Mauro Cezar defende parcerias de jornalistas com bets e critica seletividade do debate
O jornalista questionou a assimetria nas críticas ao setor: profissionais independentes são alvo de julgamento, enquanto grandes grupos de mídia seguem lucrando com publicidade de apostas sem o mesmo escrutínio.
Imagem ilustrativa gerada por IA
O jornalista Mauro Cezar entrou no debate sobre as relações entre a imprensa e as casas de apostas ao publicar um texto em suas redes sociais no qual questiona o que chama de tratamento desigual entre profissionais independentes e grandes veículos de comunicação. Segundo ele, parte das críticas ao setor ignora uma realidade consolidada: empresas de apostas há anos financiam transmissões esportivas, clubes de futebol, contratos com atletas e ex-jogadores, além de espaços publicitários em redações tradicionais.
Mauro Cezar afirmou ter trabalhado por anos em empresas que comercializaram espaços publicitários para o segmento de apostas, o que, na sua visão, torna inconsistente parte das críticas que surgem quando jornalistas independentes firmam patrocínios com o setor. "Quando o dinheiro das bets entra no caixa de uma empresa jornalística, parte dele paga o salário de muitos jornalistas — inclusive daqueles que hoje criticam veementemente a publicidade do setor", escreveu. O jornalista também apontou que sua imagem, voz e credibilidade foram utilizadas ao longo dos anos para viabilizar campanhas publicitárias do segmento, mesmo quando atuava em grandes organizações.
Sobre o futuro do mercado, Mauro Cezar se posicionou a favor da regulamentação como caminho preferível à proibição. "Entenda: as casas de apostas existem há muito tempo e vão continuar existindo. Se forem proibidas, vão operar na clandestinidade, o que é bem pior. Mas não desaparecerão", afirmou. Para ele, a atuação legalizada, com regras definidas e mecanismos de jogo responsável, é o cenário mais adequado — argumento que ecoa o processo regulatório em curso no Brasil, conduzido pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, que desde 2025 passou a licenciar e fiscalizar as operadoras que atuam no país. "É muito melhor, creio, que atuem legalizadas, com regras claras e alertas de responsabilidade, como já acontece", completou.
O jornalista também defendeu que parcerias com patrocinadores do setor permitem ampliar sua produção de conteúdo. "No meu caso, esse patrocínio me permite produzir mais conteúdo independente, com viagens e análises que talvez não fossem viáveis sem tal apoio", declarou. Por fim, Mauro Cezar concluiu seu argumento com uma crítica direta à assimetria que enxerga no debate: "Vejo, sim, uma dose de hipocrisia em algumas reações. Muitos se incomodam quando o patrocínio envolve diretamente jornalistas independentes, mas ficam em silêncio quando grandes grupos enchem as transmissões de odds e publicidade de bets." Para ele, a seletividade é injusta: "Para viabilizar o trabalho, por que jornalistas independentes não poderiam ter o mesmo tipo de apoio que as grandes corporações possuem?"
Esta notícia foi reescrita pela redação do BetNotícias com base em apuração de terceiros. Acesse a publicação original para conferir o conteúdo na íntegra.



