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Regulação

Operação Conto da Sorte investiga esquema de apostas ilegais com movimentação de até R$ 50 bi

O MPRN, em parceria com a Receita Federal e o Ministério da Fazenda, deflagrou ação contra grupo de 37 empresas suspeitas de explorar apostas sem autorização em território nacional.

Operação Conto da Sorte investiga esquema de apostas ilegais com movimentação de até R$ 50 bi

Imagem ilustrativa gerada por IA

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) lançou nesta quinta-feira, 18, a Operação Conto da Sorte, em conjunto com a Receita Federal e com apoio da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA-MF). O alvo é um suposto esquema de exploração ilegal de apostas de quota fixa e jogos online que, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, teria movimentado até R$ 50 bilhões. "Houve uma movimentação, a princípio, de R$ 50 bilhões, em razão dessas 37 empresas que operavam de maneira ilegal de bet no país, e esses 14 mandados de busca e apreensão vão nos permitir apurar os valores exatos que serão anunciados muito em breve", declarou o ministro em Brasília.

Autarquia municipal usada como fachada de legalidade

No centro das investigações está a LOTSERIDÓ, autarquia criada pela Prefeitura de Bodó, município do interior do Rio Grande do Norte, que teria sido utilizada pelo grupo para conferir aparência legal a dezenas de plataformas de apostas online com atuação em todo o país. A autorização municipal foi cassada após intervenção do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que municípios não têm competência para autorizar jogos e apostas no Brasil — prerrogativa que cabe exclusivamente à União, exercida hoje pela SPA-MF. A LOTSERIDÓ foi formalmente encerrada em outubro de 2025, mas o MPRN aponta que empresas ligadas ao grupo teriam continuado operando mesmo sem autorização federal. A Prefeitura de Bodó havia informado anteriormente que as empresas chegaram a arrecadar cerca de R$ 415 milhões em dez meses de funcionamento, gerando repasse de R$ 8,3 milhões aos cofres municipais. A investigação ainda identificou que uma das empresas envolvidas recebeu créditos de R$ 4,6 bilhões ao longo de 2025.

Rede de laranjas e empresas fantasmas

Segundo o MPRN, os investigados teriam montado uma estrutura complexa de pessoas jurídicas voltadas à exploração de jogos, apostas e meios de pagamento. Parte das empresas foi registrada em nome de terceiros sem capacidade econômica compatível, incluindo beneficiários de programas sociais e parentes dos supostos organizadores do esquema. A operação também identificou endereços inexistentes, salas comerciais vazias e escritórios virtuais, caracterizando empresas sem existência de fato. Os crimes investigados incluem lavagem de dinheiro, induzimento à especulação, exploração de jogo de azar e de loteria não autorizada, associação criminosa e infrações contra as relações de consumo.

14 mandados em três estados e R$ 145 milhões em bens alvejados

A ação ocorreu simultaneamente em Pernambuco, São Paulo e Ceará, com apoio dos Ministérios Públicos estaduais e das respectivas forças policiais. Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão — expedidos pela 2ª Vara da Comarca de Currais Novos, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte — contra sete pessoas físicas e seis pessoas jurídicas em imóveis situados em Recife, Caruaru, Toritama, Fortaleza, São Paulo e Iguape. A mobilização envolveu nove auditores-fiscais e dois analistas tributários da Receita Federal, seis promotores de Justiça, 19 servidores do MPRN e do MPPE, dez servidores da Secretaria de Fazenda do RN e 28 policiais civis e militares. A Receita Federal informou que a operação focou na apreensão de R$ 145 milhões em bens para garantir a restituição dos valores ilicitamente obtidos.

Governo promete "tolerância zero" com o mercado ilegal

O ministro Dario Durigan enquadrou a Operação Conto da Sorte como parte de uma estratégia mais ampla do governo federal. "Essa é uma das várias operações que serão feitas para combater bet ilegal. O governo fazendo um esforço de inteligência para fazer um combate duro às bets ilegais", afirmou. Durigan anunciou ainda que a Receita Federal deve aprofundar a cooperação com Ministérios Públicos estaduais, e reiterou que a diretriz da pasta é de "rigor total" e "tolerância zero" com plataformas que atuem sem licença. O contexto é relevante: estimativas do setor regulado indicam que as plataformas ilegais ainda respondem por cerca de 50% do volume total de apostas realizadas no Brasil, representando um dos principais desafios para a regulação do mercado, que passou a valer integralmente a partir de 2025 sob coordenação da SPA-MF.

Fonte original
Com informações de SBC Notícias Brasil →

Esta notícia foi reescrita pela redação do BetNotícias com base em apuração de terceiros. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.

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