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Operadores & Bets

Betano, Sportingbet e IBJR debatem regulação, tecnologia e jogo responsável no Brasil

Executivos das duas operadoras e o presidente do instituto setorial participaram de entrevista ao TecMundo e discutiram os avanços e desafios do mercado regulado de apostas esportivas no país.

Betano, Sportingbet e IBJR debatem regulação, tecnologia e jogo responsável no Brasil

Imagem ilustrativa gerada por IA

Em debate transmitido pelo canal do TecMundo no YouTube e conduzido pelos jornalistas Thiago Cruz e Renan Pagliarusi, representantes da Betano, da Sportingbet e do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) se reuniram para discutir o mercado regulado de apostas no Brasil. O encontro abordou temas como tecnologia, carga tributária, jogo responsável e o combate ao mercado ilegal. Fernando Vieira, presidente do IBJR — entidade que, segundo ele, representa cerca de 70% do mercado regulado de iGaming no Brasil —, abriu o debate destacando a necessidade de um setor "íntegro, sustentável e responsável". "Nosso objetivo é trazer educação e informação, pois a quantidade de desinformação é absurda. Falar mal das bets é como falar mal da Geni [da música de Chico Buarque]. É importante mostrar que há empresas sérias e reguladas", afirmou.

Tecnologia como pilar da operação

Guilherme Figueiredo, country manager Brasil da Betano, ressaltou que grandes plataformas exigem alta escalabilidade e estabilidade técnica. Ele citou a final do Campeonato Mundial de Clubes da FIFA, entre PSG e Chelsea, como exemplo de evento que gera picos de demanda e que exige infraestrutura robusta para processar apostas e atualizar odds em tempo real. "Um erro significa não só perda de experiência do usuário quanto perda financeira", alertou. Antonio Forjaz, CEO da Sportingbet Brasil — operadora pertencente ao grupo Entain, um dos maiores conglomerados globais do setor —, reforçou a importância do monitoramento contínuo dos sistemas de pagamento e do pricing. Ele destacou o funcionamento do in-play Bet Builder, ferramenta que permite ao apostador acumular múltiplas apostas em um mesmo evento com odds calculadas em tempo real. Os três participantes também apontaram a inteligência artificial como recurso estratégico, tanto para personalizar a experiência do usuário quanto para apoiar decisões corporativas e gerenciar o volume de dados gerados pelas plataformas.

Aplicativos, licenciamento e combate ao mercado ilegal

Vieira chamou atenção para o avanço do uso de aplicativos móveis no setor e para os riscos que a presença de apps ilegais nas lojas digitais representou para os apostadores. Segundo ele, a decisão do Google de permitir apenas aplicativos de casas licenciadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), órgão do Ministério da Fazenda responsável pela regulação do setor, foi um passo relevante para proteger o consumidor. "Esperamos que a Apple também libere em breve essa solução", afirmou. O presidente do IBJR também lembrou que casas reguladas obrigatoriamente operam em domínios .bet.br e realizam o processo de KYC (verificação de identidade), que inclui foto, documentos e reconhecimento facial. Os participantes foram unânimes ao avaliar que a regulamentação brasileira, em vigor há cerca de seis meses à época do debate, superou benchmarks internacionais — mas criticaram o período sem regras claras, que, segundo eles, favoreceu a proliferação de operadores ilegais e dificultou a consolidação de um ambiente confiável.

Tributação, empregos e jogo responsável

A carga tributária foi outro ponto de destaque. Vieira alertou que os 12% sobre o GGR (receita bruta de jogos) são apenas uma das cobranças sobre o setor, e que a soma total dos tributos pode chegar a mais de 50% — estando hoje, segundo ele, na faixa de 40%. "Isso inviabiliza a atividade em comparação com o mercado ilegal, que não paga nada e que terá odds muito mais interessantes", argumentou, citando os casos de Itália e Portugal como exemplos de países que, ao aumentar demais a taxação, empurraram apostadores para operadores clandestinos. No campo socioeconômico, Forjaz destacou que o setor gera empregos em áreas como comunicação, marketing e atendimento ao cliente em todo o Brasil — um aspecto que, segundo ele, é frequentemente ignorado no debate público. Por fim, os três executivos reforçaram que as apostas devem ser encaradas como entretenimento, não como fonte de renda, e elencaram ferramentas de jogo responsável já adotadas pelas operadoras, como limites de tempo e de valores apostados, monitoramento de comportamento e suporte a famílias de jogadores problemáticos. O próximo passo do setor, na visão dos participantes, é avançar na educação dos apostadores e consolidar o mercado regulado como uma atividade de lazer transparente e profissionalizada.

Análise BetNotícias

O que isso muda na regulação

  • O debate ratifica que operadoras reguladas enfrentam pressão tributária potencialmente desestabilizadora: com carga fiscal acumulada acima de 50%, elas correm risco de perder competitividade frente ao mercado ilegal, que não paga impostos e oferece odds mais atrativas.
  • Há tensão regulatória em aberto: aproximadamente 300 projetos parlamentares questionam a regulamentação vigente (em vigor há apenas 6 meses), criando insegurança jurídica e equiparando publicamente operadoras licenciadas a empresas ilegais.
  • A liberação de apps pela SPA nas lojas do Google e a obrigatoriedade de KYC e domínio .bet.br são mecanismos que começam a diferenciar ofertas legais das ilegais, mas ainda há trabalho de educação do apostador e pressão por liberação equivalente na Apple.

Entenda os termos

GGR
Gross Gaming Revenue — receita bruta de jogos, antes de impostos e despesas, sobre a qual incide a taxa de 12% citada na regulação brasileira.
KYC
Know Your Customer — processo de verificação de identidade do usuário mediante apresentação de documentos, foto e verificação facial, obrigatório em casas reguladas.
Jogo Responsável
Conjunto de práticas e ferramentas (limites de tempo e valores, monitoramento de comportamento desvio) adotadas pelas operadoras para proteger o apostador contra problemas de compulsão.
SPA
Secretaria de Prêmios e Apostas — órgão federal responsável pela concessão de licenças e regulação do mercado legal de apostas no Brasil.
Fonte original
Com informações de GamesBras →

A apuração inicial deste fato é de GamesBras. A redação do BetNotícias produziu texto próprio, os dados estruturados e a análise de impacto acima. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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