Proibição das bets deixa rombo de R$ 2,6 bi no esporte olímpico e paralímpico
COB, CPB e outras entidades esportivas perderão R$ 2,623 bilhões em repasses previstos até 2027, comprometendo a preparação do Time Brasil para os Jogos de Los Angeles-2028.
Imagem ilustrativa gerada por IA
A extinção das apostas esportivas no Brasil, determinada pela Medida Provisória nº 1.394 editada pelo governo federal em setembro de 2026, vai deixar um buraco de R$ 2,623 bilhões no financiamento do esporte olímpico e paralímpico nacional até o fim de 2027. O levantamento foi feito pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) e confirmado por dirigentes de diversas entidades ao jornal O Globo. A projeção contabiliza R$ 497 milhões que não serão repassados entre outubro e dezembro de 2026 e outros R$ 2,1 bilhões referentes à arrecadação projetada para 2027 — e ainda não inclui os valores diretos que confederações recebiam pelas apostas feitas especificamente em suas modalidades, o que torna o impacto real ainda maior.
A origem desses recursos está na Lei nº 14.790/2023, que regulamentou as apostas de quota fixa no país e destinou 36% da arrecadação ao setor esportivo. A distribuição previa fatias para o Ministério do Esporte (22,20%), o COB (2,20%), o Comitê Paralímpico Brasileiro — CPB (1,30%), o Comitê Brasileiro de Clubes — CBC (0,70%), além de outras entidades como a Confederação Brasileira do Desporto Escolar, a Confederação Brasileira do Desporto Universitário e os comitês de clubes paralímpicos e do esporte master. Outros 0,70% seriam distribuídos às secretarias de esporte estaduais e do Distrito Federal. Com a proibição, todo esse fluxo foi interrompido.
O presidente do COB, Marco La Porta, revelou que a entidade recebeu cerca de R$ 200 milhões em repasses das bets entre 2025 e setembro de 2026, e que a expectativa era de mais R$ 25 milhões até o fim do ano e entre R$ 125 milhões e R$ 130 milhões em 2027. Com orçamento total de R$ 600 milhões, a perda representa cerca de 20% da receita prevista. "Nosso maior impacto será no ano que vem porque não terá arrecadação. Ou seja, são R$ 125 milhões a menos a dois anos dos Jogos Olímpicos, e claro isso terá consequências", afirmou La Porta durante a COB Expo. Para contornar a situação, a entidade recorrerá ao fundo de reserva técnica e realizará cortes internos, sem, porém, reduzir os repasses às confederações. Projetos como a ampliação dos Jogos da Juventude serão adiados. Jorge Bichara, diretor de Esporte do COB, admitiu incerteza sobre a capacidade de manter todos os planos para Los Angeles: "Se conseguiremos atender todas as frentes que tínhamos proposto, não sei dizer ainda."
O CPB acumulou R$ 57,4 milhões em repasses das bets ao longo de 2025 e outros R$ 54,1 milhões até setembro de 2026, com projeção de R$ 82,1 milhões para 2027. O CBC estima um rombo de cerca de R$ 50 milhões. "Acho que tudo isso foi um desserviço. Justamente na hora em que os clubes estavam se organizando para grandes eventos, como Olimpíada, fazendo contratações, programando cursos. Essa verba fará falta no futuro", declarou Paulo Maciel, presidente do CBC, que também expressou expectativa de que o Congresso tome um caminho diferente ao analisar a medida. Na Confederação Brasileira de Basquete (CBB), o impacto também é sentido com força: a entidade recebeu cerca de R$ 19 milhões das bets entre 2025 e setembro de 2026, mas receberá apenas R$ 6,1 milhões via Lei Agnelo Piva até o fim do ano. "Para nós é ruim porque nos programamos em cima da lei. Acho que depois do futebol, somos a modalidade com maior prejuízo", disse André Alvez, CEO da CBB. Já a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) havia acumulado cerca de R$ 5 milhões desde abril de 2025 — dentro de um orçamento de R$ 25 milhões — sem ainda tê-los utilizado, aguardando diretrizes mais claras para aplicação. "Estávamos considerando esses recursos no planejamento de investimentos adicionais no alto rendimento e na formação de atletas", afirmou o presidente Vilmar Schindler.
A MP 1.394 foi publicada próximo às Eleições Gerais, tendo como justificativa oficial a proteção das famílias brasileiras frente ao endividamento provocado pelas apostas. A medida proíbe novos depósitos desde 25 de setembro de 2026, determina a saída dos sites do ar a partir de 5 de outubro e a extinção de todas as autorizações da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) em 25 de outubro, sem devolução de outorga. Com validade de 60 dias, prorrogáveis por mais 60, a MP ainda depende de aprovação do Congresso Nacional para se converter em lei permanente — janela que alguns dirigentes enxergam como possibilidade de reversão ou de estabelecimento de um período de transição. La Porta resumiu o sentimento do setor: "Entendemos que deveria ter tido um período de transição para adaptação."
| Entidade | Recebido 2025-set/2026 (R$ mi) | Projeção até fim 2026 (R$ mi) | Projeção 2027 (R$ mi) | Arrecadação total afetada (R$ mi) |
|---|---|---|---|---|
| COB | 200,0 | 25,0 | 125 a 130 | não informado |
| CPB | 54,1 | não informado | 82,1 | não informado |
| CBC | não informado | não informado | não informado | ~50,0 |
| CBB | 13,0 | não informado | não informado | ~19,0 (dois anos) |
| CBTM | 5,0 (desde abr/2025) | não informado | não informado | não informado |
| Setor como um todo | não informado | 497,0 | 2.100,0 | 2.623,0 |
O que isso diz sobre o mercado
- O esporte olímpico e paralímpico brasileiro deixará de receber R$ 2,623 bilhões em repasses até 2027 — um corte de até 20% da receita planejada no caso do COB — impactando diretamente a preparação para Los Angeles-2028.
- Confederações como CBB, CBC e CBTM interrompem investimentos em alto rendimento e formação de atletas já programados, com risco de inadequação de infraestrutura nos Jogos.
- O COB acionará fundo de reserva e adiará projetos como ampliação dos Jogos da Juventude; confederações enfrentam incerteza sobre manutenção de contratos já firmados.
Entenda os termos
- Lei nº 14.790/2023
- Lei que regulamentou as apostas esportivas e jogos online no Brasil e definiu a distribuição de 36% da arrecadação das bets para o esporte, com percentuais específicos para COB, CPB, confederações e outros órgãos.
- Lei Agnelo Piva
- Mecanismo legal que prevê repasse de recursos das Loterias Federais da Caixa para o esporte, utilizado como alternativa parcial de financiamento após a proibição das apostas esportivas.
- Medida Provisória
- Instrumento normativo de vigência imediata que o governo federal editou para encerrar as operações das bets no Brasil, com validade temporária até aprovação do Congresso.
- Fundo de reserva técnica
- Poupança constituída por parte dos recursos arrecadados das apostas, mantida pelo COB por insegurança jurídica durante a regulamentação das bets.
A apuração deste fato é de BNLData. O texto acima, os dados estruturados e a análise foram escritos com inteligência artificial a partir dessa publicação, sem revisão humana antes de ir ao ar. Como funciona. Para conferir o conteúdo na íntegra, acesse a publicação original.



