Operadores legais suspeitam que mercado ilegal financia ataques às bets reguladas
Empresas licenciadas identificam padrão nas campanhas de descrédito contra o setor e apontam possível envolvimento de redes clandestinas, com destaque para esquemas originados no Sudeste Asiático.
Imagem ilustrativa gerada por IA
Operadores do mercado regulado de apostas esportivas no Brasil começaram a levantar uma hipótese incômoda: parte das campanhas de descrédito contra as plataformas licenciadas pode estar sendo financiada pelo próprio mercado ilegal que a regulação brasileira veio combater. A suspeita, relatada ao BNLData por uma fonte ligada a operadoras legalizadas que pediu anonimato, se baseia em um padrão identificado nos ataques — argumentos repetidos, estudos com premissas semelhantes e impulsionamento nas redes sociais com origens difusas. "Estamos preocupados com a possibilidade de que grupos ligados ao mercado ilegal, provavelmente o chinês, que ainda possui grande relevância e escala no Brasil, estejam por trás dessas investidas", afirmou a fonte. "O objetivo seria inviabilizar a legalização do setor para que, com o retorno à ilegalidade, cessem as ações de combate que vêm sendo implementadas."
Mercado ilegal movimenta até R$ 40 bilhões por ano no Brasil
A hipótese encontra respaldo em estimativas recentes. Estudo do Instituto Esfera, divulgado em fevereiro de 2026, aponta que o mercado ilegal já responde por 41% a 51% das apostas online no país, movimentando entre R$ 26 bilhões e R$ 40 bilhões anuais. No cenário internacional, relatórios indicam que a chamada "Grande China" pode concentrar quase metade do volume global de apostas clandestinas, com operações estruturadas a partir de países como Filipinas, Camboja, Mianmar, Laos, Tailândia e Vietnã — regiões onde o controle estatal limitado favorece esquemas de fraude e lavagem de dinheiro. No Brasil, esse fluxo ganhou apelido próprio: "bets chinesas". O mecanismo utiliza CPFs de terceiros — os chamados laranjas — para simular cadastros regulares no sistema do Ministério da Fazenda e conferir aparência de legalidade a operações que, na prática, operam à margem da regulação.
Proibição favoreceria quem opera na ilegalidade, alertam especialistas
O alvo mais imediato da pressão pública é o chamado "jogo do Tigrinho" e os jogos online em geral, modalidades permitidas pela legislação brasileira, mas alvos crescentes de pedidos de proibição. Especialistas do setor regulado advertem que essa seria justamente a saída mais conveniente para os operadores clandestinos: vetar a oferta legal não elimina a demanda, apenas a empurra para estruturas criminosas. Os números do mercado regulado ajudam a dimensionar o que estaria em risco. Em 2025, o segmento de apostas de quota fixa registrou Gross Gaming Revenue (GGR) de R$ 36.959.783.379,70, de acordo com o Ministério da Fazenda. No mesmo período, 25.245.319 brasileiros realizaram apostas — o equivalente a 12,96% da população —, com ticket médio mensal de R$ 122,00. Esses valores representam arrecadação tributável, fluxo rastreável e consumidores cobertos por proteção regulatória, benefícios que desaparecem em um mercado proibido.
Falta de transparência alimenta narrativas sem respaldo
Parte dos problemas de reputação do setor é atribuída à ausência de dados públicos consolidados. Sem um painel oficial com indicadores mensais — como GGR, perfil de apostadores, ticket médio e volume de transações — disponibilizado pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda por meio do Sistema de Gestão de Apostas (Sigap), o vazio informacional acaba preenchido por estudos de metodologia contestável. Relatórios do Banco Central e das entidades CNC e Febraban figuram entre os exemplos citados por operadores como narrativas construídas sobre essa lacuna de dados oficiais. A publicação regular dessas informações pelo poder público dificultaria a circulação de argumentos sem embasamento empírico e tornaria o debate mais equilibrado. "Regular é governar: quando o Estado se ausenta, a ilegalidade ocupa o espaço", resumiu a fonte ouvida pela reportagem, sintetizando a visão do setor de que a verdadeira disputa não é entre liberar ou proibir, mas sim sobre quem vai controlar a oferta de um mercado cuja demanda já está consolidada.
Esta notícia foi reescrita pela redação do BetNotícias com base em apuração de terceiros. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



