Psicólogo aponta seis sinais de que as apostas deixaram de ser lazer
Especialista da EBAC explica como identificar quando o hábito de apostar ultrapassa o limite saudável e passa a comprometer finanças, saúde mental e relações sociais.
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Com o crescimento acelerado do mercado de apostas esportivas no Brasil — impulsionado pela regulamentação do setor, que entrou em vigor em janeiro de 2025 sob supervisão da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda —, profissionais de saúde têm alertado para um desafio que cresce na mesma proporção: identificar o momento em que apostar deixa de ser entretenimento e se converte em comportamento de risco.
Para Cristiano Costa, psicólogo e diretor de Conhecimento da Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (EBAC), a linha que separa o hobby do vício está no papel que a atividade passa a ocupar no cotidiano. "Uma aposta saudável ocupa um espaço limitado na rotina e não interfere na vida financeira, nos relacionamentos ou no bem-estar emocional. O sinal de alerta aparece quando ela deixa de ser apenas uma forma de lazer e passa a se tornar uma expectativa constante, gerar sofrimento e influenciar decisões importantes", explicou o especialista.
Os seis principais sinais de atenção
Costa listou seis indicadores que merecem atenção. O primeiro é a ocupação excessiva do pensamento: acompanhar partidas exclusivamente para apostar, pensar constantemente em palpites ou sentir ansiedade quando as plataformas ficam inacessíveis são sinais preocupantes. O segundo é o aumento progressivo dos valores apostados — a necessidade de quantias cada vez maiores para obter a mesma sensação de emoção aponta para uma escalada da impulsividade. O terceiro comportamento é o chamado "perseguir o prejuízo": a crença de que uma nova aposta pode compensar o dinheiro já perdido, o que tende a agravar o endividamento. Completam a lista a prática de esconder o hábito de familiares e amigos, a queda no desempenho profissional e nos relacionamentos, e o abandono progressivo de atividades que antes geravam prazer — como hobbies, encontros sociais e exercícios físicos.
O diretor da EBAC enfatizou que os danos desse comportamento compulsivo costumam ir muito além das perdas financeiras. Segundo ele, os primeiros impactos frequentemente se manifestam na saúde mental. "O prejuízo financeiro costuma ser apenas uma das consequências. Muitas vezes, os primeiros impactos aparecem na saúde mental, no aumento da ansiedade, da irritabilidade, na dificuldade de concentração e até no afastamento de pessoas próximas. Quanto mais cedo esses sinais forem percebidos, maiores são as chances de interromper esse ciclo", afirmou Costa.
No contexto regulatório brasileiro, o jogo responsável é uma exigência formal para as operadoras licenciadas. A SPA determina que as plataformas autorizadas ofereçam ferramentas de autoexclusão, limites de depósito e acesso a informações sobre apoio psicológico. A EBAC é uma das entidades de referência no suporte a pessoas que identificam perda de controle sobre o hábito de apostar, oferecendo atendimento especializado para jogadores e seus familiares.
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