios. O documento também registra iniciativas institucionais como o movimento MovBET, voltado a aproximar empresas de tecnologia, operadores e sociedade civil em torno de uma agenda de responsabilidade e transparência para o setor.
| Esfera | Órgão Licenciador | Estados/Regiões | Operações Autorizadas |
|---|---|---|---|
| Federal | SPA-MF | Brasil | 80+ (CNPJs) |
| Estadual — Rio de Janeiro | Loterj | RJ | 34 |
| Estadual — Paraná | Lottopar | PR | 5 |
| Estadual — Paraíba | Lotep | PB | 6 |
| Estadual — Maranhão | Não informado | MA | Não informado |
| Estadual — Minas Gerais | Não informado | MG | Não informado |
| Estadual — Tocantins | Não informado | TO | Não informado |
| Municipal | Prefeituras | Múltiplas | Em implementação |
O que isso diz sobre o mercado
- 2025 marca a consolidação da dupla arquitetura regulatória brasileira: licenças federais (80+) como espinha dorsal, complementadas por programas estaduais (6 estados) e municipais que ampliam a capilaridade mas aumentam complexidade de compliance para operadores.
- A penetração de patrocínios em todos os clubes da Série A reflete maturação comercial do mercado regulado, mas a suspensão das loterias municipais pelo STF em dezembro cria incerteza sobre a terceira camada regulatória.
- Operadores e fornecedores precisam monitorar sobreposição de regras entre União, Estados e prefeituras, especialmente em tributação e proteção ao consumidor, pois cada jurisdição adiciona exigências específicas de risco regulatório.
Entenda os termos
- SPA-MF
- Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda; órgão federal responsável pela supervisão e autorização de operadores de iGaming em âmbito nacional.
- Licença de quota fixa
- Autorização para exploração de apostas esportivas e cassinos online com regulação específica por estado ou município, diferente do modelo federal.
- PAM (Plataforma de iGaming)
- Provedor de solução técnica que oferece a plataforma operacional para operadores de apostas esportivas e cassinos online funcionarem.
- KYC
- Know Your Customer; processo de verificação de identidade e conformidade do cliente exigido por regulação de proteção ao consumidor e prevenção de fraude.
A apuração inicial deste fato é de Yogonet Brasil. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



